
O disco Cube da Esquina (1972) revolucionou a música brasileira, sendo considerado como um dos mais importantes da MPB. Além de ser o primeiro disco duplo da música brasileira, a obra trouxe uma série de inovações harmônicas e rítmicas até então nunca ouvidas, misturando rock, jazz, erudito e música brasileira de raiz. Uma mistura sonora que, até hoje, é o que melhor representa o espírito de Minas Gerais.
O disco é cheio de clássicos da nossa música: "Tudo Que Você Podia Ser", "Cais", "O Trem Azul", "Cravo e Canela", "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo", "San Vicente", "Nada Será Como Antes" e outras. Uma das mais belas de todas é "Paisagem da Janela". Esta música foi composta por Lô e Fernando Brant em um quarto de hotel em Diamantina, quando os integrantes do Clube foram chamados para fazer uma reportagem para a revista "O Cruzeiro", durante o processo de composição do álbum. A vista para a Serra do Espinhaço influenciou Brant a escrever uma das letras mais bonitas do álbum.
PAISAGEM DA JANELA
(Lô Borges e Frnando Brant)
Da janela lateral do quarto de dormirVejo uma igreja, um sinal de glóriaVejo um muro branco e um vôo pássaroVejo uma grade, um velho sinalMensageiro natural de coisas naturaisQuando eu falava dessas cores mórbidasQuando eu falava desses homens sórdidosQuando eu falava desse temporalVocê não escutouVocê não quer acreditarMas isso é tão normalVocê não quer acreditarE eu apenas eraCavaleiro marginal lavado em ribeirãoCavaleiro negro que viveu mistériosCavaleiro e senhor de casa e árvoresSem querer descanso nem dominicalCavaleiro marginal banhado em ribeirãoConheci as torres e os cemitériosConheci os homens e os seus velóriosQuando olhava da janela lateralDo quarto de dormirVocê não quer acreditarMas isso tão normalVocê não quer acreditarMas isso tão normalUm cavaleiro marginalBanhado em ribeirãoVocê não quer acreditar