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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Vissungos: vozes da África


Chico Xavier e Paulo - vissungueiros - Foto de Spirito Santo  (1981).

A Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais lançou em outubro de 2008 uma edicação especial do "Suplemento Literário de Minas Gerais. O tema da publicação são os vissungos: cantos de tradição banto em língua africana ouvidos nos serviços de mineração. Essas cantigas, com "evidente teor religioso", relatam o cotidiano dos negros no garimpo.

Em 1943  o pesquisador Aires da Mata Machado Filho publicou o livro  "O negro e o garimpo em Minas Gerais" e identificou 65 vissungos nos povoados de São João da Chapada e  Quartel do Indaiá, em Diamantina. 

Em 1982, quatorze desses vissungos foram gravados por Clementina de Jesus, Doca e Geraldo Filme no LP "O Canto dos Escravos", hoje disponível em CD. Recentemente a pesquisadora  Lúcia Valéria Nascimento investigou a sobrevivência dos vissungos na região do Serro e Diamantina. 

Infelizmente, o alerta de Aires da Mata Machado está se concretizando: os vissungos estão desaparecendo. Os mais novos não têm interesse em preserva essa importante patrimônio histórico brasileiro.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

São João da Chapada: hospitalidade, beleza e história



O distrito de São João do Chapada, localizado a 27 Km de Diamantina, foi fundado em 1833 após a descoberta de grandes quantidades de diamantes na região. O local está situado no alto divisor das águas das bacias do Rio Pardo, afluente dos Rio das Velhas, e do Ribeirão Caetemirim, tributário do Rio Jequitinhonha.

Logo na entrada, o que nos chama atenção é o cruzeiro da cidade, provavelmente um dos mais altos do país, construído em peça única de madeira e com uma vista muito bonita da toda a região. Além da hospitalidade dos habitantes, São João da Chapada tem uma grande importância cultural pelos registros dos vissungos, cantos de trabalho escravo que eram ouvidos nos serviços de mineração, característicos da região. O tema é alvo de várias pesquisas devido a sua importância como expressão música africana em extinção.

Saindo em direção à localidade de Macacos, uma das entrada do Parque Nacional das Sempre Vivas, podemos apreciar paisagens maravilhosas formadas por imensas formações rochosas, além de belos exemplares da flora, especialmente as sempre-vivas (pepalantus). Estranhamente, no meio daquela bela paisagem, nos deparamos com uma pista asfaltada de aeroporto, aproximadamente 1500 metros, utilizada pelos empresários diamantíferos. Além da pista abandonada, a extração do diamante deixou algumas áreas totalmente degradas que podem ser vistas eventualmente.

Sobre as formações rochosas, de aparência notável, contituem-se de paredões dispostos em cordões mais ou menos paralelos, que se estendem por gande extensão, com aspecto ruiniforme e grande presença de fendilhamentos na rocha. Área de grande interesse para caminhadas em cristas de serras.

Enfim, um lugar muito interessante, com belas paisagem, habitado por um povo mineiramente hospitaleiro, gentil e cheio de histórias.