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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Da janela lateral do quarto de dormir

O disco Cube da Esquina (1972) revolucionou a música brasileira, sendo considerado como um dos mais importantes da MPB. Além de ser o primeiro disco duplo da música brasileira, a obra trouxe uma série de inovações harmônicas e rítmicas até então nunca ouvidas, misturando rock, jazz, erudito e música brasileira de raiz. Uma mistura sonora que, até hoje, é o que melhor representa o espírito de Minas Gerais.

O disco é cheio de clássicos da nossa música: "Tudo Que Você Podia Ser", "Cais", "O Trem Azul", "Cravo e Canela", "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo", "San Vicente", "Nada Será Como Antes" e outras. Uma das mais belas de todas é "Paisagem da Janela". Esta música foi composta por Lô e Fernando Brant em um quarto de hotel em Diamantina, quando os integrantes do Clube foram chamados para fazer uma reportagem para a revista "O Cruzeiro", durante o processo de composição do álbum. A vista para a Serra do Espinhaço influenciou Brant a escrever uma das letras mais bonitas do álbum.

PAISAGEM DA JANELA
(Lô Borges e Frnando Brant)

Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal

Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou

Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
E eu apenas era

Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical

Cavaleiro marginal banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Quando olhava da janela lateral
Do quarto de dormir

Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Um cavaleiro marginal
Banhado em ribeirão
Você não quer acreditar