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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Infiltração destrói igreja do século 19 em Diamatina

Fonte: Jornal Estado de MInas (clique aqui)

Biribiri – A comerciante Maria da Conceição Melo Ferreira, de 57 anos, foi batizada, fez a primeira comunhão, foi crismada e assistiu, durante anos, às missas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Biribiri, distrito a 12 quilômetros de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, e a 290 quilômetros de Belo Horizonte. No entanto, há pelo menos dois anos não pode entrar no santuário que frequentou desde a infância. Isso porque a capela, construída no século 19 e que pertence à Fábrica de Tecidos Estamparia S.A., está fechada e deve passar por grande reforma.

Ontem, houve uma reunião entre representantes da empresa, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), e a arquiteta e urbanista responsável pelo projeto de restauro Rafaele Bogatzky, para discutir a situação do templo, que, desde o fim de 2012, tem seu lado direito sustentado por escoras de madeira, tanto na parte externa quanto na interna. Segundo a assessoria do Iepha, esse escoramento foi uma medida preventiva e que o órgão vem acompanhando de perto a situação, não só do santuário como de toda Biribiri, já que o vilarejo é tombado pelo patrimônio histórico.

“Mesmo a igreja sendo de propriedade da estamparia, e é ela a responsável por sua manutenção e conservação, nenhuma ação pode ser feita sem a nossa ciência. Há uns 30 anos foi feita uma reforma, não muito grande, bancada pela própria fábrica, e com o nosso apoio. Estamos de olho no que está acontecendo lá. Não há risco de a igreja cair”, diz assessor de imprensa do Instituto, Leandro Cardoso.

O jornalista acrescenta que após o encontro em Biribiri ficou decidido que o Iepha vai fazer uma nota técnica sobre o estado do santuário, com recomendações para o Ministério Público, que, por sua vez, vai definir e assinar com a estamparia e estabelecer um termo de ajustamento de conduta (TAC). “A partir desse termo, será estabelecido um cronograma, além de prazos para a revisão e execução de escoramento adicional, caso necessário, um diagnóstico estrutural, um desenvolvimento de um projeto executivo, entre outros pontos. A reunião foi ótima em vários aspectos e há todo o interesse de preservar esse importante lugar que é Biribiri e todo o seu conjunto arquitetônico.”

O diretor da Estamparia S.A., Álvaro Luiz Palhares, informa que o maior problema da edificação é o telhado e água da chuva afetou outras estruturas, sobretudo a parede. “Como as telhas e a madeira são muito antigas, houve goteiras e infiltrações. Por isso, a necessidade das escoras. E tudo foi feito com aval do Iepha. Mas não acredito que haja risco de ela desabar.” Ele também avaliou o encontro como positivo.

Tudo que havia dentro da Igreja do Sagrado Coração de Jesus – imagens de santos e outros objetos sacros, como castiçais, velas e bancos – levado para a sede da fábrica de tecidos em Diamantina, por questões de segurança, com exceção do órgão francês, que ainda não foi retirado porque exige mão de obra especializada. No início do ano, a empresa contratou a arquiteta e urbanista Rafaele Bogatzky para que elaborasse o projeto de restauro que seguisse todas as diretrizes do Iepha. “Tenho que seguir várias normas. É algo muito amplo e complexo”, destaca Rafaele, que deve entregar o projeto em breve.

Ela acrescenta que teve que fazer um levantamento completo da igreja e levantar informações que não são tão fáceis de conseguir, como documento de tombamento do imóvel, tombamento de Biribiri, fotos e dados sobre reformas anteriores. Por isso, a demora da conclusão da empreitada. “O principal problema da igreja é a estrutura da cobertura, que precisa ter o madeiramento substituído, assim como a troca de telhas. O precário estado de conservação da cobertura, com o rompimento do encontro de algumas peças de madeira, está sobrecarregando as paredes laterais, que ficam com a amarração comprometida. As rachaduras nas paredes permitem a infiltração de água de chuva, prejudicando o estado de conservação. O que será feito de imediato é um novo escoramento, o descarregamento do telhado e sua proteção com lona. Essa medida evitará sobrecarga na estrutura, até que as obras sejam iniciadas.”

Enquanto isso, moradores de Biribiri, como Conceição, seguem lamentando que o símbolo principal do bucólico lugarejo continue de portas fechadas. “As pessoas, as daqui e os turistas, têm um carinho todo especial com essa igreja. Se ela cair, Biribiri acaba. Ela representa todos aqui”, resume. Já o carpinteiro Nivaldo da Silva, de 46, contratado há dois anos para trabalhar na reforma do templo, mas até hoje só participou da colocação das escoras das paredes, não perde o hábito de fazer o sinal da cruz quando passa diante do santuário e não vê a hora de poder entrar nele novamente. “Teve uma chuva há duas semanas que destelhou várias casas. Um vento muito forte. A gente achou que a capela não resistiria. Mas Deus tem mantido essa igreja de pé. Ela é o cartão-postal desse lugar e temos que lutar por isso.”
Saiba mais

Estilo feito de pedras nobres
A igreja do Sagrado Coração de Jesus é de 1876, mesmo ano da fundação de Biribiri, mas seu sino data de 1888 e o relógio, doado pela família real, é de 1890. Biribiri foi construída para abrigar uma empresa de fiação e tecidos, que hoje é a Fábrica de Tecidos Estamparia S.A. O projeto do santuário é do arquiteto inglês John Rose que introduziu elementos ecléticos e optou pela verticalidade de elementos decorativos neogóticos, como as rosáceas da fachada. Segundo historiadores, a igreja foi construída “com as melhores pedras do solo diamantinense”. Quase em frente à entrada principal, encontra-se o túmulo do senador Joaquim Felício dos Santos (1822-1895), um dos autores do Código Civil que vigorou até 2003.

Clique aqui para ver reportagem completa.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Marco do cinema infantojuvenil, "A dança dos bonecos" completa 30 anos

Fonte: Diário do Pernanbuco (clique aqui)

Diamantina, fevereiro de 1984. O diretor mineiro Helvécio Ratton estava passando o carnaval na terra de Juscelino Kubitschek e Chica da Silva e ficou encantado não só com a folia, mas com a região. E sobretudo com um lugarejo: Biribiri. “Aquela cidadezinha abandonada parecia um cenário. Fiquei com aquilo na cabeça e me veio a ideia de escrever um roteiro para um filme. Imaginava uma trupe chegando e uma coisa foi puxando a outra”, lembra o cineasta.

Nascia ali um dos mais originais e premiados filmes infantis do cinema brasileiro: A dança dos bonecos, que conta a história de três bonecos que ganham vida e começam a dançar depois de banhados com as águas de uma cachoeira encantada por Iara (Divana Brandão), a entidade protetora dos rios e dos lagos. Mas o perverso Mr. Kapa (Wilson Grey) quer roubar os bonecos de sua dona, a menina Ritinha (Cíntia Vieira), para ganhar dinheiro com eles.

Faltando dois anos para A dança dos bonecos completar três décadas de lançamento, Ratton faz uma viagem no tempo e adianta que tem o desejo de lançar o filme em DVD para celebrar a data. “A cópia original está em São Paulo e precisa de restauração. O longa chegou a ser lançado em vídeo pela Globo Filmes, mas esgotou. O produtor está correndo atrás disso, para transformá-lo em DVD. Muita gente me cobra. A dança dos bonecos marcou uma geração que está na faixa dos 30, 35 anos. Fiquei sabendo outro dia que é um dos campeões de pirataria no Rio de Janeiro e é vendido em vários lugares no mercado negro da cidade”, conta o diretor.

Voltando à gênese do filme, assim que Helvécio Ratton deixou o velho Tijuco e retornou a Belo Horizonte, a produção foi tomando corpo. O cineasta queria um carro que se transformasse em palco ambulante. Entrou em contato com o músico e colecionador de veículos antigos Pacífico Mascarenhas e conseguiu um caminhão Ford 1936, que praticamente se tornou um dos personagens. O caminhãozinho, que, inclusive, chegou a participar de outra produção cinematográfica de Ratton – Pequenas histórias –, hoje pertence à Cia. Fiorini, grupo de teatro mambembe que roda Minas Gerais apresentando seus espetáculos.

Quando finalizou o roteiro de 142 páginas, que teve a colaboração de Tairone Feitosa e Ângela Santoro, Ratton procurou Álvaro Apocalypse, fundador do Grupo Giramundo, pessoa que ele sempre admirou. O trabalho foi um desafio em vários sentidos, já que o artista plástico e diretor de teatro de bonecos nunca havia tido uma experiência com o cinema. “Se fosse hoje, a gente teria uma infinidade de recursos à nossa disposição. Naquela época, tivemos que nos virar. No teatro, que era o espaço onde o Giramundo estava acostumado, você poder ver os fios. Mas no cinema não dá. Se isso acontecer, perde muito a graça, a magia. Então, utilizávamos uma série de recursos para a manipulação. O Álvaro ia ensinando e mostrando onde o manipulador poderia estar sem ser visto. Ele fez todo o storyboard (croquis das cenas), e eu segui algumas coisas”, conta.

Um dos atuais diretores do Giramundo, Marcos Malafaia comenta que o processo de criação dos três bonecos – Bubu, Totoca e Tiziu, este inspirado no cantor e compositor Milton Nascimento – foi um dos mais longos e meticulosos da história do grupo e que exigiu muito de seus profissionais. Ele afirma que, para se adequar às exigências da câmera de cinema, novidade para a companhia na época, foram utilizadas técnicas inovadoras na confecção e na manipulação dos bonecos. “Foram criadas várias versões de Bubu, Totoca e Tiziu: com o corpo inteiro, só a cabeça, só o tronco e a cabeça, justamente para que os manipuladores os utilizassem de várias maneiras e para que eles se ajustassem às demandas das câmeras. Foi um trabalho que exigiu muito de toda a equipe do Giramundo. O cinema requer um tipo de dedicação muito grande, intenso e contínuo”, explica Malafaia.
Baú dos ossos

Feitos de madeira e resina e com os mecanismos mais avançados disponíveis, os bonecos podiam virar a cabeça e mexer olhos e pálpebras, por exemplo. Como eles só foram utilizados para o filme, nunca foram restaurados e estão deteriorados pela ação do tempo. Atualmente, encontram-se numa pequena sala do Museu Giramundo, chamada “baú dos ossos”. “Essa intenção do Ratton de querer lançar o filme em DVD nos motiva a restaurar os bonecos, que têm uma história muito importante não só para o Giramundo, mas para a cultura de uma maneira geral. Se tudo correr bem, quando A dança dos bonecos completar 30 anos, em 2016, eles vão estar ‘novos’ e disponíveis para visitação”, garante Marcos Malafaia.

Outra decisão fundamental para o sucesso da produção foi a escolha de Wilson Grey para interpretar Mr. Kapa. Helvécio Ratton o queria muito no seu filme e, naquele período, o ator era considerado um dos profissionais com o maior número de atuações no cinema mundial. “Era uma figura emblemática. Uma das minhas lembranças mais carinhosas foi a solidariedade do Grey. Mesmo com todas as dificuldades, inclusive financeiras, porque foi um filme feito com poucos recursos e muita imaginação, ele nunca reclamou de nada. Era uma pessoa fantástica”, destaca o cineasta.

O convívio com o elenco e toda a equipe de produção, seja em Diamantina e Biribiri – onde passaram três meses –, seja em Sabará e Belo Horizonte, foi inesquecível. O elenco era formado por Kimura Schettino (Geleia, assistente de Mr. Kapa), Cláudia Gimenez (Almerinda), Rogério Falabella (Vitorino) e a menina Cíntia Vieira, de 9 anos (Ritinha), selecionada depois de passar em testes com centenas de crianças. “Foi o primeiro e único papel dela. A Cíntia hoje é professora de literatura e não seguiu a carreira artística. Tivemos outros profissionais muito talentosos participando, como o fotógrafo Fernando Duarte, Walter Carvalho, que fez a câmera, e Nivaldo Ornelas, na trilha sonora”, cita Ratton

sábado, 29 de março de 2014

Possíveis modificações em imóveis na Vila Biribiri preocupam o Ministério Público

Fonte: Jornal Estado de Minas (clique aqui para saber mais)

A venda de imóveis e terrenos na Vila do Biribiri, em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, preocupa o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O órgão constatou que os futuros donos das propriedades estariam dispostos a promover a descaracterizações dos bens tombados. Uma recomendação foi expedida e entregue à empresa proprietária do local.

A Vila do Biribiri é composta de residências, igreja e outras edificações que serviam às pessoas que trabalhavam na antiga fábrica de tecidos, que funcionou no local por quase cem anos, de 1877 a 1973. A Vila, bem como seu entorno, são tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha).

De acordo com a Promotoria de Justiça de Meio Ambiente das Bacias dos Rios Jequitinhonha e Mucuri, algumas irregularidades foram encontradas nas vendas dos imóveis. Conforme o promotor Felipe Faria de Oliveira, “foi possível constatar que a atual proprietária da área está realizando a venda individualizada das edificações e lotes que compõem a vila sem observar qualquer dos dispositivos legais incidentes. Além disso, há documentos demonstrando que os futuros adquirentes pretendem promover descaracterizações dos bens tombados sem a anuência do Iepha, contrariando frontalmente a legislação”.

O promotor explica que os próximos passos serão a verificação de eventuais danos já causados ao patrimônio cultural da vila, bem como a adoção das providências necessárias para a sua recuperação.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Artigo analisa relações de poder, disciplina e trabalho em fábricas da região diamantinense

RELAÇÕES DE GÊNERO, PODER, DISCIPLINA E TRABALHO: UMA ANÁLISE DAS FÁBRICAS DE BIRIBIRY (DIAMANTINA/MG) E SÃO ROBERTO (GOUVEIA/MG) – 1920/1930
 
Autora: Kátia Franciele Correa Borges

Nas décadas de 1920 e 1930 o Brasil viveu a euforia do progresso consequente da Belle Époque (1890-1920). Para Rachel Soihet, a Belle Époque brasileira representou o completo estabelecimento da ordem burguesa, que diante da crescente modernização do país viu no debate sobre a higiene o caminho para introdução de hábitos civilizados semelhantes ao modelo parisiense. As cidades mineiras de Diamantina e Gouveia, localizadas no Vale do Jequitinhonha, buscavam tal modernização pautadas nas ações de duas fábricas de tecidos que agitavam as economias locais – a Fabrica de Biribiri e a Fabrica de São Roberto. Ambas fundadas no século XIX, em meio à crise da mineração, destacavam-se por gerar empregos, sobretudo, para as moças filhas de famílias descendentes de “ex-escravos” e agregados das fazendas locais. Aos poucos Diamantina e Gouveia foram inseridas nas estatísticas econômicas acerca da indústria nacional (MACHADO FILHO, 1909;1960). Assim, as interrogações iniciais que nortearam esse artigo foram: como estavam definidas as relações de gênero naqueles espaços fabris? Como foram construídas? Quais os mecanismos que regularam tais relações?

Clique aqui para continuar lendo o artigo.

sábado, 2 de março de 2013

Conheça um paraíso chamado Biribiri, a Shangri-lá das Minas Gerais

Publicado no Estado de Minas 02/03/2013 (clique aqui)

Hoje, três adultos, uma criança e o vira-lata Mequetrefe moram no  pacato lugarejo, a 300 quilômetros de Belo Horizonte e a 14 do Centro Histórico de Diamantina (Paulo Henrique Lobato/EM/D.A Press)Diamantina – Há quem chegue à bucólica Vila de Biribiri e a compare a Shangri-lá – o idílico lugar criado em algum ponto do Himalaia pelo inglês James Hilton (1900–1954) em sua obra mais famosa, Horizonte perdido. Construído em 1877 para abrigar uma fábrica de fiação e tecidos do Biribiri e, ao mesmo tempo, empregar mulheres pobres do Vale do Jequitinhonha, o povoado chegou a ter 1,2 mil habitantes, na década de 1950. Hoje, três adultos, uma criança e um vira-lata, o Mequetrefe, moram no pacato lugarejo, a 300 quilômetros de Belo Horizonte e a 14 do Centro Histórico de Diamantina.

O nome da vila, em tupi-guarani, significa buraco fundo, numa alusão à sua localização, entre o sopé de uma montanha e o leito de um curso d’água. Biribiri foi idealizada pelo então bispo de Diamantina, João Antônio Felício dos Santos, e seus familiares. O projeto foi viabilizado pelo terreno acidentado, que permitiu aos empreendedores usarem a energia produzida por uma pequena usina cujas turbinas eram acionadas pela força das quedas-d’água da região. Nos bons tempos da produção fabril, Biribiri chegou a ter escola para os filhos dos empregados, pensionatos, armazém e consultório odontológico.

Veja mais imagens de Biribiri

Havia até apresentações de coral e grupo teatral. Aliás, a própria Biribiri foi levada para a tevê e o cinema como cenário dos filmes Dança dos bonecos, de Helvécio Raton; Xica da Silva, de Cacá Diegues; e A hora e a vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra. Na telinha, despertou a atenção dos roteiristas da novela Irmãos coragem e do seriado Rosa dos rumos. A vila chegou a ser colocada à venda na década de 1970. A família Mascarenhas, proprietária do lugarejo, pediu lance mínimo de US$ 2 milhões. A notícia ganhou destaque na imprensa nacional (revista Manchete) e internacional, mas não houve interessados em desembolsar a fortuna. "Não está mais à venda", assegura Kika Mascarenhas, de 45 anos, uma das herdeiras do local.

A literatura também se rendeu aos encantos da vila. Em maio de 1893, a adolescente Alice Caldeira Brant escreveu em seu diário que “não teria pressa de ir para o céu se morasse em Biribiri”. Quase 50 anos depois, as lembranças da jovem foram publicadas no best-seller Minha vida de menina, que Alice publicou sob o pseudônimo de Helena Morley. A importância de Biribiri foi reconhecida pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) ao tombar, em 1998, o conjunto arquitetônico.

A proteção, claro, inclui a única igreja de lá, a do Sagrado Coração de Jesus. O templo, cercado por palmeiras-imperiais, foi erguido na entrada do lugarejo, também em 1876, com recursos conseguidos pelos próprios moradores. Nas horas vagas, eles garimpavam pedras preciosas na região. Desde o fim do ano passado, a Sagrado Coração de Jesus passa por reforma. A igreja, quando restaurada, voltará a ser aberta à visitação. A fama de Biribiri foi tamanha que a família real doou um relógio para ser fixado abaixo da pequena torre da igreja. Quase em frente à entrada principal dela, há o único túmulo do povoado, o do senador Joaquim Felício dos Santos (1822–1895). O político foi um dos autores do Código Civil que vigorou até 2003.

Conservação
Mequetrefe, o cachorro, costuma descansar no gramado em frente à igreja, cujas cores acompanham as das demais edificações – todas com paredes externas brancas e portas e janelas azuis. Ao contrário do templo, os imóveis que serviram como moradias dos funcionários estão em bom estado de conservação. As casas, de diferentes tamanhos, estão à disposição de quem deseja alugá-las para uma temporada. A diária é de R$ 30 por pessoa. Muitos turistas, porém, preferem passar o dia na vila, como fez Ranah Mannezenco, moradora de Viçosa, e seus amigos. “Aqui é mesmo como Shangri-lá. Só descobrimos tudo chegando, como mineiro, de mansinho, observando”, disse ela.

Ranah e seus amigos almoçaram no único restaurante de Biribiri, batizado de Raimundo sem Braço. O proprietário, seu Raimundo, precisou amputar o braço direito, depois de uma infecção causada por um tratamento malfeito. “Trabalhar em Biribiri é um privilégio. Veja a natureza, ouça o canto dos pássaros…”, diz o comerciante enquanto serve a um turista uma dose das cerca de 200 garrafas de aguardente que vende no seu estabelecimento. Raimundo mora em Diamantina. Já Adilson Costa, de 35 anos, é um dos quatro residentes na vila. “Descobri que aqui é o meu lugar”, diz o rapaz, enquanto faz a limpeza de um dos galpões onde funcionou a antiga fábrica. Ele divide uma casa com a mulher, Simone, e a filha, Maria Luiza, de 4. O quarto morador de Biribiri é o também zelador Geraldo da Conceição Reis, de 44: “Sabe o que é morar num lugar pacato? É aqui”.


LINHA DO TEMPO
1870: O bispo dom João Antônio Felício dos Santos resolve fundar fábrica de tecidos para empregar as moças pobres do Vale do Jequitinhonha
1877: A fábrica é concluída, com o maquinário de Massachusetts (EUA). Do Rio de Janeiro até lá, foi transportado no lombo de mulas e carros de bois
1893: A jovem Alice Brant trata de Biribiri em seu diário, futuro best-seller Minha vida de menina
1921: A fábrica e a vila são vendidas a particulares
1950: Cerca de 1,2 mil pessoas trabalham em Biribiri
1973: A fábrica de tecidos é desativada
1998: Conjunto é tombado pelo Instituto Estadual do patrimônio Histórico e Artístico (Iepha)
2012: Começa a reforma da Igreja Sagrado Coração de Jesus

SAIBA MAIS: BELEZA CÊNICA
O Parque Estadual do Biribiri, com área de 16,9 mil hectares, está inserido no complexo da Serra do Espinhaço. A Vila de Biribiri está abrigada na área do parque. Quem a visita se encanta não somente por seu casario, mas principalmente pelas paisagens de beleza cênica, com seus rios de leitos de pedras, formando cachoeiras e atravessando campos. A área abriga várias nascentes e cursos d'água: o Rio Biribiri, que moveu as turbinas da hidrelétrica geradora da força motriz da fábrica de tecidos; o Rio Pinheiros e diversos córregos, sendo os mais famosos o Sentinela e o Cristais. Os descendentes dos proprietários da fábrica contam histórias sobre os suntuosos degraus da Cachoeira dos Cristais, cujas rochas teriam sido cortadas com talhadeiras pelos proprietários da época, à procura de diamantes. A cobertura vegetal nativa é composta por cerrado, campos rupestres e matas de galeria. Podem ser encontrados diversas espécies da fauna, muitas delas ameaçadas de extinção, como o lobo-guará e a onça-parda ou suçuarana.

Como chegar
A vila, embora privada, fica dentro do Parque Estadual do Biribiri. Criado em 1998, no mesmo ano em que o pacato lugarejo foi tombado pelo Iepha, ele conta com cerca de 18 mil hectares. Além da vila, outra atração do parque é o conjunto de cachoeiras, como a Sentinela, com cascatas e praia. A rica flora e a exuberante fauna também encantam turistas. O acesso de Diamantina a Biribiri, passando pelas cachoeiras e áreas para acampamentos, é feito em estrada de terra. O caminho permite fazer um percurso, de carro, em cerca de 30 minutos. Porém, em época de chuva, é melhor o viajante se informar com os seguranças que ficam na guarita do parque, pois dependendo do trecho a lama pode dificultar o passeio.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Instalação criada pelo grupo Cantos do Cerrado apresenta sons dos pássaros de Biribiri

Fonte:  Natália Carvalho, no site da UFMG, com dica do Micuim.

O-CANT~1.JPGCaminhadas matinais pelos campos de Biribiri, distrito de Diamantina, com observação atenta do canto dos pássaros que habitam a região, resultou em vasto material sonoro que será apresentado hoje, às 20h30min, no Teatro Santa Izabel.

A instalação sonora é fruto do projeto realizado pelo grupo de trabalho Cantos do Cerrado, da Casa dos cantos e da escuta, que exibe, editado, o material recolhido nas gravações do som ambiente.

Convidado pela organização do evento, o músico e biólogo Ivan Mortimer, que já havia desenvolvido estudos relacionados à ornitologia (estudo dos pássaros) com foco no canto das aves, assumiu a coordenação do grupo e idealizou o plano de trabalho.

“A intenção é ampliar a percepção que as pessoas têm dos cantos. Nós, que moramos nas cidades, não desenvolvemos a capacidade de perceber os sons dos pássaros, de identificar as espécies pela audição, habilidade que é construída pelos índios e moradores de regiões rurais”, explica. O biólogo pondera que o trabalho é na verdade uma iniciação: “A escuta é um treino para a vida toda”.

Durante o Festival, ele trabalhou com um grupo de quatro participantes, que durante oito dias enfrentou as baixas temperaturas de Diamantina, a partir das 5h da manhã, para se dedicar à prática de percepção sonora.

A descendente indígena Ramone Rodrigues, que cursa Lincenciatura Intercultural para Orientadores Indígenas na UFMG, participou do grupo e da produção das gravações. Ela reconhece que o ritmo de vida das cidades a impede de desenvolver práticas usuais para sua família, como ouvir o canto dos pássaros e diferenciar as espécies. “Participar do grupo de trabalho foi uma oportunidade importante para mi. Ouvi cantos que eu já conhecia, mas aos quais nunca havia dado atenção.”

Gravação e difusão sonora
Além da instalação do Cantos do Cerrado, foram montadas, para apresentação no Teatro Santa Isabel, as instalações do grupo de trabalho Gravação e difusão sonora também veiculado à Casa dos cantos e da escuta, que trabalhou com a gravação das atividades da Casa, confrontando as referências auditivas usuais às indígenas, na tentativa de deslocar os ouvidos do público em busca daquilo que é ouvido pelos índios.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ajude a Casa Lar

No dia 22/04/12 às 11h00 ocorrerá na Vila de Biribiri uma confraternização com o objetivo de arrecadar fundos para reforma da "Casa Lar", uma instituição que acolhe crianças retiradas dos lares pelo Conselho Tutelar.

A situação da "Casa Lar" está crítica, precisando com urgência de uma boa reforma e estruturação.

Os convites para a confraternização estão sendo vendidos pelo Edilberto e Renata (Departamento de Farmácia UFVJM e-mail renata.aline.andrade@gmail.com), que solicitam ampla divulgação.

Algumas pessoas se dispuseram a tocar instrumentos e fazer recreação para as crianças de forma a animar o encontro.

Sendo assim, repasso o convite na expectativa de que vocês possam participar e contribuir com o objetivo.

Caso não estejam em Diamantina no dia do evento e não possam participar, mas queiram ajudar, também é possível.

É difícil começarmos uma ação em prol do outro, ainda mais com tanto trabalho que abraçamos sempre. Mas eles deram o primeiro passo. Vamos ajudá-los a transformar esse evento em uma boa reforma para a "CASA LAR" e assim aumentarmos um pouquinho a qualidade de vida daquelas sofridas crianças.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ajude a Casa Lar

imageNo dia 22/04/12 às 11h00 ocorrerá na Vila de Biribiri uma confraternização com o objetivo de arrecadar fundos para reforma da "Casa Lar", uma instituição que acolhe crianças retiradas dos lares pelo Conselho Tutelar.

A situação da "Casa Lar" está crítica, precisando com urgência de uma boa reforma e estruturação.

Os convites para a confraternização estão sendo vendidos pelo Edilberto e Renata (Departamento de Farmácia UFVJM e-mail renata.aline.andrade@gmail.com), que solicitam ampla divulgação.

Algumas pessoas se dispuseram a tocar instrumentos e fazer recreação para as crianças de forma a animar o encontro.

Sendo assim, repasso o convite na expectativa de que vocês possam participar e contribuir com o objetivo.

Caso não estejam em Diamantina no dia do evento e não possam participar, mas queiram ajudar, também é possível.

É difícil começarmos uma ação em prol do outro, ainda mais com tanto trabalho que abraçamos sempre. Mas eles deram o primeiro passo. Vamos ajudá-los a transformar esse evento em uma boa reforma para a "CASA LAR" e assim aumentarmos um pouquinho a qualidade de vida daquelas sofridas crianças.