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domingo, 6 de abril de 2014

O sorriso do Cerrado

 

Este vídeo foi produzido pela equipe do Monumento Natural Estadual Várzea do Lajeado e Serra do Raio, veja os crédito no final desta descrição.

O Monumento Natural Estadual Várzea do Lajeado e Serra do Raio, possui uma área de 2.199 ha, criado pelo Decreto Estadual 45614 de 6 de junho de 2011, atendendo grande reivindicação das comunidades de Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras.

Sua criação está baseada numa concepção de proteção da flora, fauna, recursos hídricos, manejo de recursos naturais, desenvolvimento de pesquisas científicas.

A categoria de Monumento Natural (proteção integral) foi escolhida devido à relevância biológica da região, ao potencial turístico e científico, ao grande acervo histórico e cultural, à fragilidade dos sistemas naturais, à necessidade de assegurar a proteção e à fragilidade dos ambientes ali presentes, como por exemplo, os campos rupestres.

A Várzea do Lajeado e Serra do Raio representam uma área de grande importância paisagística e ambiental para os habitantes da região do Alto Vale do Jequitinhonha. Possui beleza cênica abundante e abriga uma grande diversidade de hábitats e espécies.

O local possui rara beleza, considerado um dos principais atrativos turísticos naturais da região e que vem sendo utilizados de formas inadequadas por moradores mal-intencionados e visitantes, com freqüentes desmatamentos, extração de rochas na serra da Bocaína, loteamentos e ocupações irregulares.

Estes usos associados à criação de gado e queimadas no local nos chamam a atenção para que nesse processo de Criação da tão sonhada Área de Proteção Ambiental: Monumento Natural Várzea do Lajeado e Serra do Raio nós estamos engatinhando e só conseguiremos caminhar se nos unirmos (comunidade, IEF, parceiros, prefeitura) na busca da proteção e equilíbrio ecológico.

Créditos:
Direção fotografia e edição:
Ruda K. Andrade
Trilha sonora:
"Noite", "Cerrado" -- Gustavo Melo
www.myspace.com/gustavomelooficial
"Arrebol" -- compositor Leandro César/Diapasão
"Reflexões noturna", "Lunar" -- comp. Rodrigo Lana/Diapasão
diapasao.tumblr.com
Produção:
Bruno Emiliano
Equipe de apoio
Aristônio Correia, Felipy Cardoso, Geraldo Neves, Marcelo Ribeiro e Vítor Kawakami
Diagramação e montagem do encarte
Bruno Emiliano e Vítor Kawakami
Fotos:
Rudá K. Andrade, Alex Amaral, Edelweiss Barroso,
Vania Rodrigues, Equipe Monumento
Mapa:
Jorge Arndt
Textos:
Introdução - Vítor Kawakami
Características: Cecília Vilhena, Janaína Fragoso, Mariana Gontijo
Informativos: Alex Amaral
Equipe do Monumento Natural:
Aristônio Correia, Alexandre Souza, Felipy Cardoso, Geraldo Neves, Marcelo Ribeiro
Gerente do Monumento Natural:
Alex Amaral Oliveira
Diretor Presidente do Instituto Milho Verde:
Luiz Fernando Ferreira Leite

domingo, 8 de setembro de 2013

Chuva de saúde no Cerrado

Fonte: Carta Capital (clique aqui)

As frutas do bioma brasileiro, como a cagaita, o cajuzinho e o ticum, têm bem mais antioxidantes que a maçã. E podem originar novos remédios, até mesmo contra o câncer

Ao analisar o conteúdo de agentes antioxidantes em frutas do Cerrado, pesquisadores brasileiros fizeram uma descoberta interessante: comparadas à fruta mais consumida para fins terapêuticos no Hemisfério Norte, a maçã, as nossas são bem mais saudáveis. Aquela história de que uma maçã ao dia deixa a pessoa sadia vai mudar, pelo menos por aqui. Em termos de terapia antiestresse e antirradicais livres, as frutas do Cerrado deixam a maçã para trás. É o que mostra um estudo da doutora Sandra Arruda e colaboradores da Universidade de Brasília, publicado na Revista PLOS One.

O Cerrado é um bioma de pouca umidade e solo ácido e pobre, parecido com a Savana africana. Mas apresenta uma diversidade de flora impressionante: são mais de 1,1 mil espécies, 40% delas nativas. Esse ambiente hostil à vegetação funcionaria como um filtro, de forma a selecionar as espécies mais resistentes ao estresse oxidativo que causa o envelhecimento e a morte celular em plantas e animais. Esses mecanismos de defesa desenvolvidos pelas plantas podem ser usados em humanos como anti-inflamatórios, anti-hipertensivos e até como drogas anticâncer. A busca de novas moléculas terapêuticas na nossa natureza é um desafio enfrentado pelos cientistas brasileiros, já que recursos da indústria e do governo começaram a brotar nos últimos anos. E a riqueza de nossa flora atrai interesses de toda a comunidade científica mundial.

O estudo comparou 12 espécies nativas de frutas do Cerrado com a maçã: foram o araticum, o baru, a cagaita, o cajuzinho, a guabiroba, o ingá, o jatobá, o jenipapo, a jurubeba, a lobeira, a mangaba e o tucum. Os cientistas colheram 1 quilo desses frutos e extraíram os princípios ativos antioxidantes conhecidos: flavonóis, flavonoides amarelos, antocianinas, vitamina C e carotenos e mediram sua concentração nos extratos dessas frutas. E avaliaram sua capacidade de neutralizar radicais livres em várias reações químicas, comparando cada uma das frutas com a maçã. E concluíram: nove das 12 frutas (araticum, cagaita, cajuzinho, ingá, jenipapo, jurubeba, lobeira, mangaba e tucum) tinham altas concentrações de fenóis, e mais capacidade antioxidante do que a maçã.

Desses, o araticum e o tucum são os mais ricos em flavonoides. Cajuzinho, jatobá, jurubeba e tucum mostraram altos índices de vitamina C. As frutas que contêm mais componentes bioativos (portanto, as mais antioxidantes) são o araticum, a cagaita, o cajuzinho, a jurubeba, a lobeira, a mangaba e o tucum. Segundo os autores, se forem ingeridas porções diárias dessas sete frutas típicas do Cerrado, especialmente o araticum, a cagaita, a lobeira e o tucum, uma ação protetora antioxidante, antienvelhecimento e preventiva contra doenças crônicas poderá ocorrer.

O estudo também fez dois tipos de extrações das substâncias bioativas nas frutas, um com água e outro com álcool. Nas extrações alcoólicas, a quantidade de muitos antioxidantes obtida foi bem maior. Ou seja, uma caipirinha com frutas do Cerrado, pelo menos se ingerida com moderação, pode ser tão saudável quanto e bem melhor que suco de maçã.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Livro de professor da UFMG sobre flora do Cerrado é escolhido para bienal de design gráfico

Fonte: UFMG

GUIA%20ILUSTRADO%20DO%20ARBORETO%20DO%20CERRADO_350pix.jpgO Guia ilustrado do Arboreto do Cerrado da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração/CBMM, escrito pelo professor da UFMG João Renato Stehmann, foi selecionado para a 10ª Bienal Brasileira de Design Gráfico. O evento será realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, de 14 a 30 de junho

O livro apresenta descrições e ilustrações de espécies presentes no acervo do Arboreto da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), localizado em Araxá, Minas Gerais. Ali encontram-se numerosas espécies típicas do Cerrado, muitas delas já escassas na região.

No total, foram selecionadas 108 espécies oriundas de diferentes regiões do Triângulo Mineiro. A maioria das espécies é característica do Cerrado, mas várias não são de ocorrência exclusiva e podem também ser encontradas em outras formações, especialmente na Mata Atlântica.

Coordenador do Programa de Pós-graduaçao em Biologia Vegetal na UFMG, o professor João Renato tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Taxonomia de Fanerógamos. Atua principalmente nos seguintes temas: taxonomia de angiospermas, sistemática em solanaceae e estudos florísticos. É curador da coleção de Dicotiledôneas e do banco de dados do herbário BHCB, integra o comitê gestor do INCT Herbário Virtual da Flora e Fungos do Brasil e atua na coordenação da Lista de Espécies da Flora do Brasil.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Organização preserva medicina tradicional do Cerrado

Fonte: Revista Galileu – clique aqui

Editora GloboFolha de pacari para gastrite, pé de perdiz contra inflamações e batata de purga para gripe. Preservar a medicina popular do Cerrado e fazer seus habitantes tirarem renda dessa tradição é o que move a Articulação Pacari, rede que reúne cerca de 50 grupos comunitários que fabricam remédios usando ervas típicas da região. “São receitas passadas de geração em geração entre pequenos agricultores, quilombolas e indígenas.

Há comunidades com 300 anos de ofício”, diz a engenheira agrônoma Jaqueline Evangelista, coordenadora técnica da Articulação, que, em abril, ganhou o Prêmio Equatorial da ONU por estimular o desenvolvimento social e sustentável na região. A rede trabalha em 3 principais frentes: as farmacinhas populares, onde são preparados remédios em forma de xaropes, comprimidos e tinturas, vendidos por até um quarto do preço de um medicamento de farmácia com efeito similar; uma marca de cosméticos, que gera renda para mulheres locais; e a documentação do saber tradicional.

Em 2010, foi lançada a Farmacopeia Popular do Cerrado, com mais de 50 fórmulas de remédios naturais. A publicação, reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente como uma ação pioneira a ser multiplicada, é de autoria de 262 raizeiros e raizeiras — pessoas que não só conhecem as plantas medicinais locais, mas sabem o momento certo de colhê-las e como prepará-las.

Enquanto ações assim contribuem para valorizar a sabedoria popular, a Pacari Cerrado Eco-produtivo, marca de cosméticos criada pelo projeto, gera renda. Os produtos são feitos com plantas colhidas em propriedades agrícolas sustentáveis. Entre os ingredientes, estão os óleos pequi, macaúba e gueroba. Somente no beneficiamento desse último, estão envolvidas 93 mulheres. “É uma maneira não só de possibilitar um ganho financeiro, como de empoderar essas mulheres na sociedade local”, diz Jaqueline. Assim, elas podem articular a preservação do Cerrado e de sua atividade para que, daqui a 300 anos, o ofício ainda seja tradição por ali.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Rio+20 ignora Minas, maior desmatador da Mata Atlântica

Fonte: Brasil 247, publicado no Porto Gente

Estado brasileiro com a maior extensão de Mata Atlântica perdida entre 2010 e 2011, Minas Gerais foi ignorada na Rio+20, durante o debate sobre o uso sustentável do bioma, realizado neste sábado (16) governamentais, órgãos do governo federal e programas preservacionistas debateram as ações necessárias para evitar o desmatamento e gerar renda para a população a partir da floresta de pé. Porém, nenhuma proposta concreta de iniciativas voltadas para municípios mineiros foi apresentada ou discutida.

Segundo levantamento divulgado no fim de maio pela Fundação SOS Mata Atlântica, no período de um ano o Brasil perdeu 13,3 mil hectares do bioma e Minas foi responsável por 6,3 mil hectares. Cinco municípios mineiros estão entre os 11 no país que mais tiveram perdas, todos nas regiões Norte e Vale do Jequitinhonha e Mucuri. O principal motivo seria o corte de floresta nativa para a fabricação de carvão vegetal e a agropecuária.

Clique aqui para ler a reportagem completa.

Clique aqui para ver um vídeo sobre o assunto.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ministério do Meio Ambiente publica Guia de Campo: Vegetação do Cerrado - 500 espécies

A publicação traz informações básicas sobre 500 espécies do Cerrado, acompanhadas de fotografias obtidas de exemplares crescendo em condições naturais, a maioria delas em unidades de conservação. Com ela os visitantes dessas áreas terão condições e um estímulo adicional para observar e admirar a bela e diversificada flora do Cerrado.

Clique aqui para consultar a publicação.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Carta dos Povos do Cerrado

Fonte: Blog Combate ao Racismo Ambiental

À  Sociedade  Brasileira

Nós, extrativistas, agroextrativistas, agricultores familiares, assentados,  mulheres quebradeiras de coco babaçu, vazanteiros,  ribeirinhos,  geraizeiros,  retireiros  e  pescadores  dos  estados  de  Goiás,  Minas  Gerais,  Bahia,  Mato Grosso,  Tocantins,  Maranhão  e Piauí,  reunidos na  cidade de Goiânia  nos dias 1 e 2 de fevereiro de 2012,  após avaliação e análise criteriosa do que vem ocorrendo nos cerrados brasileiros, vimos a público informar e exigir providências imediatas diante da grave situação que se encontra esse bioma e seus povos. Para isso destacamos:

  • Até hoje, tanto o Executivo como o Legislativo sequer se dignaram a votar o pleito antigo dos Povos dos  Cerrado de considerar nosso bioma como Patrimônio Nacional como são reconhecidos a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica. Por quê? Por quê?
  • Ignora-se que esse bioma detém mais de um terço da diversidade biológica do país?
  • Ignora-se que é no Cerrado que se formam os rios que conformam as grandes bacias hidrográficas brasileiras como a do São Francisco, a do Doce, a do Jequitinhonha, a do Jaguaribe, a do Parnaíba, a do Araguaia/Tocantins, do Xingu, do Tapajós e Madeira (da bacia amazônica), além dos formadores da bacia do Paraguai e do Paraná/bacia do Prata?
  • Ignora-se que estão relacionadas ao Cerrado as duas maiores áreas alagadas continentais do planeta, ou seja, o Pantanal e o Araguaia?
  • Ignora-se, como disse  Guimarães Rosa, que o Cerrado é uma caixa d’água?

O  que mais se precisa para reconhecer esse rico bioma como  patrimônio nacional? Por que não? Por que não?

  • Ignora-se   que  esse   bioma   é  o   único  bioma   que   tem   vizinhança  com   todos  os  outros   biomas   brasileiros  (com  a   Amazônia,  com   a   Caatinga,   com   a   Mata Atlântica,  com  a   Mata  de  Araucária)?
  • Ignora-se   que   somente   essas  áreas  de  contato  correspondem   a   14%   do  território  brasileiro   que   somados   aos  22%   do  bioma   Cerrado  correspondem   a   36%   do nosso território?
  • Ignora-se   que   esses  14%   do  território   de  contato  com   o   bioma   Cerrado  a   outros  biomas  são  áreas de enorme  complexidade  e  ainda  maior diversidade  biológica?
  • Ignora-se   que  nessas   áreas,  particularmente,   o   conhecimento   em  detalhe,  o  conhecimento   local,  é  de  enorme  valia   e  que   o   Brasil  detém   um  acervo   enorme desse  conhecimento   com   suas   populações   camponesas,  indígenas   e  quilombolas  que,   assim,   se   mostram  importantes   para   a  sociedade  brasileira,  para   a  humanidade  e para  o  planeta?

Não   se   pode  ignorar   tudo   isso   que   clama  por  reconhecimento. Exigimos  tanto  do  Executivo   quanto   do  Legislativo  que   reconheçam  o   Cerrado,  enfim  como Patrimônio   Nacional.   Mesmo  assim  cabe   a   sociedade  brasileira   e  a   humanidade  indagar porque  o  Cerrado continua  sendo  esquecido.

De  nossa  parte,  como  populações   extrativistas   e  agroextrativistas   do Cerrado  temos   envidados  nossos   melhores   esforços   para   que   tenhamos  uma   política  socioambiental,  justa, democrática e  responsável.

Aprendemos  com   nossos   irmãos   amazônicos,  sobretudo  com   os  seringueiros   e  seu   líder   Chico  Mendes  que   não   há  defesa   de  nenhum  bioma   sem   seus   povos.  É  de  Chico  Mendes  a   máxima,  “não   há  defesa   da  floresta,   sem   os   povos  da  floresta”.   Daí dizermos  em  alto  e bom tom:  Não   há defesa  do Cerrado sem  os  povos do Cerrado.

O  conhecimento   de  nossos   povos  e  etnias  desenvolvido  com   o   Cerrado é  essencial   para   sua   preservação.  Com   todo   o   respeito   que   nutrimos   pelo   saber  cien tífico sabemos   que   o   conhecimento   e  a   sabedoria  desenvolvidos   há  milênios  e  séculos   pelos camponeses  e  indígenas   é  um  acervo   fundamental  que   colocamos  a   disposição  para   um diálogo  com   qualquer  outro saber.

Daí  a   convicção  que   temos   da  importância   de  nosso  conhecimento, reconhecido  por  vários  cientistas   e  pesquisadores   do  Brasil  e  do  exterior,  surgiu   a   idéia   de lutarmos   por  Reservas   Extrativistas   no  Cerrado.  Desde   o   início  dos anos   1990  que   vimos nessa  luta,   sabemos   que   a   política   socioambiental  não   pode  se   restringir   à   punição  e  à  fiscalização.   Ela  tem   que   ser  propositiva   e  ser  positiva.  Para   isso   propomos  as   Reservas  Extrativistas   onde  nosso  conhecimento  tradicionalmente   desenvolvido  pode contribuir  para  a   preservação   e  conservação  do  Cerrado  garantindo  uma   vida   digna  para   seus   povos.

Todavia como andamos?

No  balanço  que   fizemos  nesses   dois   dias   de  trabalho   intenso constatamos  que   nas  30  Resex’s,  tanto  nas  já   decretadas  como  nas  que   estão  em  processo  de  reconhecimento   e  regularização,   a   situação  das  comunidades   foi  sensivelmente  deteriorada   pelo   completo   descaso  das  autoridades,  sobretudo  em  resolver  o   problema  fundiário,   esse   nó estrutural  que   impede  até  hoje   que   a   sociedade  brasileira   seja   mais   justa   e  feliz.

O  fato   dessas   áreas  terem   sido   decretadas  ou  estarem  em  processo   de decretação   sem   que   o   problema   fundiário   tenha   sido   resolvido,   tem   feito   com   que   os  fazendeiros   que   deveriam   ser  indenizados   pelo   poder  público,  passem  a  impedir  que   a  população  local   tenha  acesso   para   a   coletar   o   baru,  o   pequi,   a   fava   d’anta,   o   babaçu   e   mais  de  uma   centenas   de  outros   produtos   com   que   temos   sobrevivido   e  oferecido   à   sociedade alimentos, remédios  e  bebidas.

Desde  que   o   ICMBIO  foi  criado   em  2007  nenhuma   Resex  foi  criada   no Cerrado.  Olhado   da  perspectiva   dos  Povos  do  Cerrado  o   ICMBIO  não   faz  jus  ao  nome  de  um dos  nossos   companheiros   que   morreu  por  sua   justa   luta,   para   afirmar   um  paradigma,   onde  a  defesa   da  natureza   não   se   faça   contra   os   povos  mas,   ao  contrário,  se   faça   através   deles.  Em função   dessa  omissão  das  autoridades   cuja   responsabilidade   pública   as   obriga   a   zelar   pelo  patrimônio   natural,   uma   das  entidades  de  nossa  articulação   entrou   com   uma   ação   pública  civil   junto  ao  Ministério  Público.  Todavia,  passado  1   ano sequer   nossa  ação   mereceu qualquer   resposta   por  parte  do  Ministério  Público,  apesar de  ser  uma   denúncia   de prevaricação  de  um  órgão  público.  A  julgar   pelos  dados  oficiais   que   nos  informam que no último   ano   foram   desmatados   somente   no  Cerrado  646   mil  hectares,   o   que   perfaz   um  total  de  1.772,33   hectares  por  dia,  podemos   dizer   que   a   cada   dia  que   o   Ministério  Público   deixa de  se   pronunciar  e,   assim,   de  julgar   o crime   de  prevaricação,  deixa  de  evitar  que   mais   de  mil e  setecentos   hectares  sejam   desmatados   diariamente.  A  palavra  está   com o Ministério Público   enquanto   a   nossa  realidade   espera   com   devastação   e  insegurança.  Tudo  isso  alimenta  um lamentável  clima de impunidade.

Ignora-se   que   muitos   remédios   que   curam   o   glaucoma,   a   hipertensão  arterial   dependem de  frutos   colhidos  por  nós,   como  é  o   caso   faveira/fava   d’anta   de  onde  se  extrai  mais   de  90%   da  rutina,   substância  química  para   esses  remédios.  Ignora-se,  e  por ignorância   alimenta se   o   preconceito,  que   essas  populações   podem   viver   dignamente   dessas  atividades,  como  provamos  que   numa  área   com   4   árvores  adultas   de  baru   se   obtém  mais renda  do  que  em um hectare plantado  com  soja.

Enfim,   precisamos   ter  uma   política   que   dialogue  com   nossa  cultura, com   nossos   povos  para   que   se   tenha   um  viver   bem   com   justiça   social  e  responsabilidade  ecológica. Mas  para   isso   é  preciso   que   as   autoridades   viabilizem  as   Resex’s  no  Cerrado.  Toda nossa  mobilização   encontra   a   desculpa   pouco   crível  da  falta   de  recursos.   Bem   sabemos   que  se   há  falta   recurso  é  preciso   estabelecer   prioridades.   Isso   é  fundamental  na  política.  Desse modo,  a   falta   de  recursos   acaba  sendo   a   confissão   pública  de  que   as   Resex’s  no  Cerrado  não  são   prioridade.  Mas  sabemos   que   o   argumento   da  falta   de  recurso  é  um  argumento   em  si  mesmo  falso.  Afinal,   o   governo  tem   anunciado  publicamente   sua   eficiência   no  recolhimento  dos  impostos   que   a   cada   ano   engorda  mais   a   receita   federal.  O  nosso  governo  tem  anunciado  ainda  os   sucessivos  saldos,   nas  contas   externas,   como  prova  de  seu   êxito.  Se  tanto  êxito  há  na  entrada  de  divisas   no  país   e  no  recolhimento   de  impostos   da  receita  federal  como se  sustenta  o  argumento   de que  não   há  recursos?

Mais   grave  ainda,   é  o   fato   de  que   aqueles  que   como  nós,   vimos lutando  por  essas  reservas   extrativistas   estamos  expostos   à   truculência   não   só   dos fazendeiros   que   nos impedem   o   acesso   das  áreas  onde  tradicionalmente   colhemos,  como também   da  expansão   do  latifúndio   da  monocultura  de  exportação   de  soja,   da  monocultura de  algodão, da  monocultura  de  eucalipto,  da  monocultura  de  pinus,  da  monocultura  de girassol,  da  invasão  de  madeireiros,  da  expansão   de  carvoarias  para   fazer carvão   para   ferro gusa   e  exportar   minério  puro   para   mineradoras  que   vem   crescendo  sobre  nossas   áreas  da pressão  para   a   construção   de  barragens  que,   via  de  regra,   servem   de  base   para   a   exploração mineral  para   exportação.   Todos  esses  setores   foram   nominalmente   citados   na  avaliação  criteriosa   das  ameaças   de  cada   uma   das  Resex’s  criadas   e  em  processo   de  criação   nos cerrados.

A  truculência   dos  que   ameaçam   se   concretiza  na  ameaça  de  morte  aos nossos companheiros   e  companheiras   que   se   vêem  obrigados,  tal  e  como  na  época  da ditadura,   a   viverem   escondidos   longe   de  suas   famílias.   Exigimos   das  autoridades   todas  as  providências  para   a   garantia  das  vidas  de  Osmar   Alves  de  Souza  do  município  de  São  Domingos/GO;  de  Francisca   Lustosa  do  município  de  Tanque/PI,  Maria  Lucia  de  Oliveira Agostinho,  município  de  Rio  Pardo  de  Minas/MG;  Neurivan   Pereira   de  Farias,   município   de Formoso/MG,   Wedson  Batista   Campos,  município  de  Aruanã/GO;   Adalberto  Gomes   dos Santos   do  município  de  Lassance/MG;   Welington  Lins   dos  Santos,   município  de Buritizeiro/MG;  Elaine  Santos   Silva,  município  Davinópolis/MA;   José   da  Silva,  município  de Montezuma/MG.

Responsabilizamos   antecipadamente  as  autoridades  pelo  que  vier  acontecer  com   a   vida   desses  companheiros   e  dessas   companheiras,  cujo   único  crime  tem  sido   o   de  lutar   pela   dignidade  de  suas   famílias  através   da  Resex’s.  Não   queremos  que   o  nome  desses   companheiros   e  companheiras   venha   a   se   somar   ao  de  Chico  Mendes,  ao  de Dorothy  Stang  e  aos  quase  2000  assassinados  no  campo   brasileiro  desde  1985,  conforme  vem   acompanhando  a   Comissão   Pastoral  da  Terra.  Temos   todas  as   condições  com   as   Resex’s de  oferecer  condições  de  vida   digna,  com   justiça   e  equidade   social  com   a   defesa   do  Cerrado.

Não   queremos  que   nossas   famílias  venham  engordar   os   dados  estatísticos   dos  que  dependem  da  bolsa  família,  ou  outras   bolsas   para   viver.  Respeitamos  essa   política,  até porque   a   temos   como  uma   conquista   do  povo  brasileiro,  mas  não   vemos   com bons olhos  o  aumento   do  número  dos  que   vivem  dela.   A  Resex  é  uma   maneira  mais   sustentável   de garantir  a   sobrevivência   digna,  como  é   a   reforma  agrária.  Chico  Mendes,  dizia   que   a   “Resex  era  reforma  agrária   dos  seringueiros”.   E  nós  afirmamos  que   a   Resex  é  a   forma   de  ampliar  o  significado  da reforma agrária  ao lhe   dar  sentido ecológico  e  cultural.

Este   ano   o   Brasil  estará   recebendo   não   só   governantes  de  todo   o  mundo   como  diversas  populações   de  todo   o   planeta  na  Rio+20.  Assim  como  nós,   vários grupos   sociais   da  África,   da   Ásia   e  na  América  Latina   que   vem   sofrendo   com   avanço   sobre suas   terras   de  um  agro negócio  devastador   e  uma   mineração  voraz  de  minérios  e  água  estarão também  aqui  presentes.

Esperamos  que   as   autoridades   brasileiras  estejam  a   altura  de  suas  responsabilidades  de  estarem  à   frente   do  maior  país   tropical  do  mundo   e  onde  se  encontram  as   maiores  reservas   de  água   do  planeta.  Que   honre  esse   fato   de  ser  a  tropicalidade   caracterizada  pela   enorme  diversidade   biológica   e  que   ainda  honre  por  zelar  pelo   enorme  acervo   de  conhecimentos  que   está   entre  as   quebradeiras  de  coco   de  babaçu, os   vazanteiros,   os   retireiros,  os   caatingueiros,   os   pescadores,   os   geraizeiros  para   ficarmos  com  alguns  grupos  sociais  dessa enorme sociodiversidade  do Cerrado.

A  diversidade   biológica   e   a   sociodiversidade,  para   nós  indissociáveis,  não   podem   continuar   sendo   retórica  nos  documentos   oficiais,  sem   que   haja   o   rebatimento no  orçamento  para   garantia  de  solução  da  questão  fundiária.   De  nada  adianta  falar   de  rica  biodiversidade  se  não  se  garante no orçamento  dinheiro para  compra de terras.

Sabemos que nossas caras não são as caras que frequentam as páginas nobres das principais revistas e jornais do país. Somos em nossa maior parte mestiços, mulatos, cafuzos, negros, índios, brancos pobres muitas vezes com a cara suja   de carvão.

Sabemos que o Cerrado tem sido oferecido aos grandes latifúndios do agronegócio, que não só produzem muitas  toneladas  de  grãos,   de  pasta  de  celulose,   de  carnes   para   exportação  como  também   produzem  muita  poluição  e  muito  desperdício   das  águas,   produzem  muita erosão,  produzem  monocultura  onde  há  muita  diversidade   de  plantas   e  animais  e  ainda produzem  muito/as  trabalhadore/as   rurais  sem   terras   com   a   concentração   de  terras   e  concentram   poder  econômico  e  político  e,   assim,   contribuem   para por  em  risco   a  democracia.   Basta  ver  o   poder  que   têm   as   empresas   de  mineração  e  dos  agronegociantes  para   fazerem   propaganda,  financiarem   noticiários  nas  rádios,   jornais   e  TV’s   onde,   via  de regra,   somos   criminalizados   e  vistos  como  aqueles  que   querem  impedir  o   progresso,  como se  só  houvesse  uma  maneira de progredir, e como se   fôssemos  o  lado  errado. [grifos do Blog]

No  entanto,  estamos  aqui   cônscios   de  que   temos   muito  a   dar  ao Brasil, à  humanidade e ao  planeta. Nossa luta   não  será  em  vão  e,  por isso,  dizemos  com  o  poeta:

“Nem tudo  que  é  torto é  errado,
veja  as  pernas  do Garrincha
e as  árvores  do Cerrado”.  Nicolas Behr

Viva   o Cerrado!
Viva   os   Povos do Cerrado!
O  Cerrado não  vive   por si   só!
Que   a   Rio+20   seja   a  confluência   dos  diversos  rios   de  resistência pela  cultura   e pela   natureza!

Assinam:
Rede  de Comercialização Solidária  de  Agricultores   Familiares e  Extrativistas  do Cerrado
Resex  Mata  Grande, Davinopólis/MA
Resex Lago   do Cedro,  Aruanã/GO
Resex  Recanto das Araras  de Terra Ronca,  São  Domingos/GO
Resex Chapada  Limpa,  Chapadinha/MA
Resex Chapada  Grande,  Tanque/PI
Resex  Galiota  e Córrego das Pedras, Damianopólis/GO
Resex Contagem  dos Buritis,  São  Domingos/GO
Resex  Rio da Prata, Posse/GO
Resex Tamanduá/Poções,  Riacho  dos  Machados/MG
Resex Sempre Viva,  Lassance/MG
Resex Serra  do Múquem,   Corinto/MG
Resex Barra  do Pacuí, Ibiaí/MG
Resex Três   Riachos, Santa Fé  de  Minas/MG
Resex Brejos  da Barra, Barra/BA
Resex Serra  do Alemão, Buritizeiro/MG
Resex Curumataí, Buenopólis/MG
Resex  Retireiros  do Médio Araguaia,  Luciara/MT
Resex Areião  e Vale   do Guará,  Rio Pardo de  Minas/MG
Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros e Guias Turísticos do Cerrado – COOPCERRADO
Cooperativa  Grande Sertão
Cooperativa  de Agricultores  Familiares  Agroextrativistas  de Água  Boa  II
Associação  dos Moradores agricultores  familiares  de Córrego Verde
Associação  dos Retir eiros  do Médio Araguaia
Associação  dos trabalhadores  da reserva extrativista  Mata  Grande/MA
Movimento  das Quebradeiras de Coco Babaçu
Associação  dos agricultores  familiares  trabalhando   junto
Colônia de Pescadores  de  Aruanã/GO
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Riacho   dos Machados/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Lassance/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Buritizeiro/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais Jequitaí/ MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Santa Fé  de  Minas/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais Ibiaí/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Montezuma/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Davinopólis/MA
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Tanque/PI
Coordenaçã o  do Pólo  Sindical  do Pólo  de Oeiras/PI
Centro de Desenvolvimento Agroecológico  do Cerrado – CEDAC
Centro de Agricultura Alternativa do  Norte de Minas Gerais – CAA
Projeto Chico Fulô
Universidade Federal Fluminense
Federação dos Trabalhadores  Rurais de Minas Gerais –  FETAEMG

Dica do Michel Becheleni