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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Vinícola Estrada Real - Vinho Primeira Estrada

Autor: Leonardo Pinheiro

Vinícola Estrada Real - Primeira Estrada - 1Nesta semana, em visita à seção de vinhos do Supermercado Verde Mar, em Belo Horizonte, me deparei com algo muito interessante, uma garrafa do vinho PRIMEIRA ESTRADA, da Sociedade Vinícola Estrada Real, primeiro lote de 2010.

A primeira impressão foi de espanto, pois a garrafa custa R$ 74,50 (preço de vinho nacional top, com tradição e qualidade já estabelecidos).

Ao examinar a garrafa com mais critério, me deparei com informações bem interessantes, sendo a principal delas, a seguinte: Embora o vinhedo esteja localizado em Três Corações-MG, a produção e envase do vinho ocorre em Espírito Santo do Pinhal – SP (a 230km de distância de Três Corações). Também me chamou atenção a sede da Sociedade Vinícola Estrada Real estar no município de Caldas-MG (a 185km de Três Corações).

Portanto, ao meu entender, é um vinho que não possui uma Denominação de Origem, um "terroir", modelo o qual desejamos implementar em Diamantina, onde todo o processo ocorrerá nas terras altas do Jequitinhonha, gerando tecnologia, emprego, renda e potencial de turismo a nossa cidade.

Há pouco tempo atrás, uma consultora do Sebrae publicou na Voz de Diamantina, um artigo sobre a Sociedade Vinícola Estrada Real - onde fazia diversos elogios ao novo "Vinho Mineiro". Estou certo de que nosso projeto é, sob todos os aspectos, ainda mais inovador e sustentável. Além disso, ao ler a história abaixo descrita, que consta no rótulo do vinho Primeira Estrada, imagino o potencial de marketing que os aspectos históricos, comprovadamente existentes em nossa região, podem denotar diferenciação ao nosso produto.

(Cópia do contra-rótulo da Garrafa do vinho Primeira Estrada)

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Primeira Estrada

SYRAH

Safra 2010

Vinho Tinto de Mesa Seco Fino

Vinícola Estrada Real

750 ml

13,5 % vol

Vinícola Estrada Real

Syrah Primeira Estrada

Em 1819, em sua expedição às nascentes do Rio São Francisco o Botânico Francês Auguste Saint Hilaire percorreu as montanhas do sul de Minas Gerais.

Naquela época ele registrou “... A notável superioridade das uvas colhidas no inverno com relação as do verão...”. Quase dois séculos após, viticultores brasileiros e franceses se uniram para instalar um moderno vinhedo na Fazenda da Fé, em Três Corações, situada na mesma região percorrida por Saint Hilaire, aliando história, paixão pela vitivinicultura e tecnologia para criar um vinho pioneiro: o Syrah Primeira Estrada.

O ciclo de maturação e colheita das uvas ocorre no outono e inverno, e neste período as encostas da Região Cafeeira do Sul de Minas Gerais são banhadas por dias ensolarados e secos, seguidos de noites frias, o que imprime um ciclo longo às videiras, e permite que as uvas alcancem perfeito estado de maturação, exprimindo todo o seu potencial qualitativo.

Os vinhos obtidos nesta condição climática privilegiada possuem aromas finos e elegantes, cor intensa, excelente equilíbrio em boca e potencial de envelhecimento inéditos.

Vinho Tinto de Mesa Seco Fino. Ingredientes: Uvas viníferas Syrah (Vitis Vinifera), conservador INS 220. Evite o consumo excessivo de álcool. Validade: Indeterminada, desde que conservado em local seco e fresco, ao abrigo de luz e preferencialmente na posição horizontal.

Produzido e engarrafado por Agrícola Guaspari Indústria e Comércio de Vinhos Ltda. Rua Pedro Ferrari, 300  Parque dos Lagos – CEP: 13.990-000 – Espírito Santo do Pinhal – SP – CNPJ: 11.005.453/0001-27 IE: 530.100.772.110. Responsável Técnico: Ana Paula Sossai Tessarini , CREA SP: 5062655348. Para Sociedade Vinícola Estrada Real Ltda. Sítio do Jacarandá II, CP. 56. CEP 37780.000 – Caldas MG. CNPJ: 08892794/0001-57 INSC. EST.: 0010493720057. Registro do produto no MAPA sob o nº SP-10864 00001 Lote: 001/2010.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vinho e azeite de Diamantina

Fonte: Viver Brasil

Ainda no século 18, o antigo Arraial do Tijuco, hoje Diamantina, produzia vinho de qualidade. No período colonial, as famílias europeias tinham em sua base alimentar o alto consumo da bebida de Baco. Como a logística para se fazer chegar a bebida à região era complicada, as famílias começaram a plantar as primeiras mudas viníferas, que também abasteciam os membros da corte e da igreja. No início do século 20, a viticultura alcançou expressão econômica e as antigas parreiras resistiram em alguns quintais da cidade histórica e dos distritos de Gouveia e Conselheiro Mata.

“Sabe-se desde a introdução das primeiras mudas de vitis em Diamantina que as características da região (clima, relevo, solo, amplitude térmica, altitude, umidade do ar e regime de chuvas) eram extremamente favoráveis à cultura. Tais condições especiais proporcionaram frutos de qualidade inconfundível e sabores característicos, um verdadeiro terroir do Alto do Jequitinhonha”, explica Leonardo Soeiro Pinheiro, um dos proprietários da fazenda Altitude Máxima, em Diamantina.

Em pleno século 21 o que se vê é o resgaste histórico e da tradição vinícola.  Em 2005, João Francisco Meira, proprietário do sítio Quinta D´Alva, começou o plantio experimental de nove variedades de vitis europeias para selecionar as mais apropriadas para a região (syrah, tempranillo, cabernet sauvignon, merlot, pinot noir, pont meunier e as brancas chardonnay, moscatel peti gran e manzana). Essa iniciativa ousada e pioneira gerou conhecimentos que estão sendo utilizados por um consórcio inovador de empresários, criado em 2009.

Clique aqui para ler a reportagem completa.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Diamantina em busca do vinho perdido

Fonte: Sérgio Inglez de Sousa, no blog Todo Vinho (clique aqui)

A famosa cidade mineira de Diamantina, que na época da colonização no século XVIII chamava-se Arraial do Tijuco, floresceu como maior produtora mundial de diamantes. Isso foi motivo de atração de famílias européias que vindo em busca das pedras preciosas trouxeram consigo o costume de se tomar rotineiramente vinhos.

As dificuldades naturais de sua localização e os abusos cometidos com os vinhos importados de Portugal, incentivaram o plantio de viníferas na cidade, para abastecer às famílias, aos membros da corte e aos rituais da igreja católica.

Ao redor de 200 anos mais tarde, nas primeiras décadas do século XX, as atividades vitivinícolas locais alcançaram alguma expressão comercial através de diversos vinhedos espalhados pelo município.

Numa campanha de apoio à vitivinicultura no estado o governo de Minas Gerais instalou uma Estação Experimental de Enologia no município, que não teve existência longa em função das limitadas atividades que se mantiveram ativas.

Padres católicos e proprietários privados continuaram fabricando vinhos de forma artesanal, muitas vezes lançando mão da açucaragem para chegar ao teor alcoólico mínimo. Comercializavam seus vinhos na região e na porção norte do estado. Que eram abastecidas pelo transporte através de tropas de burros.

A crise de 1929 abateu-se sobre todas as atividades econômicas, inclusive a vinicultura local, mas foram as medidas dos órgãos federais de saúde especificando as bases para a elaboração de vinhos que prejudicaram as atividades artesanais especialmente ao emprego de excesso de adição de açúcar na chaptalização.

A maioria dos produtores não dispunha de capital para implantar melhorias dos vinhedos, aplicação de técnicas modernas para fugir das chuvas na época da vindima e para desenvolver processos de fabricação do vinho fino, e acabou abandonando a atividade. Restaram apenas resquícios em algumas chácaras e quintais que serviam ao consumo familiar e de pessoas mais próximas.

Baseando-se no sucesso histórico dessa atividade está em curso um novo projeto de resgate da vitivinicultura de Diamantina, agora sob bases de reais qualidades de vinhos finos, visando produzir vinhos boutique ou de produção limitada. Um dos primeiros passos é estabelecer a produção com enologia de mínima intervenção.

Nesta primeira fase do projeto estão sendo implantados vinte módulos, utilizand-se as variedades Malbec, Merlot, Pinot Noir e Syrah, com mudas de procedência certificada e direcionadas para plena adaptação ao clima da região de Diamantina.

O Polo de Inovação Tecnológica de Diamantina está à frente do projeto, a partir de um contato com o proprietário do sítio Quinta D´Alva, Sr. João Francisco Meira, que havia realizado em 2005 um plantio experimental com 9 variedades videiras viníferas, objetivando selecionar aquelas mais apropriadas para a região. O potencial percebido fez com que se desse início a montagem de um projeto inovador junto à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior SECTES.

A proposta foi criar um consórcio com 20 empreendedores que receberiam subsídios do Governo de MG para estabelecer 1000m2 de videiras em cada propriedade, nos quais seriam treinadas as técnicas de manejo e constatar a viabilidade das variedades.

Por contrato, cada um dos empreendedores assumiu o compromisso de expandir o vinhedo para 10.000m2 (1 hectare) em dois anos, sempre dentro dos padrões estipulados pelo Grupo Viticultor do Polo. Isso vai dar em 2013 uma área plantada de 20 hectares, e em 2016, capacidade de produzir mais de 100.000 garrafas de vinho/ano, o que viabilizará a construção de uma unidade vinificadora do Grupo.

Dessa forma, na altura de 2016 a vitivinicultura de Diamantina estará totalmente resgatada, não só na sua existência, mas principalmente na novidade de uma nova roupagem de qualidade mundial dos vinhos.

Clique aqui para ler mais.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Diamantina, a Atenas do Norte.

O apelido de ATHENAS DO NORTE foi um termo arquitetado pelas elites diamantinenses na segunda metade do século XIX em clara referência ao intenso movimento e profusão da escrita e da leitura noticiada pela imprensa local. Já nos primeiros anos de império, as elites da antiga Vila do Príncipe e da recém criada Vila Diamantina ampliaram seu espaço de representação política. Do espaço restrito do “País do Serro” do século XVIII, interessava agora, no século XIX, a avastidão de todo o Norte de Minas. Até 1840, os jornais intitulavam-se refletindo os limites físicos da região: “Tribuna de Serro ou Serrano”; a partir de 1860, refletem a expansão da representação política e espacial para o norte da província como “O Jequitinhonha e o liberal do Norte”. Nessa mesma época foi fundado o Colégio Ateneu de São Vicente em clara referência ao lugar público onde os antigos gregos liam as suas obras.

Em torno da mineração constituiu-se um importante núcleo de abastecimento alimentar local, além de um expressivo setor de produção de artefatos de ferro, mobiliário, algodão e cerâmica, necessários à manutenção e expansão da atividade principal mineradora. Principalmente no Arraial do Tijuco, uma expressiva e dinâmica atividade comercial se estabeleceu. Arreios, selaria, panos finos, tecidos grossos de algodão, agasalhos para o frio, rendas, vinhos, aguardentes de cana e outros, enfim, uma variada lista de produtos podia ser encontrada no comércio do Arraial.

O conjunto formado pelo setor minerador principal, agricultura, manufaturas do ferro, madeira, cerâmica e algodão, somado a um crescente e diversificado mercado consumidor, levou o Arraial um dinamismo em que parte da população desenvolveu gosto pela leitura e o refinamento dos hábitos, semelhantes às elites européias.

Sem conseguir analisar de forma clara as mudanças que já se anunciavam, as elites diamantinenses, atordoadas pelo recente progresso material, envaideciam-se com o seu patrimônio cultural, inteligentemente construído. Afirmava o escritor Júlio Maria que “Além do progresso material, Diamantina foi sempre o berço de muitos literatos, artistas e homens de sciencia-ninho onde se emplumaram muitas águias que devassaram as mais altas regiões do saber. – Cabe-lhe pois, com verdade e justiça o glorioso epitheto de Athenas do Norte.”

Dica do Passadiço Virtual:  Athenas do Norte é também é uma delikatessen de Diamantina que oferece vinhos de ótima qualidade e com preços honestos. Vale a pena dar uma garimpada por lá.