Mensagem de: Hugo Leonardo Miranda Coelho - Médico, poeta, apresentador do programa de rádio Atitude Cidadã – www.radiocidadedediamantina.com.br – e, antes de qualquer coisa, cidadão diamantinense (com muito orgulho!)
Gente diamantinense
(os que aqui nasceram, os que escolheram esta cidade para viver e todos que têm carinho e paixão por ela)
Nesta segunda-feira (amanhã) será votada, na Câmara Municipal de Diamantina (reunião que se inicia por volta das 17/18 horas), o projeto de lei que autoriza o prefeito Padre Gê (projeto de sua total responsabilidade) a vender o Casarão dos Orlandi, localizado na Praça Dr. Prado, antiga Cavalhada.
O Casarão dos Orlandi, adquirido pelo ex-prefeito Gustavo Botelho na gestão anterior, entendemos, é o lugar ideal para se erguer a “Escola de Artes de Diamantina”, o que, juntamente com o Espaço de Eventos lá já existente e o Teatro Santo Isabel (ambos também da gestão Gustavo Botelho), comporia com perfeição o complexo físico-cultural de Diamantina.
E qual a justificativa do prefeito atual e dos vereadores que lhe apoiam, para colocarem à venda o Casarão dos Orlandi? Respondem eles: com o dinheiro a ser levantado, construir uma escola regular no Bairro Cazuza (o que, em princípio, é uma iniciativa nobre). No entanto, também entendemos, esse dinheiro pode e deve ser buscado em fontes próprias dos governos estadual e federal, e não se justifica a venda de um bem público municipal tão precioso para a área cultural da cidade (e tão bem colocado, estrategicamente), especialmente em último ano de governo – sabendo-se ser esse um ano eleitoral (o que, na melhor das hipóteses, dá margem a uma série de especulações e/ou suspeitas).
Apenas para conhecimento de todos, e para comprovar uma das incoerências do atual mandatário de Diamantina (existem várias outras, de teor idêntico): encontra-se depositada desde 2009, na conta nº 00000040-8 da Caixa Econômica Federal, referente ao convênio federal nº 0.317.597-13/2009 , a quantia de R$ 196.400,00, destinada ao asfaltamento do Bairro Maria Orminda, na Palha. Passados mais de três anos de mandato, quantos centímetros de área pavimentada lá existem? Absolutamente nenhum!
Com o coração aflito (em meu nome e em nome das pessoas sensatas que militam na área cultual de Diamantina), peço a todos que me leem (e a quantos diamantinenses mais tomarem conhecimento deste e-mail – autorizo repassá-lo) que nos façamos presentes nesta segunda-feira, à reunião da Câmara Municipal. É preciso que os vereadores (pelo menos aqueles verdadeiramente comprometidos com seu real papel legislativo) vejam – cara a cara, olhos nos olhos – a nossa indignação, por mais uma atitude no mínimo privada de bom senso do Padre Gê e de sua turma de aliados-dependentes (a propósito, por onde anda neste momento a nossa digníssima secretária de cultura, Márcia Betânia, pessoa que a vida inteira sempre esteve envolvida com os movimentos culturais populares?; por onde anda a outrora aguerrida vereadora Goreti Canuto – hoje chefe de governo –, que em outros tempos sonhava ver uma Diamantina sempre à frente de quaisquer outras cidades deste país?).
Não nos esqueçamos nunca que a duras penas Diamantina conseguiu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, e que a nossa cultura foi peça chave para que chegássemos a esse título de tamanha expressão mundial (o músico Ivo Pereira da Silva, em 1990, foi o primeiro diamantinense a antever essa possibilidade, sabiam?; em breve o GIED, Grupo de Incentivo ao Escritor Diamantinense, comprovará essa afirmativa – Wander Conceição, pesquisador integralmente comprometido com a verdade histórica, está concluindo a redação de tão importante documento, e logo o publicaremos). Não podemos, pois, perder esse título: seria um desastre para nossa cidade, em todos os sentidos (que o digam, por exemplo, os hotéis, as pousadas, os restaurantes, as lojas, os taxistas, as pessoas empregadas ou contratadas para trabalhar nos finais de semana, entre outros). E se tivermos sempre música, teatro, dança, literatura, pintura, fotografia, artesanato etc etc etc fortes e de qualidade, com absoluta certeza a perda dessa honraria jamais acontecerá. É o que queremos, com a “Escola de Artes de Diamantina”.