Postal tipográfico da cidade de Diamantina, com a vista parcial da Praça D. Joaquim Silvério de Souza, oferecido pela Prefeitura de Diamantina na Feira de Amostras de Belo Horizonte em 1933. Postal está em leilão no Mercado Livre.
domingo, 2 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Melhor atriz de curta de MG é de Diamantina
Aconteceu no dia 07 de abril no Palácio das Artes em BH a entrega do 15º Prêmio Sesc/Sated, que premiou os melhores artistas mineiros em várias categorias. A diamantinense Camélia Guedes, estudante de Engenharia Florestal da UFVJM ganhou o prêmio de melhor atriz de curta metragem pelo filme "150 miligramas" de André Novaes.
Camélia residia em Belo Horizonte, onde estudava teatro e foi convidada para atuar no filme. Logo após voltou à Diamantina para estudar na UFVJM mas ainda continua desenvolvendo trabalhos artísticos.
Arte e cultura do Vale na UFMG
A arte e a cultura do Vale do Jequitinhonha mais uma vez será mostrada na 11ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha da UFMG que acontecerá de 03 a 08 de Maio naPraça de Serviços, campus Pampulha.
A feira funcionará de segunda a sexta-feira de 8h30 às 18h e no sábado de 8h30 às 13h.
Programação artística
11ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha na UFMG
Praça de serviços da UFMG – Campus Pampulha
Dia 03/05 – segunda-feira
12h30: Apresentação da Corporação Musical Euterpe Homero Maciel [Turmalina - MG]
Regência: Valdir Alves dos Santos
Dia 05/05 – quarta-feira
12h30: Show com Nino Aráss e banda [Diamantina - MG]
[Quarta Doze e Trinta]
Dia 06/05 – quinta-feira
16h30: Homenagem às mestras Zefa, de Araçuaí, e Dona Ana do Baú, de Minas Novas
18h: "Incelente Maravia" - show com Pereira da Viola
Dia 07/05 - sexta-feira
12h30: ‘Histórias de Cordel’ - Murion Cia. de Teatro [Padre Paraíso]
Serviço:
11ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha da UFMG
03 a 08 de Maio de 2010
Segunda a sexta-feira de 8h30 às 18h e sábado de 8h30 às 13h
Praça de Serviços da UFMG
Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 - Campus Pampulha
Entrada franca
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Cine Mercúrio terá mostra de filmes argentinos e uruguaios
Durante o mês de maio, o Cine Mercúrio irá apresentar o ciclo “Cárceres Sociais: mostra rio-platense (Argentina e Uruguai)”, que inclui filmes com a temática da ditadura militar na América Latina e títulos que tratam de outras modalides de cerceamento social, cultural e político.
As sessões acontecerão na Casa de Chica da Silva, em uma parceria da UFVJM com o Escritório Técnico do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Diamantina. A entrada é gratuita e aberta ao público. O espaço tem capacidade para 35 pessoas. Serão distribuídas senhas 30 minutos antes de cada exibição.
Além das sessões às quartas-feiras, que já vinham sendo realizadas no horário das 19h30, haverá três sessões aos domingos (nos dias 16, 23 e 30), às 18h00.
A iniciativa busca fomentar a atividade audiovisual na Universidade e acontece em parceria da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, o Instituto de Humanidades e a Diretoria de Relações Internacionais da UFVJM, o Consulado da Argentina em Belo Horizonte e o Escritório Técnico do Iphan em Diamantina, por meio do Programa Cine Mais Cultura, do Ministério da Cultura.
- Programação:
05/05, quarta, às 19h30
Crônica de uma fuga
(Argentina, 2006)
Direção: Adrián Caetano
Sinopse: Um grupo a serviço do governo militar argentino sequestra Claudio Tamburrini, goleiro de um time de pouco destaque, e o arrasta a um centro de detenção clandestino, a Mansão Seré, onde vários jovens convivem à espera de que seus destinos sejam decididos.
12/05, quarta, às 19h30
Whisky
(Uruguai, Argentina, Alemanha, Espanha, 2003)
Direção: Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll
Sinopse: A vida de Jacobo se resume a administrar sua fábrica de meias. Marta é a empregada de confiança, e relação entre eles é estritamente profissional. A rotina de Jacobo se vê ameaçada pela visita do irmão Herman, que desencadeia uma série de situações prosaicas e patéticas.
16/05, domingo, às 18h00
Valentin
(Argentina, Holanda, França, Itália, Espanha, 2002)
Direção: Alejandro Agresti
Sinopse: Buenos Aires, 1960. Valentin é um menino de nove anos que vive com a avó. Seu pai vive ocupado trabalhando e a mãe está desaparecida desde a separação do casal. Solitário, Valentin divide o tempo sonhando em se tornar um astronauta e ouvindo as histórias contadas pela avó.
19/05, quarta, às 19h30
Clube da Lua
(Argentina e Espanha, 2004)
Sinopse: Um emblemático clube de bairro com uma história de esplendor hoje está imerso em uma grave crise: parece que a única saída é que se converta em um cassino, nada mais distante dos princípios de seus fundadores na década de 40.
23/05, domingo, às 18h00
O mesmo amor, a mesma chuva
(Argentina e EUA, 1999)
Direção: Juan José Campanella
Sinopse: Jorge escreve contos românticos para uma revista. Aos 28 anos, é uma jovem promessa da literatura argentina, mas não consegue se fazer notar. Uma noite, conhece a garçonete Laura, com quem irá manter uma relação de encontros e desencontros ao longo de duas décadas.
26/05, quarta, às 19h30
O banheiro do Papa
(Uruguai, Brasil e França, 2007)
Direção: Enrique Fernández e César Charlone
Sinopse: É 1988 e o Papa João Paulo II visita Melo, pequena cidade fronteiriça do Uruguai. O Pontífice iniciará uma jornada pela América Latina por essa comunidade, onde o esperam mais de 50 mil pessoas. Muitos estão convencidos de que a visita será milagrosa para a alma e para o bolso.
30/05, domingo, às 18h00
O abraço partido
(Argentina, Espanha, França e Itália, 2004)
Direção: Daniel Burman
Sinopse: Ariel é um jovem de vinte e poucos anos que largou a faculdade e ainda vive às custas da mãe, dona de uma loja de lingeries. Ele sempre estranhou o fato de nunca falarem em casa sobre seu pai, que nos anos 70 partiu para lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel, e nunca mais voltou.
- Serviço:
Local: Casa de Chica da Silva (Escritório Técnico do Iphan)
Endereço: Praça Lobo de Mesquita, 266, Centro - Diamantina/MG
Horário: 19h30 (às quartas-feiras) e 18h00 (aos domingos)
Entrada: Gratuita
Informações: 3532-6070
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Veradiamantinabrasília
Autor: Fernando Brant, no Estado de Minas 28/04/2010
Passei o fim de semana em Brasília, para rever e homenagear amigos. Aquele céu azul de arrebentar que eu cantei junto com Toninho Horta estava lá. Mas o bom mesmo é saber que tenho pouso seguro e carinhoso por aquelas bandas. Meu gosto de abraçar pessoas combina muito com o ambiente brasiliense. Vera Brant que o diga, ela a verdadeira expressão da cidade e sua história. E é pensando nela e nas amizades que ela me proporciona que eu sigo nessa minha crônica viagem.
Pois ainda me espanto diante da grandiosidade e da beleza de Brasília. Certa noite, que me perdoem os muito religiosos, passando com algumas taças a mais de vinho diante da catedral, embasbacado diante do gestual humano chamando pelas alturas, por Deus, veio-me uma ideia e uma frase: “Ela só poderia ter sido criada por um ateu.”
Essas emoções me levam à minha infância distante, em 1955, na Diamantina que é minha, de meu pai, de Vera, de JK e de tantos sonhadores, profetas de utopias que se realizam. Na praça atrás da catedral havia um mundão de gente. Tudo é muito grande quando somos meninos. Minha família, todas as famílias estavam lá para assistir ao comício do candidato diamantinense à Presidência da República. Os discursos, óbvio, inflamavam a multidão. Mas como se tratava de um candidato da cidade – aquela beleza colonial que tem um povo de coração aberto para a lua, a música, o cantar e o namorar – a política tinha de se misturar com as canções.
Foi o primeiro showmício de minha vida. Enquanto os políticos se revezavam no palanque em frente à prefeitura, logo no prédio ao lado, da sacada, para dar molho artístico ao grande momento, o artista Caxangá cantava seus improvisos. O refrão era: “Eu vi um nego sentado no bueiro da usina, de chapéu de panamá, de gravata e de botina”. Aí ele passava a brincar com as pessoas da plateia, inventando casos, provocando; enfim, alegrando toda a gente. Ao fim de cada improviso, em que se concentrava em uma vítima escolhida ao acaso, todos riam e batiam palmas.
Era uma noite calma em minha cidade, apesar de tanta gente reunida na praça, no Centro. Aquele friozinho gostoso, aquelas ruas de pedras capistranas, a longa subida até a casa onde morávamos. Alguns meses depois – como esquecer esse acontecimento da infância? –, meu pai foi pela primeira vez ao Rio de Janeiro para assistir à posse de seu conterrâneo. Eleito, JK voltou várias vezes à nossa terrinha onde, dizem, só os sinos não bebem cachaça. Fui encontrá-lo muitos anos depois, no centro da mesma praça, voltando do exílio. Eu, Milton Nascimento e amigos o chamamos de presidente. Ele sorriu, gostou, e nos ouviu cantar o Beco do Mota.
Vejo Vera, vejo Brasília e me lembro do menino que fui, naquela noite, naquele comício em Diamantina.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Dicionário traz vida e obra de 450 autores mineiros
Fonte: Carlos Herculano Lopes, Portal UAI
O ambicioso projeto de fazer a compilação biobibliográfica de autores mineiros de todas as épocas e gêneros – reunindo de ícones como Guimarães Rosa, Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade a nomes praticamente desconhecidos, mas nem por isso menos merecedores de registro – acaba de ser coroado com a publicação do Dicionário biobibliográfico de escritores mineiros. A primeira edição traz nada menos de 450 verbetes, com informações básicas sobre vida e obra dos autores. Desde já, constitui-se como importante fonte de pesquisa sobre a literatura que vem sendo feita em Minas.
A organizadora do trabalho é Constância Lima Duarte, professora da Faculdade de Letras da UFMG. O volume resultou da pesquisa Literatura brasileira: estudo de escritores mineiros, desenvolvida a partir do primeiro semestre de 2006 por estudantes da faculdade. Ana Carolina Barreto, Bruno Costa e Silva e Juliana Cristina de Carvalho participaram mais ativamente do projeto.
De acordo com Constância, o levantamento dos autores foi realizado, em um primeiro momento, por meio da investigação sistemática de dicionários, antologias, enciclopédias, sites e de histórias de literatura. Além disso, procurou-se mapear, de maneira abrangente, a produção realizada no estado – dos árcades, como o inconfidente Cláudio Manoel da Costa, à nova geração, como Leo Cunha, Kiko Ferreira, Carlos de Brito e Melo, Sérgio Fantini e Ana Elisa Ribeiro, entre outros.
No dicionário, talvez o único do gênero em Minas, há autores para todos os gostos. Pode-se ficar sabendo, por exemplo, quem foi Maria Sabina de Albuquerque, poeta nascida em Barbacena, em 1898. Outra autora enfocada foi Miêta Santiago: nascida em Varginha, em 1903, chegou a ser elogiada por Oswald de Andrade. Injustamente esquecido, o poeta diamantinense Aureliano Lessa, que nasceu em 1828, não chegou a publicar livro em vida. O polemista Antônio Torres, também de Diamantina, é outro verbete. Nascido no Serro, em 1764, e falecido no Rio, em 1851, outro enfocado foi José Elói Otoni. Mais um serrano ilustre: Joaquim Felício dos Santos, autor do clássico Memórias do distrito diamantino.
Se o Serro também foi representado pelo romancista Oswaldo França Júnior, uma “derrapada” foi a não inclusão de outro conterrâneo de peso: Joaquim de Salles, autor do clássico Se não me falha a memória, lançado pelo Instituto Moreira Salles. Também ficaram de fora nomes importantes como Passos Maia, autor de Guapé, livro elogiado pelo professor Antônio Cândido; Jurandir Ferreira, Márcio Borges, Júlio Borges Gomide, Roniwalter Jatobá, João Etienne Filho, Maurício Lara, Maria Clara Arreguy, Antonio Celso, Adolfo Maurício Pereira, Mário Garcia de Paiva, Lázaro Barreto, João Valle Maurício e Wanderlino Arruda, entre outros. Nada que não possa ser reparado na segunda edição, tal a abrangência de um trabalho desse porte.
DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DOS ESCRITORES MINEIROS
Organização de Constância Lima Duarte. Editora Autêntica, 376 páginas, R$ 54. Lançamento hoje, a partir das 19h30, na Livraria Mineiriana, Rua Paraíba, 1.419, Savassi. Informações: (31) 3223-8092.
Programação do Cinema Falado
O “Cinema Falado” é um evento de extensão promovido pelo curso de Bacharelado em Humanidades com apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFVJM, sob coordenação do Prof. Dr. Rodrigo Czajka e da Profa. Dra. Elaine Sodré. As exibições acontecerão no Anfiteatro do Campus I da UFVJM e a entrada é gratuita. Inscrições devem ser feitas no local, para efeito de emissão de certificados pela Proexc.
Confira a programção:
- 23 de maio de 2010: Eles não usam Black-Tie (filme dirigido por Leon Hirzmann) seguido de debate com a Profa. Dra. Miliandre Garcia
- 05 de junho de 2010: Terra em Transe (filme dirigido por Glauber Rocha), seguido de debate com o Prof. Ms. Atanásio Mykonios
- 03 de julho de 2010: Edukators (filme dirigido por Hans Weingartner), seguido de debate com o Prof. Dr. Rodrigo Czajka
Obs.: Todas as exibições ocorrerão no Anfiteatro do Campus I da UFVJM, das 08h00 às 12h00.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Uma voz no Vau
O Jequitinhonha e a Guerra do Paraguai
Um data histórica marcou 2008: os 200 anos da imprensa no Brasil. Além disso, 2008 também registra os 200 anos da chegada de D. João ao Brasil, pois a partir de 1808 o Brasil foi a sede da monarquia portuguesa no Mundo. Portugal fora invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte e a corte deixou Lisboa para instalar-se na cidade do Rio de Janeiro.
Também foi em 1808 que surgiram os primeiros jornais brasileiros. Um dos mais importantes, o Correio Braziliense, editado em Londres, por Hipólito José da Costa e que chegava ao Brasil de seis em seis meses. O outro, a Gazeta do Rio de Janeiro, era editado e publicado no Brasil pelo Frei Tibúrcio por ordem do rei Dom João VI. A imprensa desenvolveu-se no Brasil a partir de 1808. Foram dezenas de jornais que apareceram, mas que tiveram curta duração. Esses jornais nasciam para defender idéias políticas e filosóficas e, muitos, desapareciam em seguida. Mas são eles que formam a trajetória histórica da imprensa brasileira. de 1808 (chegada de D. João) a 1889 (Proclamação da República) os jornais foram os principais protagonistas das transformações políticas e sociais do país: da Independência em 1822 à República e ao fim da escravidão.
O que faltava, até agora, era um estudo e pesquisa científica sobre tais periódicos e o seu volume na construção da História do Brasil. São muitos os períodos e locais que ainda não foram estudados e pesquisados com o devido rigor acadêmico. Mas, aos poucos, jornalistas, professores e pesquisadores se alistam ao ideal de analisar, registrar e documentar o papel da imprensa nas principais etapas da história do Brasil.
Uma pesquisa importante é da jornalista, historiadora e professora Maria de Lourdes Rias Reis, da UNI-BH, em Belo Horizonte (MG), que tem como título a Imprensa em Tempo de Guerra: O Jequitinhonha e a Guerra do Paraguai (Belo Horizonte: Edições Cuatiba, 2008). Ao longo de suas 136 páginas, a obra analisa e documenta o papel de um periódico de oposição ao regime monárquico, o jornal O Jequitinhonha, editado em Diamantina, cidade importante de Minas Gerais do ponto de vista econômico, político, social e cultural. O estudo faz parte da dissertação de Mestrado da autora, defendida na PUC/RS, em dezembro de 2002, sob a orientação do professor Dr. Earle Diniz Macarthy Moreira. O livro, que mostra as histórias, anedotas e causos gerados em torno do confronto Brasil-Paraguai, é um documento para avaliar os aspectos folkcomunicacionais da época, tendo por base o momento da Guerra do Paraguai.
O estudo de Maria de Lourdes, todo baseado nas páginas do jornal, mostra uma outra visão da Guerra do Paraguai. O jornal O Jequitinhonha era, na ocasião, porta-voz do Partido Liberal, de tendência republicana, que faz oposição ao governo do Imperador Dom Pedro II. A partir dos dados empíricos da investigação, o trabalho critica o regime do II Reinado, usando a metodologia da 'História Nova', que ancora a pesquisa nas páginas dos jornais como fonte de documentação fundamental. A cidade de Diamantina, no coração do Vale do Jequitinhonha, comandava a oposição ao projeto do governo imperial de D. Pedro II. Ali floresceram ideais políticos e filosóficos que marcam o pensamento progressista do povo das Minas Gerais em prol da transformação social e econômica do Brasil.
A autora pesquisou durante três anos os arquivos dos jornais em Belo Horizonte, na Hemeroteca Pública de Minas Gerais, também em Diamantina, na Biblioteca Antônio Torres e, finalmente, no Rio de Janeiro, na Biblioteca Nacional. Demorou a reconstruir a visão liberal do jornalista mineiro Joaquim Felício dos Santos, editor de O Jequitinhonha, que usava o jornal para lutar pelos ideais republicanos de desenvolvimento industrial,
justiça social e democratização do país.
Enfim, o livro traz uma versão da Guerra do Paraguai, dá uma nova luz a um conflito entre o exército brasileiro, chefiado pelo Duque de Caxias e o exército paraguaio, do militar Solano Lopez. E, o que é importante, para os estudiosos da mídia, é que as fontes para tais revelações são as páginas de um importante jornal da histórica cidade de Diamantina (MG). Através da análise das notícias, dos artigos, editoriais e charges, surgem resultados surpreendentes para compreensão deste período histórico nacional marcado por lutas, muitas vezes, impulsionadas pelas páginas dos periódicos.
O Canto dos Escravos
Fonte: O Som Negro
O Canto dos Escravos é uma coleção de 14 cantos da série recolhida por Aires da Mata Machado Filho no fim dos anos 20 do século passado, em São João da Chapada, município de Diamantina, Minas Gerais. Interpretando os cantos, Tia Doca, pastora da Velha Guarda da Portela, Geraldo Filme, um dos nomes fundamentais do samba paulistano, e Clementina de Jesus, a rainha negra da voz, como a definiram Moacyr Luz e Aldir Blanc.
O projeto do disco e a coordenação artística são de Aluísio Falcão, colaborador do Caderno 2, e a direção musical e produção ficaram a cargo de Marcus Vinicius de Andrade, hoje diretor artístico da gravadora CPC-Umes.
Marcus Pereira era um publicitário amante da música que criou o selo Ambos trabalharam, antes, no selo Marcus Pereira, que, pioneiramente, levou a cabo um levantamento sonoro da música da cultura popular de diversas regiões do Brasil – trabalho, aliás, que ainda não mereceu relançamento em CD à altura de sua importância. para dar brindes aos seus clientes, nos fins de ano. Aos poucos, abandou a rendosa publicidade, na qual era muito bem-sucedido, e ficou só com a gravadora, que viveu sempre grandes dificuldades financeiras. Problemas de distribuição, comum a todos os selos alternativos, projetos caros, como o citado mapeamento da cultura popular, com deslocamento de equipes e equipamento para praças distantes.
Não tinha preocupação comercial e tinha muita preocupação com a cultura. Os que se juntaram a ele tomaram o exemplo e, posteriormente, em outros selos, deram, de alguma forma, prosseguimento ao seu trabalho, eventualmente, ampliando-lhe o universo. A Eldorado tinha e tem, sim, orientação comercial, mas com extremo cuidado na seleção de seus títulos (Cartola, Nelson Sargento, Geraldo Filme, Adoniran Barbosa fizeram suas estréias em disco por ela), e sua iniciativa mais ousado terá sido esse O Canto dos Escravos, que há muitos anos estava fora de catálogo e era objeto de disputa entre colecionadores, estudiosos e amantes da cultura brasileira.
O filólogo, filósofo, professor de Filologia Românica da Universidade Federal e da Universidade Católica de Minas Gerais, historiador, jornalista, presidente, durante muito tempo, da Comissão Mineira do Folclore, foi um pioneiro em muitas frentes. Escreveu, nos anos 30, já que sofria de deficiência visual, uma Educação de Cegos no Brasil, e publicava, no jornal O Estado de Minas, uma coluna semanal com lições de ortografia e gramática, além de responder às dúvidas dos leitores.
Carlos Drummond de Andrade escreve-lhe uma homenagem em forma de poema, louvando o “mineiro ladino/ Que captou na fala do povo/ No mistério dos ritos/ no arco-íris das serras/ O ar, a alma de Minas”.
Em férias, em 1929, o filólogo viajou para São João da Chapada, onde lhe chamaram a atenção “umas cantigas em língua africana ouvidas outrora nos serviços de mineração”, conforme descreveu no livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais, obra publicada em 1943 pela editora José Olympio.
Vissungos – Tais cantos são chamados vissungos, palavra que vem do umbundo ovisungo (cantiga, cântico), conforme ensina Nei Lopes em seu Dicionário Banto do Brasil. Já era plano de Aires da Mata Machado recolher os vissungos e reunir o vocabulário e a gramática da língua dos negros benguelas. Teve pouco êxito na primeira investida; na segunda, ele e seu colaborador Araújo Sobrinho ouviram de um Seu Tameirão 200 palavras e algumas cantigas; adiante, surgiram outros cantadores que sabiam letra, música e tradução.
Mata Machado sustenta a importância dos vissungos, sua influência nos começos daquelearraial e mais “os vestígios da língua das cantigas na linguagem corrente, na onomástica e na toponímia” – os vestígios de um um dialeto banto num tempo em que se pensava que a língua dos negros trazidos como escravos para o Brasil resumia-se ao nagô.
Ele defendia que os estudos da dialetologia brasileira e questões que dissessem respeito à etnografia seriam sempre provisórios se não fosse considerada a importância de Minas Gerais – e o tempo encarregou-se de mostrar seu acerto. O texto de introdução de O Negro e o Garimpo em Minas Gerais vai reproduzido no CD; o autor autorizou essa reprodução e a gravação de 14 dos 65 cantos que recolheu e partiturou. Autorizou, ainda, a reprodução das notas que, no livro, acompanham as letras dos cantos, traduções do dialeto dos benguelas e observações sobre o sentido dos textos. O dialeto, já modificado, incorporava palavras em português e misturava as duas falas: “São João foi no céu, é dévera/ São João foi no céu, é mentira/ Omenhá, omenhá rossequê”, canta a voz ancestral de Clementina de Jesus, nascida em Valença, no Estado do Rio, mas de família que migrou de Minas, no Canto XII. Os cantos não têm títulos, são numerados.
O disco, de uma beleza crua, não tem instrumentos harmônicos. Acompanham os três cantores a percussão de troncos, xequerês, enxadas, cabaças, atabaques, agogôs, ganzás, caxixis e afoxés tocados por Djalma Corrêa, Papete e Don Bira.
Os intérpretes são figuras de sabida importância na divulgação e sustentação da cultura brasileira de origem africana. Geraldo Filme, grande compositor, cantor de vozeirão profundo, foi, na definição de Osvaldinho da Cuíca, o grande articulador, a “cabeça pensante” do samba paulistano. Tia Doca, nascida Jilçaria Cruz Costa, manteve por décadas um pagode dominical que ajudou a manter vivo o samba de raiz carioca; sua participação no disco foi sugerida por Clementina de Jesus, que foi revelada ao mundo aos 64 anos, depois de ouvida, num botequim da Lapa, centro do Rio, por Hermínio Bello de Carvalho.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Procuram-se visionários
Texto: Fernando Gripp e Wellington Gomes - Foto: Gladistone Gripp
Só não enxerga o óbvio o pior cego, aquele que não quer ver. Basta um olhar mais atento para constatar que o maior tesouro de Diamantina está sofrendo, e muito. O centro histórico da cidade pede socorro. O patrimônio histórico que a diferencia das demais pequenas cidade do interior do Brasil está sendo lentamente destruído. Somos todos culpados, alguns mais, outros menos. Incomoda-nos o imobilismo geral, a falta de planos e iniciativas. Mas ainda é possível pensar em soluções, sonhar com alternativas que vislumbrem uma cidade que valorize e preserve suas riquezas e sua cultura.
Antes que o caro leitor desista do texto, pensando tratar-se das tradicionais lamúrias e críticas aos políticos e governantes, deixemos bem claro que nosso objetivo é de caráter propositivo. Queremos levantar e discutir soluções para a cidade que escolhemos para viver e que nos acolheu tão bem. Não somos nativos. Chegamos aqui há pouco tempo, mas o suficiente para ver as transformações que a cidade vem passando. Basta andar alguns minutos pelo centro da cidade para presenciar uma série de equívocos e descasos com a preservação do reconhecido patrimônio cultural da humanidade.
Mas sonhar não custa nada. Inspirados nas comemorações dos 50 anos de construção de Brasília e na inauguração da cidade administrativa do Governo do Estado de Minas Gerais, ambos os projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, vislumbramos uma possível solução para dar novo fôlego de vida para a cidade. Será que é possível pensar na construção de um centro administrativo fora do centro da cidade? Será viável um espaço de convergência de todo aparato burocrático municipal, estadual e federal? Como seria bom se houvesse um lugar único, centralizado, em que o cidadão tivesse à disposição uma série de serviços públicos de qualidade. Aproveitando a discussão e implantação do novo plano diretor, esse local poderia ser pensado com tranqüilidade, construído fora da cidade, talvez próximo a um novo terminal rodoviário, na região do novo e inacabado campo de futebol ou lá pelas bandas do aeroporto. Certamente, tal medida deslocaria o intenso tráfego de veículos para essa nova região administrativa, incentivaria o surgimento de uma nova área comercial e conseqüentemente, daria um fôlego novo para parte histórica da cidade.
Simbolicamente, o projeto já nasce sob a inspiração de JK. Quando o mais ilustre diamantinense propôs a construção da Pampulha, chegou a ser considerado maluco, pois a região era muito distante da grande círculo da Av. do Contorno. Hoje, o conjunto arquitetônico da Pampulha é cartão postal e uma das áreas mais valorizadas da cidade. Posteriormente, quando presidente da república, JK resolveu cumprir a constituição e decidiu construir Brasília. A oposição deu um sorriso de desconfiança. Uma frase histórica de Carlos Lacerda dava o tom de descrédito: “Brasília será o cemitério do Juscelino politicamente”. Contra tudo e todos, Brasília foi construída e fez o Brasil olhar um pouco mais para o seu interior. Não por acaso, o auditório do centro administrativo recém inaugurado pelo governador Aécio Neves leva o nome de Juscelino Kubitschek. Uma obra que já vem provocando profundas mudanças no espaço urbano de Belo Horizonte. São exemplos claros dessas mudanças a valorização da região norte da cidade e a transformação da Praça da Liberdade em um grande centro de cultura e lazer.
Transportando essa lógica para a pequena e cativante Diamantina, a idéia nos parece totalmente viável e interessante. O cidadão diamantinense certamente teria uma melhora significativa nos serviços prestados pelo setor público. Para os servidores teríamos melhores condições de trabalho. Para o poder público teríamos uma economia considerável. Basta verificar os altos valores de aluguéis que são pagos para locação de repartições públicas atuais no centro da cidade e o exuberante montante de recursos públicos (impostos) envolvidos na aquisição de imóveis. Indiretamente, para o turismo, abriríamos novas e rentáveis possibilidades pela revitalização e revalorização do centro histórico.
Dando mais asas para a imaginação, por que não sonhar com projeto do grande arquiteto. Talvez uma das últimas obras de Niemeyer, um presente para a cidade onde tudo começou. Um presente para Diamantina, para Minas Gerais e para o Brasil.
Voltando a colocar nossos pés no chão, alguém perguntaria sobre os recursos financeiros para tal projeto. Para isso, é preciso registrar que, economicamente, o país vive um momento especial. Vejamos por exemplo o recente lançamento do PAC das cidades históricas e as diversas fontes de financiamento do governo federal. O mesmo cenário e perspectivas se aplicam ao Governo do Estado de Minas Gerais. À Prefeitura de Diamantina caberia, por exemplo, a cessão de algum terreno para tal projeto. Enfim, é preciso de um pouco mais de vontade e competência política para colocar em prática um ideal.
O que não se pode negar é que o centro de Diamantina e seu entorno estão saturados e não comportam a expansão que a cidade apresenta. O tráfego de carros cada vez mais intenso, a poluição visual, as barreiras e armadilhas arquitetônicas que dificultam a circulação dos pedestres e o grande número de vendedores ambulantes são apenas alguns dos mais graves problemas que podemos apontar. Os comerciantes perdem muito com o agravamento dessa situação. Inicialmente, com raras exceções, o comércio terá grande resistência em mudar o foco de suas ações. Sendo assim, o novo centro administrativo poderia, então, contribuir com a descentralização desses serviços e atrair novos investimentos privados para áreas emergentes da cidade.
Enfim, está lançada a proposta para ser debatida, criticada e aprimorada por quem se preocupa com o futuro de Diamantina. O momento político e as condições econômicas parecem favoráveis. Precisamos de visionários, inspirados em JK e Niemeyer, pessoas que desejam construir o novo. Precisamos de políticos, empresários e cidadãos competentes, ousados e corajosos que serão lembrados no futuro como aqueles começaram um projeto que salvou o patrimônio cultural de uma das mais importantes da história de nosso país.
domingo, 18 de abril de 2010
Trechos do discurso da Secretária de Estado de Turismo Érica Drumond na abertura do 3º Salão Mineiro do Turismo
Fonte: Agência Minas - 18/04/2010
"Temos em execução, pela Secretaria de Estado de Obras Públicas, a revitalização de 22 aeroportos públicos, através do Programa Pro-Aero e a revitalização da estrada que liga Camanducaia ao distrito de Monte Verde; o início da pavimentação da estrada turística que liga Diamantina a Milho Verde e Milho Verde ao Serro; a pavimentação da estrada que liga o distrito de Ipoema ao município de Bom Jesus do Amparo, e a instalação de quase mil placas de sinalização turística no Estado.”
Filme gravado em Diamantina vence festival de cinema
O Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade anunciou neste sábado (17) os vencedores de sua 15ª edição. “Foi mais um grande ano para a cultura do documentário no Brasil”, afirmou Amir Labaki, fundador e diretor do festival. “A premiação distingue cineastas renomados e uma nova geração. Melhor impossível”.
O júri internacional foi formado por Bill Nichols, Marek Hovorka e Yoav Shamir. O júri brasileiro foi constituído por Andréa Pasquini, Carlos Eduardo Lourenço Jorge e Mariza Leão.
O É Tudo Verdade 2010 apresentou 72 documentários, dos quais 32 participaram das mostras competitivas, selecionados entre mais de 1000 títulos inscritos.
Na caegoria de melhor filme da competição brasileira de longas e médiasmetragens o vencedor foi “Terra Deu, Terra Come”, de Rodrigo Siqueira, gravado na região de Diamantina.
O documentário, dirigido por Rodrigo Siqueira, mostra os rituais fúnebres de tradição africana em Quartel do Indaiá, distrito de Diamantina, Minas Gerais. Pedro de Alexina, 81 anos, comanda como mestre de cerimonias o funeral de João Batista, morto aos 120 anos. Documentário, memória e ficção se misturam para tecer uma história que retrata um canto metafísico do sertão mineiro.
No Quartel do Indaiá, interior de Minas Gerais, é difícil separar o que é realidade ou ficção, relato verdadeiro ou fabulação. Numa antiga comunidade de garimpeiros de ouro e diamantes, remanescente de um quilombo, longe da vida urbana, das escolas e da medicina convencional, a tradição oral embaralha as referências, que vêm da África, e elabora sua própria sabedoria, não enxergando fronteiras entre a vida e a morte, o vivido e o imaginado. O velho Pedro de Alexina, de 82 anos, invoca essa memória ancestral, à qual pertencem as cantigas fúnebres em dialeto banguela que praticamente só ele ainda conhece, para encomendar a alma do amigo João Batista, que acaba de morrer, aos 120 anos. Todo cuidado é pouco neste território em que Deus e o Diabo convivem à luz do dia.
Pela primeira vez, o filme vencedor da competição brasileira de longas e médias-metragens/Prêmio CPFL Energia - É Tudo Verdade, concedido a “Terra Deu, Terra Come”, de Rodrigo Siqueira, será apresentado simultaneamente na terça (20), em três capitais: Brasília, Porto Alegre e Recife.
Clique aqui para ler mais sobre o filme.
trailer - Terra Deu, Terra Come from rodrigo siqueira on Vimeo.
sábado, 17 de abril de 2010
Estrada Real lança Sistema de Informação Turística Georreferenciada
O Instituto Estrada Real lançou na manhã deste sábado (17/04) durante o Salão Mineiro do Turismo, o Sistema de Informação Turística Georreferenciada da ER (SitGeo), disponível no site www.estradareal.org.br. Com o novo equipamento, a expectativa é que o número de turistas que visita as cidades do roteiro cresça.
"E estamos preparados para isso. Já começamos um projeto da capacitação de pessoal e pretendemos ampliar cada vez mais essa qualificação, até porque temos também uma Copa do Mundo em breve. Sem dúvida, esse evento será um divisor de águas no que tange ao turismo", disse o diretor-geral do Instituto Estrada Real, Baques Sanna. Ainda de acordo com ele, para fortalecer o SitGeo, o Instituto entrou em contato com empresas de telefonia celular com o intuito de garantir a eficácia do sinal nas regiões da Estrada Real.
Pela plataforma do Google Maps e do Google Earth, 109 cidades e 44 distritos terão informações sobre atrativos naturais e culturais abertos para visitação turística. Ao todo, são cerca de nove mil pontos catalogados e colocados na internet gratuitamente. A ferramenta permite também que o internauta trace rotas para viajar pela Estrada Real.
O SITGeo foi construído pelo Instituto Estrada Real em parceria com o Instituto Mineiro de Desenvolvimento (IMDC) e com a TerraVision Geotecnologia e Geoinformação. De Paraty a Diamantina, toda a ER foi percorrida. "O resultado é a união de conhecimentos para a identificação do que interessa ao viajante e aos empresários do setor", lembra o consultor interno do Instituto, Daniel Oliveira.