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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Local de enforcamento em Diamantina

Fonte: publicado no interessante blog Atenas do Norte. Clique aqui para ler esta e outras histórias.

Quem diria? – O pitoresco Bairro do Rio Grande, onde hoje, se cuida da vida espiritual dos homens e se prodigaliza a caridade aos velhinhos desamparados, justamente ao alto da rua do Areão, era o ponto em que, nos antigos tempos de Diamantina, se executavam os infelizes condenados á morte.

Ainda há poucos anos, encontravam-se, ali, dois tocos dos postes do tringulo da forca.

Contavam os nossos antepassados as cerimônias impressionantes que precediam á cena horrível do enforcamento aterrador.

Precedia-na, pela manhã, na velha Sé, a missa em que o sentenciado recebia a sagrada comunhão.

Após a missa, formava-se o prestito fúnebre de um vivo-morto, composto da Guarda Municipal e do Destacamento Policial, de autoridades judiciais, conduzindo em direção ao local da forca, o condenado, vestido de túnica branca dos sentenciados, já com o laço da corda ao pescoço, e acompanhado pelo caixão mortuária, carregado á cabeça de outro sentenciado.

Seguia-no o Vigário da Paróquia, revestido de sobrepeliz e estola preta; o carrasco, que vinha especialmente, de Ouro Preto; e a banda de música local, que executava, durante o percurso, alguns trechos de uma marcha fúnebre, comovente e impressionante.

No local, a execução do condenado constituía a tragédia mais compungente que se pode imaginar!

É que o desgraçado, já enforcado pelo laço, suportava ainda enganchado no pescoço, o maldito carrasco, agindo com as mãos e fazendo força sobre os ombros do asfixiado, até que este pesasse meio palmo de língua para fora.

Consumada a cena, o carrasco cortava a corda, caindo ao solo o desgraçado, cujo cadáver era conduzido pelos presos da cadeia ao Cemitério do Burgalhau, hoje desaparecido.

Excusado é dizer que a banda de música, ao regressar de nefanda e burlesca tragédia, punha-se a tocar dobrados alegres!...

O último enforcamento que se verificou em Diamantina, foi em 1849, há mais de 90 anos.

Um episódio se deu, por ocasião desse último enforcamento. É que, no ato de ser enforcado o desgraçado, a corda arrebentou, e houve quem se prontificasse a vir buscar, na cidade, nova corda, para o suplício do infeliz.

Reis, Xisto, VD., pág. 3, nº 24, 1947.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Diamantina, a Atenas do Norte.

O apelido de ATHENAS DO NORTE foi um termo arquitetado pelas elites diamantinenses na segunda metade do século XIX em clara referência ao intenso movimento e profusão da escrita e da leitura noticiada pela imprensa local. Já nos primeiros anos de império, as elites da antiga Vila do Príncipe e da recém criada Vila Diamantina ampliaram seu espaço de representação política. Do espaço restrito do “País do Serro” do século XVIII, interessava agora, no século XIX, a avastidão de todo o Norte de Minas. Até 1840, os jornais intitulavam-se refletindo os limites físicos da região: “Tribuna de Serro ou Serrano”; a partir de 1860, refletem a expansão da representação política e espacial para o norte da província como “O Jequitinhonha e o liberal do Norte”. Nessa mesma época foi fundado o Colégio Ateneu de São Vicente em clara referência ao lugar público onde os antigos gregos liam as suas obras.

Em torno da mineração constituiu-se um importante núcleo de abastecimento alimentar local, além de um expressivo setor de produção de artefatos de ferro, mobiliário, algodão e cerâmica, necessários à manutenção e expansão da atividade principal mineradora. Principalmente no Arraial do Tijuco, uma expressiva e dinâmica atividade comercial se estabeleceu. Arreios, selaria, panos finos, tecidos grossos de algodão, agasalhos para o frio, rendas, vinhos, aguardentes de cana e outros, enfim, uma variada lista de produtos podia ser encontrada no comércio do Arraial.

O conjunto formado pelo setor minerador principal, agricultura, manufaturas do ferro, madeira, cerâmica e algodão, somado a um crescente e diversificado mercado consumidor, levou o Arraial um dinamismo em que parte da população desenvolveu gosto pela leitura e o refinamento dos hábitos, semelhantes às elites européias.

Sem conseguir analisar de forma clara as mudanças que já se anunciavam, as elites diamantinenses, atordoadas pelo recente progresso material, envaideciam-se com o seu patrimônio cultural, inteligentemente construído. Afirmava o escritor Júlio Maria que “Além do progresso material, Diamantina foi sempre o berço de muitos literatos, artistas e homens de sciencia-ninho onde se emplumaram muitas águias que devassaram as mais altas regiões do saber. – Cabe-lhe pois, com verdade e justiça o glorioso epitheto de Athenas do Norte.”

Dica do Passadiço Virtual:  Athenas do Norte é também é uma delikatessen de Diamantina que oferece vinhos de ótima qualidade e com preços honestos. Vale a pena dar uma garimpada por lá.