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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Garimpo explorado por Fernão Dias no Vale do Jequitinhonha é atração turística

Fonte: Estado de MInas (clique aqui)

 

Fernão Dias Pais e dezenas de homens de sua tropa, entre eles o genro, Manuel Borba Gato, desbravaram parte das terras que hoje formam o Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais carentes do país, atrás de uma serra resplandecente de esmeraldas, a Sabarabuçu, e de uma lagoa cheia do mesmo tesouro, a Vupabuçu. Corria os anos de 1680 e 1681. A bandeira se aventurou na área da Serra Fria, hoje cidade do Serro, e garimpou, sem sucesso, outras pedras preciosas em leitos da região. Quase três séculos e meio depois, o garimpo ainda é o ofício principal de muitos cabras daquelas bandas.

Há grupos que procuraram pepitas no fundo de rios, como o Rio Jequitinhonha, sem se preocupar com o meio ambiente. Derramam produtos químicos no leito e tampam a vegetação ciliar com areia retirada. Mas um garimpeiro, o qual acredita ser o único no Brasil, ganha a vida de forma interessante. Belmiro Luiz Nascimento, de 51 anos, transformou o “empreendimento” da família numa atividade turística. Apoiado por entidades como o Sebrae e o Instituto Estrada Real, ele mostra a grupos de visitantes como os garimpeiros retiravam diamantes da terra e do fundo d’água na época dos desbravadores.

O turismo herdado dos bandeirantes é o tema da terceira reportagem da série A origem das Minas Gerais, que o EM começou a publicar na segunda-feira em razão dos 340 anos da coluna liderada por Fernão Dias. A expedição deixou a Vila de Piratininga, em 1674, à procura de esmeraldas. Adentrou no inóspito sertão que hoje forma o estado de Minas Gerais e, durante a jornada de sete anos, fundou povoados e abriu picadas. Sem saber, Dias e seus homens começavam a formar a Capitania de Minas Gerais.

O Vale do Jequitinhonha, embora seja uma área carente, contribuiu para manter a regalia da coroa portuguesa na época do Brasil colônia. De Diamantina e do Serro, saíram muitas pedras de diamantes. O garimpo da família de Belmiro tem cerca de 200 anos. Fica às margens do Ribeirão do Guinda, na área rural de Diamantina. O local é bem preservado e não há agressão ao meio ambiente: tanto o leito do ribeirão quanto a mata no entorno são preservados pelo homem, que cobra R$ 30 de cada visitante.

Clique aqui para ler a reportagem completa

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Bacia do Jequitinhonha é devastada pelo garimpo ilegal em Minas

Fonte: Jornal Estado de Minas (clique aqui)

Garimpeiros revolvem leitos atrás de ouro e diamantes, sem critérios nem fiscalização e fazem as águas se degradarem com mais rapidez em Minas.

Diamantina, Couto de Magalhães de Minas e Serro – A estreita faixa de mata ciliar que protege a nascente do Rio Jequitinhonha é tão densa que as tramas de espinhos e árvores do cerrado impedem até indentificá-la de fora da vegetação. Para ter acesso ao ponto onde a água aflora, é preciso subir pela calha do córrego até a cabeceira. O esforço é recompensado pela paisagem lacrada na vegetação agreste. Nela, pássaros pousam nas margens e bebem da água límpida que desce pelo leito de seixos brancos e redondos. Mas toda essa pureza dura pouco, já que o Jequitinhonha é o rio que mais tem sido degradado nos últimos anos em Minas. O trecho mais preocupante fica a 140 quilômetros da cabeceira, entre os municípios de Diamantina e Couto de Magalhães de Minas, no garimpo ilegal de Areinha. Um lugar tão devastado que as margens são de areia extraída do fundo do manancial, o curso natural foi seguidas vezes desviado e as águas se tornaram tão vermelhas que lembram sangue.

Cliique aqui para ler a reportagem completa

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Jornal Valor Econômico publica extensa reportagem sobre garimpo em Diamantina

Publicado no blog Jogo do Poder (clique aqui)

Garimpo ilegal de diamantes cria conflitos

Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/2891108/garimpo-ilegal-de-diamantes-cria-conflitos

 Diamantina na rota do contrabando internacional de diamantesEnfiados nas margens barrentas do Rio Jequitinhonha, na região de Diamantina, quase 2 mil pessoas extraem diamantes de um grande garimpo ilegal, que desafia há alguns anos autoridades de Minas Gerais, do governo federal e interesses de duas empresas privadas.

Os direitos de exploração da área, apelidada de Areinha, são da Mineração Rio Novo, do grupo da construtora mineira Andrade Gutierrez. A empresa extraiu diamantes num longo trecho do rio por duas décadas e encerrou a produção em 2007 dizendo que o empreendimento não era mais viável do ponto de vista econômico. Desde então, garimpeiros ocupam parte da área e retiram, com equipamentos rudimentares, diamantes que foram deixados para trás.

A Rio Novo continua sendo a dona dos direitos minerários, concedidos pela União. A proprietária da fazenda onde fica o garimpo é de outra companhia, a Ramires Reflorestamento, sediada em Sorocaba (SP).

O que começou com poucos aventureiros, é hoje um negócio fervilhante: a extração ilegal na Areinha elevou a renda das famílias dos garimpeiros de Diamantina e região, ativa comércio e setor de serviços e absorve mão de obra.

A Associação Comercial de Diamantina diz que o garimpo tem um efeito muito visível na cidade, no aumento da venda de carros, de roupas, combustível, peças para máquinas, alimentos, entre outros itens. A prefeitura também reconhece os efeitos da receita gerada pelo garimpo na economia local. Uma estimativa citada pela associação dos garimpeiros dá conta de que nos últimos cinco anos R$ 55 milhões gerados no garimpo entraram no comércio da cidade.

O problema é que a atividade na Areinha trouxe a Diamantina não só uma repentina injeção de dinheiro, mas atraiu uma rede de compradores com vínculos com o contrabando internacional de diamantes. Autoridades locais admitem que todas as pedras que saem da cidade para o exterior vão pela rota ilegal.

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão do Ministério das Minas e Energia disse que “acompanha de perto o desenrolar dos fatos”, juntamente com o governo do Estado de Minas Gerais e que a Polícia Federal está investigando.

Areinha fica a pouco mais de 100 km do centro de Diamantina. Com suas ruas de pedra e casario colonial, a cidade é uma dos mais belos destinos históricos de Minas. No fim dos anos 90, Diamantina ganhou o título de Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco. Sua história está ligada às primeiras notícias de descobertas dediamantes no Brasil, que datam do século 16. Diamantina foi fundada como cidade em 1838, e a extração e venda de diamantes continuou a compor sua história. Nas últimas décadas, no entanto, as restrições legais e o controle exercido por duas grandes empresas que lá produziram diamantes, a belga Tejucana e a Rio Novo, levaram a atividade garimpeira a perder força. Mas isso é passado.

Do centro de Diamantina até a Areinha, a estrada é praticamente toda de terra. A reportagem do Valor esteve no garimpo e constatou bombas de sucção espalhadas pelo rio, uma pá carregadeira e várias bicas canadenses, estruturas que sustentam pranchas metálicas que servem como uma primeira peneira dos diamantes tragados junto com a água e o cascalho do rio. E muitos trabalhadores enfiados na lama das margens e em grandes buracos abertos na área alagada.

Na Areinha, garimpeiros e lideranças repetem que o anseio generalizado é a legalização da extração. A Prefeitura de Diamantina disse que participa das gestões para a regularização. O que os garimpeiros propõem é uma medida aparentemente simples: já que a Andrade encerrou sua produção ali, que transfira para as entidades garimpeiras a permissão para a lavra de diamantes. A lei federal 11.685, o Estatuto do Garimpeiro, diz que as cooperativas de garimpeiros têm prioridade em “herdar” o direito minerário de uma empresa que declara que área onde atuava foi exaurida. Outra proposta é que a Andrade firme parceria prevista em lei com os garimpeiros.

Os dois casos livrariam as famílias que vivem do garimpo do pesadelo diário que é a iminência de uma interdição pela Polícia Federal. Segundo o DNPM, toda atividade de lavra ilegal é tipificada como crime contra o patrimônio, na modalidade de usurpação, de acordo com o artigo 2º da lei 81176, de 08/02/1991.

Os garimpeiros querem que a Andrade transfira a permissão para a lavra de diamantes de Areinha para uma cooperativa

A legalização permitiria que as entidades dos garimpeiros pudessem requerer licenças ambientais, vender as pedras com nota fiscal e solicitar o certificado Kimberley, documento criado em nível internacional com a chancela da ONU para atestar a origem legal de diamantes, que entrou em vigor em 2003. Sem nota, sem documentação que autorize os garimpeiros a fazerem a extração da Areinha, as pedras não têm como serem certificadas e a única forma de entrar no mercado internacional é pela via ilegal.

“Pais de família que já trabalharam em garimpos e que hoje moram em São Paulo, Rio e em Belo Horizonte ficam me ligando perguntando quando Areinha será legalizada porque querem vir para cá”, diz Aélcio Vial, presidente da Associação de Proteção à Família Garimpeira de Diamantina e um dos articuladores dos esforços pela legalização da área, ao lado de Raimundo Luiz Miranda, presidente da Cooperativa Regional Garimpeira de Diamantina e do vereador Marcos Fonseca (PDT). Segundo Vial, o número de garimpeiros na Areinha chega a 1.500 homens e mulheres; levantamento recente citado pelo Ministério Público Estadual apontou 1.800.

A Andrade aceita a proposta de transferir os direitos minerários à cooperativa dos garimpeiros de Areinha. Mas com uma condição. E aqui essa história ganha outro capítulo e outros personagens. A Andrade Gutierrez aceita a proposta dos garimpeiros contanto que o Ministério Público Estadual de Diamantina e o Ministério Público Federal de Sete Lagoas a isentem da responsabilidade por danos ambientais que os promotores dizem que ela, por meio da Rio Novo, cometeu e nunca reparou plenamente no Jequitinhonha.

“Para o MP isso é inviável. Entendemos que a responsabilidade de reparação da área é da empresa”, disse o promotor estadual Daniel Oliveira de Ornelas, da 3ª Promotoria de Justiça de Diamantina.

A briga se arrasta há anos. Enquanto extraiu diamantes com suas gigantescas dragas, a Rio Novo retirou mata ciliar, removeu areia e pedras do leito do rio e deformou as margens. Em 2004, lembra Ornelas, a empresa assinou um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o MP Estadual, que já havia instaurado um inquérito civil público para apurar os danos provocados pela Rio Novo.

No TAC, continua o promotor, a empresa se comprometeu a recuperar a Areinha em termos ambientais – o que significava, entre outros pontos, reflorestar a região. “Mas ela não cumpriu o termo; o que fez foi pouco e em 2010, quando já havia encerrado suas atividades na Areinha, o Ministério Público judicializou o TAC” [ou seja, a Justiça determinou à empresa a obrigação de fazer o que se comprometera], disse o promotor.

A Andrade recorreu dizendo que já não podia recuperar a área por causa dos garimpeiros que tomaram uma parte da área onde ela explorou os diamantes e que eles, sim, é que degradam área. Os garimpeiros, segundo Aélcio Vial, operam 200 bombas de sucção no rio e já se propuseram a assumir a recuperação de 40% dos danos.

Em agosto, um laudo pericial encomendado pela Justiça apontou que a Rio Novo “cumpriu parcialmente” o TAC; que as áreas que em 2007 a empresa discriminou como “em processo de reabilitação” e “a serem reabilitadas” encontram-se abandonadas; e que o garimpo não interveio “substancialmente na área em processo de recuperação”. A empresa fez novas indagações à perita autora do laudo e o caso continua em aberto. Mas o promotor diz que a questão dos danos ambientais não impede de modo nenhum que os garimpeiros continuem tentando regularizar sua situação.

Enquanto isso, a extração ilegal prossegue. “Dois grandes pilares sustentam o crescimento da economia da cidade: as obras no campus da nova universidade federal e o garimpo”, disse Guilherme Coelho Neves, presidente da Associação Comercial de Diamantina. “Se o garimpo parar, o problema não será só para a turma que está lá, mas para o pessoal que vai perder o emprego quando o ritmo das obras da universidade diminuir”.

Pedras saem do Brasil por meios irregulares

Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/2891124/pedras-saem-do-brasil-por-meios-irregulares

Os diamantes extraídos ilegalmente no garimpo da Areinha fazem em geral sua primeira parada nas mãos de compradores baseados ou com negócios em Diamantina. São mais de 15 deles, segundo o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural da cidade, Marcílio Alisson Fonseca de Almeida. “Desses, três ou quatro são grandes compradores”, diz.

O secretário disse não ter informações sobre quem são esses negociantes, mas o Valor apurou que um deles é um estrangeiro que possui residência na cidade e que não apenas negocia diamantes, mas também tem investimentos imobiliários em Diamantina. Se Diamantina exporta diamantes? “Legalmente, não”, diz Almeida. “A gente reconhece e sabe que está tendo a venda ilegal.”

Via de regra, as pedras extraídas em vários cantos do mundo acabam sendo negociadas nos centros de lapidação e comércio: Antuérpia, na Bélgica; Tel-Aviv, em Israel; Nova York, nos EUA e na região de Jaipur, na Índia – esta especializada em diamantes menores. “Hoje de cada onze diamantes lapidados no mundo, oito são na Índia, porque a maioria dos diamantes comercializados é pequeno”, diz Hécliton Santini Henriques, presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM).

Mas para que cheguem até esses centros, os diamantes brutos precisam ter origem legal, o que permite que os comerciantes obtenham o certificado Kimberley, o documento chancelado pela ONU para regulamentar o comércio. Pedras extraídas de áreas onde os vendedores não têm como apresentar a documentação de origem – caso da Areinha – não teriam como sair do país legalmente. “Quem não tem certidão de nascimento não pode tirar passaporte”, compara Hécliton.

No setor de diamantes no Brasil, no entanto, é comum ouvir que há muitas brechas nessas regras e que elas de fato não impedem que pedras de garimpos ilegais sejam exportados com documentação “esquentada” ou levados para o exterior por “courriers” especializados.

Os diamantes que saem da Areinha, segundo Aélcio Vial, da associação dos garimpeiros, são na maioria dos casos pequenos, de dez quilates para baixo e pelos quais os garimpeiros recebem por quilate de US$ 150 a US$ 210. Uma fonte do setor de diamantes em Belo Horizonte disse ao Valor que da Areinha saem com frequência lotes de 1.500 a 2.000 quilates. A regra na Areinha é que os ganhos são divididos sempre por quatro: para quem é dono do maquinário, para quem paga o combustível, para quem providencia alimentação e para quem põe a mão na massa.

“Tem gente que faz R$ 1 milhão, R$ 2 milhões por temporada anual de produção, que se limita a seis ou sete meses do período de seca”, disse o geólogo Pedro Angelo Almeida Abreu, reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Diamantina. Segundo ele, há ainda muito diamante na área onde as dragas da Rio Novo não chegavam no Jequitinhonha por limitação de calado.

O Departamento Nacional de Produção de Mineral (DNPM) informou que sua superintendência em Minas Gerais ”acompanha o desenrolar dos fatos de perto e, no momento oportuno, irá aplicar os ditames do Código de Mineração e suas implicações legais nos casos concretos”.

O DNPM informou também que a “Polícia Federal está fazendo seu trabalho investigativo e, em breve, os culpados sofrerão as sanções da lei”. A PF não respondeu se de fato mantém uma investigação em curso no garimpo de Diamantina. (MMS)

Andrade Gutierrez alega que MP trava transferência de área para garimpeiros

Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/2891132/andrade-gutierrez-alega-que-mp-trava-transferencia-de-area-para-garimpeiros

O diretor da Mineradora Rio Novo, Leonardo Andrade, diz que o Ministério Público cria entraves para o fim do impasse envolvendo os garimpeiros que atuam ilegalmente na área cedida à empresa. E que não é justa a exigência para que a empresa recupere uma área, que segundo ele, foi degradada pelos garimpeiros. A seguir, os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao Valor por email.

Valor: Quando a Rio Novo decidiu que não mais produziria diamantes no Rio Jequitinhonha, na área de Areinha, porque permaneceu com os direitos minerários?
Leonardo Andrade: A Mineração Rio Novo concluiu a lavra e a recuperação ambiental de suas concessões mineiras em junho de 2007, sendo que o término da lavra (operação) se deu por exaustão da jazida. O local denominado hoje Areinha é, na verdade, apenas parte da área concedida. Esta área é uma porção muito profunda do aluvião, onde ainda é viável trabalhar pelo método da garimpagem. A empresa permanece com direitos minerários sobre a área porque, passados cinco anos, ainda não recebeu dos órgãos ambientais o reconhecimento formal de que cumpriu com todas as suas obrigações de recuperação ambiental.

Valor: A empresa aceita transferir os direitos sobre a área para os garimpeiros?
Andrade:
A Mineração Rio Novo concorda com a transferência e vem tentando isso há quase um ano juntamente com a Prefeitura de Diamantina, com a Cooperativa dos Garimpeiros de Diamantina e com a Associação dos Garimpeiros de Diamantina, mas vem esbarrando em entraves com o Ministério Público, que insiste que a empresa recupere novamente a área invadida e degradada pela ação dos garimpeiros há mais de três anos. A empresa não concorda, porque cumpriu rigorosamente todas as suas obrigações ambientais, tendo recuperado toda a área minerada, de acordo com vistorias constantes dos órgãos ambientais, relatórios protocolados, etc.

Valor: A empresa fez ou faz gestões para retirar os garimpeiros?
Andrade:
Após o término da lavra e da recuperação ambiental, a área foi invadida e degradada pelos garimpeiros, o que levou a Mineração Rio Novo a solicitar por dezenas e dezenas de vezes a todos os órgãos oficiais (Polícia Ambiental, Polícia Militar, DNPM, FEAM, etc.) as providências para coibir a ação degradadora, sem sucesso. A invasão perdura há vários anos. A recuperação ambiental daquela área feita pela Mineração Rio Novo foi considerada um marco, um modelo, no tocante a recuperação ambiental e aluvião, ganhando prêmios, considerações e reconhecimentos nacionais e internacionais.

Valor: Quanto rendeu a exploração de diamantes na região?
Andrade: Todas essas informações foram devidamente declaradas ao DNPM e Receita Federal.

Valor: A empresa está discutindo com o governo federal ou com alguma outra empresa a devolução ou transferência dos direitos minerários da “Areinha”?
Andrade: Não, a empresa não tem mais interesse na transferência dos direitos minerários a terceiros, a não ser para a Cooperativa de Garimpeiros de Diamantina, pois sabe que é uma atividade importante para a região, pelo aspecto histórico e no combate ao desemprego e aos problemas sociais dele decorrentes.

domingo, 12 de agosto de 2012

Muito estranha essa reportagem publicada no Jornal O Tempo

Publicado no Jornal O Tempo em 01/08/2012

Diamante ofusca violência

A cidade de Diamantina, no Alto Jequitinhonha, nasceu da extração de pedras preciosas, mas pouco de sua riqueza natural vinha sendo explorada por garimpeiros da região nas últimas três décadas. Com a virada desse cenário em 2007 - quando trabalhadores invadiram uma área conhecida como Areinha, às margens do rio Jequitinhonha, para tirar ouro e diamante -, o município voltou a sentir os reflexos da mineração. Não só a economia se fortaleceu, conforme atestam os comerciantes, como a violência caiu significativamente aos olhos da população.

A sensação de segurança se comprova nas estatísticas da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). De 2007 para 2011, fase em que os garimpeiros tomaram conta da Areinha e alguns passaram a faturar alto, o índice de crimes violentos caiu 68% em Diamantina, passando de 161 casos para 51. A taxa de crimes para cada 100 mil habitantes, que era de 349,7 em 2007 - a maior da década - foi de 109,3 no ano passado.

Já de 2000 a 2007, período em que a Areinha ainda vivia sob o domínio exclusivo da Mineração Rio Novo, o índice de crimes violentos na cidade subiu 437%, passando de 30 casos para 161. Nessa fase, o crescimento da criminalidade foi gradativo, com exceção de 2003 e 2004, que registraram ligeira queda.

Para o presidente da Associação de Proteção à Família do Garimpeiro de Diamantina (Aprogadi), Aélcio Freire Vial, a explicação para o declínio da violência nos últimos quatro anos está na ocupação de centenas de trabalhadores, que reencontraram no garimpo a chance para se livrar do desemprego. "A Areinha está ajudando a reverter a situação de marginalidade que deram ao garimpeiro", disse.

Clique aqui para ler reportagem completa. Vale a pena ler também os comentários.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Crime de lesa-pátria

Fonte:  Jornal O Tempo

Série de reportagens de O TEMPO, na semana passada, exibiu os efeitos de um grande projeto de exploração mineral no Brasil, a partir de um garimpo na localidade de Areinha, situada a 80 quilômetros de Diamantina, na região do Alto Jequitinhonha.

A extração mineral na região remonta ao século XVI, quando nasceu o arraial do Tijuco. No seu apogeu, o diamante inclusive deu nome à cidade. A exploração esteve sob controle da Coroa portuguesa até o Império, quando a lavra foi franqueada a particulares.

Os garimpeiros viveram da atividade até os anos 1960. Com seus recursos rudimentares, devem ter produzido muitos danos ao meio ambiente. Nada que se compare, porém, com o que veio depois, quando o governo deu o direito de lavra a grandes empresas.

Primeiro, chegou uma multinacional, que com dragas do tamanho de um edifício cavucou o leito do rio Jequitinhonha, em toda a sua extensão, durante quatro décadas. Em seguida, outra mineradora, esta nacional, ficou mais 20 anos na região.

As duas empresas só abandonaram a exploração quando ela se tornou antieconômica. Durante todo o tempo, no entanto, os garimpeiros foram impedidos de exercer a atividade em 110 km do rio. Homens rudes, sem instrução, era a única coisa que sabiam fazer.

Com a retirada das empresas, eles voltaram a trabalhar, buscando ouro e diamante no que restou. A economia da cidade sentiu sua presença. A criminalidade decresceu. A esperança voltou a iluminar os rostos de homens que sonham achar a pedra da riqueza.

O episódio condena o modelo de desenvolvimento predatório que prosperou no país sobretudo durante o regime militar. O que o país ganhou? Nada. O prejuízo ambiental, social e humano é irreparável. O Estado brasileiro não foi omisso, foi corresponsável.
Houve, na realidade, um crime. Um crime de lesa-pátria.

Clique aqui para ler  a reportagem completa.

sábado, 4 de agosto de 2012

Jornal da Record mostra garimpo ilegal de diamante e ouro em Diamantina

Os repórteres do Jornal da Record descobriram na região de Diamantina (MG) um garimpo ilegal. Mineradores contratam garimpeiros para explorar diamante e ouro em um trecho de rio que já foi explorado alegando que a área ainda esconde muita riqueza. Confira a reportagem de Luiz Carlos Azenha!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Garimpando em Diamantina: Restaurante da Pousada do Garimpo

Fontes:  Brasil Sabor  e Sabores de Minas

“É com vê e com ka. Van – de – ka”. O cozinheiro responsável pelo restaurante especializado em comida regional faz questão de soletrar seu nome. Nas inúmeras reportagens publicadas sobre Vandeka, seu nome aparece de tudo que é jeito: Wandeca, Vandeca e Wandeka. Por isso, Luiz do Rosário Vieira Lobo, o Vandeka com “vê” e com “ka” prefere ditar seu nome.

Vandeka nasceu no distrito diamantinense de São João da Chapada em meados da década de 50. Filho de garimpeiros, ele seguiu os passos de seus pais somente até os 14 anos de idade, até perceber que “o garimpo era só ilusão”. Depois de cozinhar para os próprios garimpeiros, Vandeka foi procurar trabalho em Diamantina.

Lá, ironicamente, conseguiu emprego de ajudante de cozinha numa pousada de nome Garimpo. Aos 21 anos, no final da década de 70, tornou-se o cozinheiro-chefe. Nos anos 80, Tancredo Neves era seu fã. Nos anos 90, cozinhou para Fernando Henrique Cardoso no Itamaraty. Hoje, o chef do restaurante da Pousada do Garimpo é uma personalidade local em Diamantina. Espalhafatoso por natureza, cabeça levemente inclinada para a direita em sinal de atenção aos clientes que tanto elogiam sua comida, Vandeka está satisfeito por trabalhar com aquilo que ama.

Seus clientes preferem os tradicionais pratos típicos mineiros, sua marca registrada. Pode-se escolher entre bambá (termo usado para expressar confusão) de couve ou broto de samambaia com costelinha de porco, frango ao molho pardo, lombo com tropeiro, filé com ora-pro-nobis, ou o “ximxim da Xica”. Este consiste num tradicional frango com quiabo, invenção que Vandeka garante ser do tempo de Chica da Silva.

No cardápio, há uma nota sobre o prato: “o Ximxim da Xica é a própria caracterização do fato folclórico. Anonimato, tradição, domínio público ou aceitação popular? Quem seria Xica? Seria Xica da Silva? Seria Xica do Sílvio? Seria a cozinheira que este prato nos concedeu? Ou quem sabe Xica seria a própria galinha que morreu? Este prato na região é conhecido também por outros dois nomes: Chico Angu e Xi Angu. Segundo a história, esta iguaria era a preferida do nosso saudoso presidente Juscelino Kubitschek”.

Mas não pense que a refeição terminou após a última garfada do prato principal. O melhor ainda está por vir: os doces em compota de Vandeka preparado na cozinha do restaurante. Têm doce de laranja cravina, meia lua de casca de limão recheado com doce-de-leite, doce de abóbora com rapadura e fatia de queijo.

Um dos garçons explica: “a cravina é uma laranja típica da região, um pouco enrugada e amarguinha, mas uma delícia com queijo. Já o limão fica uns três dias de molho na água para perder o excesso de amargor. O doce de limão é recheado com doce de leite, uma combinação perfeita: o amargo com o doce”. Na saída, pode-se encontrar os doces em conservas expostos para venda. Estampada no rótulo, a figura sorridente de Vandeka

Frango com Quiabo (Ximxim da Chica)

Ingredientes:
• 800g de frango em pedaços
• 300g de quiabo
• 1 cebola roxa
• 1 molho de salsinha
• Cebolinha, alho e sal a gosto
• Colorau

Como fazer:
Refogar o frango com a cebola, a pimenta e o alho até dourar. Acrescentar colorau, 4 xícaras de água, e cozinhar por 20 minutos. Depois, é só adicionar o quiabo picado e cozinhar, com a panela tampada, por três minutos. Mexer com cuidado e deixar mais três minutos no fogo. Servir com angu de fubá. Porção para 4 pessoas.Receita fornecida por Luiz do Rosário Vieira Lobo, o Vandeca, da Pousada do Garimpo, em Diamantina

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O livro da capa verde

Quando em Portugal o rei recebeu notícia do descobrimento de diamantes no Brasil, não coube em si de contente. Logo que a novidade se espalhou por Lisboa, foi tamanha a alegria dos portugueses que mandaram repicar os sinos, organizaram procissões, celebraram Te Deum e renderam graças ao Todo Poderoso.

D. João V mandou de presente algumas amostras de diamantes ao Papa, e recebeu muitas congratulações dos outros monarcas da Europa.

Ora, antes de se descobrirem as minas de diamantes, já Portugal nadava em riqueza por causa do ouro do Brasil. A capital do reino tornara-se uma das mais ricas e mais belas da Europa. O rei mandou edificar o palácio de Mafra e o aqueduto de Lisboa com o ouro que foi de Minas, e fez ainda muitos outros gastos. Imagine-se agora com o descobrimento do diamante, sabendo-se que o diamante valia mais que o ouro!

Doloroso contraste! Enquanto os portugueses deliravam de contentamento, os brasileiros ralavam-se de tristeza, imaginando que, assim como tinham sofrido da Metrópole tantos vexames por causa das minas de ouro, — maiores vexames iriam agora sofrer por causa das minas de diamante. Se assim os brasileiros pensavam, pior veio a acontecer.

A princípio a mineração do diamante era livre: cada um podia minerar, desde que tivesse carta de data. “Carta de data” era um papel que dava direito à pessoa de minerar. Mas durou pouco.

Não levou muito tempo, o rei proibiu que se tirassem diamantes: quem minerasse escondido e fosse descoberto, seria degredado para a África por 10 anos, e perderia todos os seus bens. Essa proibição durou 7 anos.

Depois foi criado o imposto da capitação, isto é, por escravo que trabalhasse na mina o senhor teria de pagar um tanto de imposto.

Depois o rei nomeou um funcionário encarregado de fiscalizar a mineração — chamava-se Intendente dos Diamantes.

Foi criada uma lei ordenando que o diamante de mais de 24 quilates pertenceria ao rei: o escravo que o achasse e o entregasse ficaria forro. Se fosse encontrado por homem livre, este receberia 400$000 de gratificação.

Finalmente, o rei resolveu conceder a mineração dos diamantes só a uma pessoa. Essa pessoa ficaria sendo o único que poderia minerar. Em compensação teria de pagar ao rei, todos os anos, uma grande soma — muitos milhões de cruzados. Durou 32 anos este sistema.

O 1º arrematante foi o sargento-mor João Fernandes de Oliveira. O 2º foi este mesmo, associado a Francisco Ferreira da Silva. O 3º foi Felisberto Caldeira Brant, de quem falaremos na história seguinte. O 4º foi o desembargador João Fernandes de Oliveira, filho do primeiro contratante de igual nome.

Todos os contratadores de diamantes, exceto Felisberto Caldeira Brant, impediam que mais alguém minerasse: de sorte que, enquanto enriqueciam, o resto do povo vivia na miséria. O desembargador João Fernandes de Oliveira enriqueceu tanto que veio a ser o homem mais rico de Portugal e do Brasil!

A pessoa que minerasse escondido chamava-se garimpeiro. O garimpeiro que era pilhado tinha de entregar todos os seus bens. E se não tinha bens? Nesse caso era preso e metido no tronco. Às vezes acontecia o garimpeiro fugir na hora em que era descoberto. Que sucedia então? Os rondantes das minas o perseguiam até prendê-lo. Se o garimpeiro resistia à prisão, ali mesmo o matavam sem mais nem menos, como se mata um animal acuado. Os mais felizes eram enterrados na estrada. Quando não, lançavam seus corpos no ribeirão mais próximo, ou os deixavam insepultos para serem devorados pelos urubus.

Não levou muito tempo e o rei anulou o contrato com João Fernandes, obrigando-o a entrar para os cofres com onze milhões de cruzados. João Fernandes entrou com essa quantia. Seus haveres ficaram um pouco abalados, mas ele não deixou, por isso, de continuar a ser o homem mais rico da Colônia.

Depois desse fato, o rei mandou que a extração de diamantes se fizesse por conta dele. Chamava-se Real Extração. Para isso criou-se um regulamento especial, denominado Regimento Diamantino. Esse regimento continha as proibições mais absurdas, e impunha penas severas aos contrabandistas de diamantes. O povo chamava-lhe Livro da Capa Verde, porque o único exemplar dele que veio ao Tijuco (Diamantina) fora encadernado com capa de marroquim verde. Qualquer pessoa podia ler o Livro da Capa Verde, pedindo licença, mas era proibido tirar uma cópia.

Não obstante, muitas cópias foram tiradas, e algumas ainda existem em Diamantina. Durou 56 anos a Real Extração. Os diamantes extraídos durante esse tempo montaram a 1 milhão e 320 mil quilates.

O povo do Tijuco tinha horror ao Livro da Capa Verde. Eram tais os vexames e violências mandados executar por esse livro que só pronunciar o nome — Livro da Capa Verde — enchia de medo a quem ouvisse.

Cansado de sofrer a opressão do Regimento Diamantino, — um dia o povo do Tijuco revoltou-se. Foi no ano de 1821, um ano antes da Independência do Brasil. Por toda parte, nas ruas, nas sacadas das casas, o povo gritava:

— Fora o Livro da Capa Verde!

— Abaixo o Intendente!

Não levou um ano e proclamou-se a Independência do Brasil. A nossa pátria respirou livre e desafogada. Agora as minas de diamante seriam de seus legítimos donos, e cada um poderia minerar em suas grupiaras.

Quando chegou ao Tijuco a notícia da proclamação da Independência por D. Pedro, quando lá repercutiu o brado do Ipiranga — foi um delírio. O povo celebrou grandes festas. As ruas encheram-se de gente que, acima e abaixo, gritava:

— Viva a Liberdade!

— Viva a Independência!

— Viva o Brasil!

— Viva o Império!

— Viva D. Pedro!

Não tardou muito que um homem do povo fizesse um discurso, lançando a idéia de queimar-se na praça pública o “Livro da Capa Verde”, o livro renegado que durante cinqüenta anos vexara o povo daquela região. Todo o povo apoiou. Dirigiram-se em massa para ir buscar o livro amaldiçoado. Fez-se uma fogueira na praça pública. O livro foi lançado às chamas no meio do regozijo de todos.

Enquanto isso se dava, uns gritavam, outros aplaudiam, outros batiam palmas. Ao mesmo tempo os sinos repicavam, as bandas de música tocavam, os foguetes espoucavam no ar! Foi uma hora de festa!

Em poucos segundos o Livro da Capa Verde ficou reduzido a cinzas.

Só depois que a fogueira acabou de arder é que o povo se dispersou. Mas o entusiasmo não parou.

Os gritos continuaram:

— Viva a Liberdade!

— Viva a Independência!

— Viva o Brasil!

— Viva D. Pedro!

 Fonte: Carlos Góis, Histórias da Terra Mineira

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Vissungos: vozes da África


Chico Xavier e Paulo - vissungueiros - Foto de Spirito Santo  (1981).

A Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais lançou em outubro de 2008 uma edicação especial do "Suplemento Literário de Minas Gerais. O tema da publicação são os vissungos: cantos de tradição banto em língua africana ouvidos nos serviços de mineração. Essas cantigas, com "evidente teor religioso", relatam o cotidiano dos negros no garimpo.

Em 1943  o pesquisador Aires da Mata Machado Filho publicou o livro  "O negro e o garimpo em Minas Gerais" e identificou 65 vissungos nos povoados de São João da Chapada e  Quartel do Indaiá, em Diamantina. 

Em 1982, quatorze desses vissungos foram gravados por Clementina de Jesus, Doca e Geraldo Filme no LP "O Canto dos Escravos", hoje disponível em CD. Recentemente a pesquisadora  Lúcia Valéria Nascimento investigou a sobrevivência dos vissungos na região do Serro e Diamantina. 

Infelizmente, o alerta de Aires da Mata Machado está se concretizando: os vissungos estão desaparecendo. Os mais novos não têm interesse em preserva essa importante patrimônio histórico brasileiro.