segunda-feira, 8 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Poetisa diamantinense lança livro de poesias
Uma mulher forte e sentimental que nasceu no interior deMinas e hoje compartilha seus pensamentos mais íntimos por meio da poesia. Estaé Claudia Ferreira, uma advogada de 40 anos que descobriu na literatura suamaior paixão.
Claudia nasceu em Diamantina, onde,segundo ela, era ambiente no qual a tristeza local absorvia toda poesia. Desde então, desenvolveu em si mesma asensibilidade de perceber o sofrimento e a alegria alheia, aquilo que dava forças ao semelhante ou o enfraquecia.
Começou a arte de escrever com 8 anos, quando mandava longas cartas para as primas. “Ainda pequena, eu falava diferente. Fazia drama, sofria demais, estendia o assunto, envolvia com outrose assim por diante. Sempre ouvi isso”, declara.
Nos primeiros versos de poemas escritos ainda na adolescência, a poetisa inspirava-se nos sentimentos, amores, dores, delas edos outros, pessoas com as quais convivia. “Considero-me uma fotógrafa de retina. Observo tudo o que está ao meuredor. Vejo os sentimentos nos olhos, no semblante, antes mesmo de me seremrevelados pela fala”, explica.
Atualmente, Claudia Ferreira expressa em seus poemas sentimentos intrínsecos aos seres humanos, como amor,paixão, dor, alegria, tristeza, amor pela família, filhos etc. Ela considera que a dor de amor é clínica, só muda a personagem e que há sempre um tempo para reescrever uma história, um novo começo. Com seu estilo livre de escrever, sem regras ou estilos definidos, Claudia fala uma linguagem universal, transmitindo ao leitor seus pensamentos e sentimentos de forma clara e cadenciada.
A autora já tem um livro independente publicado em 2008. Intitulado‘No silêncio dos meus olhos’, nele Claudia dá uma mostra da força feminina,sensualidade e sensibilidade em compreender o mundo e as pessoas que a rodeia.
Hoje, Claudia concilia as carreiras de mãe, advogada de sucesso em São Paulo e poetisa. “Conheço um mundo onde o que impera é a lei dos homens. Já a poesia me solta, me permite sentir a dor fria, ‘doída’, me moldar, sem formalidades e sem me boicotar”,afirma.
Este ano, a autora finalizou sua mais recente obra e contaos objetivos de seus poemas no novo livro: “Quero transmitir ao público que apesar de todo avanço e tecnologia, somos seres sentidos e curtidos. Não nascemos teclando. Precisamos olhar nos olhos do outro, tocar, falar e deixar fluir a paixão e o amor, entre casal, entre irmãos, entre amigos”.
Conheça mais sobre a poetisa Cláudia Ferreira no www.claudiaferreiraescritora.com.br.
Informações eentrevistas com as jornalistas
Patrícia Leris (31) 9132- 2584 – patricialeris@gmail.com
Thais Maia: (31) 8743-1464 – thais.maia@ymail.com
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Fim do mundo
O discurso do homem
Na leitura da finitude,
Interpreta o calendário
Da civilização Maia
Vítima de maus-tratos
O mundo geme de dor,
E num ataque de fúria
A natureza se revolta
Na esquina da violência
Vidas murcham sem cor,
Como pétalas queimadas
Na aridez do insensível
A humanidade acordou
E teme o fim do cosmo,
No diálogo com a perda
Dói a saudade do existido
Pensativo o universo
Tão distante do original,
Teme o fim do homem
E a vida filosofa o tempo
Todo dia o mundo acaba
Quando o ódio cheio de ódio,
Mata a essência do amor
No coração planeta da vida.
Beth Guedes - (21.12.12)
domingo, 2 de dezembro de 2012
Dança da Chuva
Beth Guedes – 11/11/12
De mãos dadas os pingos
Passeiam felizes na terra,
Folhas e flores se banham
Poeira escorre sem rumo
Nuvem desenha a chuva
Gotículas beijam os seres,
Na cadência das águas
O verso sacia sua sede
Pássaros cantam alegrias
Semeiam músicas de mel,
Tão comovida a chuva
Deixa a lágrima rolar
Veloz nas crinas do vento
O tempo passa tão rápido,
Como chuvas de verão
Mas vale a pena sonhar
Amar em cada estação
Na dança dos pés nus,
Brincar na enxurrada
Alma lavada de poesia
Sinta o cheiro do verde
Que abraça nosso olhar,
Oh! Sentimento inefável!
Que a todos se faz poetas.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Minha Terra (Vau- Minas Gerais)
Autora: Virgínia Baracho.
Sou filha do campo, dos montes, da serra.
Sou filha do rio Jequitinhonha,
de um lugarejo, pedacinho de terra,
Com o qual sempre a gente sonha.
Nasci numa casa, pequena e modesta,
porém grande em amor, fé e harmonia,
onde todo amanhecer era uma festa
dos pássaros, saudando nosso dia.
Recordo os passeios à margem do rio,
as corridas alegres, galgando serrados.
As estórias, contadas em noites de frio,
as fogueiras, o milho verde assado...
Guardo comigo saudosas lembranças
dos entes amados, com quem convivi.
Dos brinquedos saudáveis de minha infância,
Meu Váu querido!...Saudades de ti.
Amo teus vales, rochedos e montes.
Orgulho-me da terra onde nasci.
Fica pertinho de nós o horizonte,
o céu parece estar logo ali...
Em teu seio repousam, terra querida,
aqueles que partiram nos deixando a chorar.
Como eu, também eles se amaram em vida
e lá no céu estarão a te abençoar.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Os inconvenientes de ser rio
Autor: Dirceu Rabelo, publicado no Latino Poemas (clique aqui)
Nem cismavam as gretas de pedras
Das serras de Diamantina
Quando começaram a parir
As águas do Rio do Peixe
Que as dores do parto
Não terminariam ali
Segue seu filho bastardo
Lambendo o lodo das pedras
Engrossando seu leito preguiçoso
Serpenteando feito gari
Lavando areia aqui e ali
Levando com os sedimentos
Os preciosos frutos da ganância
Purificando a alma do Serro
Ressurgindo em Alvorada
Ali sendo estuprado pelo garimpo
Que ralam seus barrancos sem dó
Irrompendo em Dom Joaquim
Onde para incrédulo!
Aqui, um grande minerossauro
Fuça suas margens
Bem onde ele é deflorado
Pelo desalmado e fedido Rio Folheta
Fecharam questão!
Vão levar suas águas para o mar
Com canudões, em sucção
Por outros caminhos
Que não os normais
Quanta maldição!
Mas, suas águas não vieram do mar?
E para lá não estão indo... Naturalmente?
Por que não deixam?
Fecharam questão (já não foi dito?)
Mas, o que restar do rio (se restar)
Continuará agora
Cambaleante como um bêbado
Mais magro, mirrado
Coitado, malgrado progresso
Desaguando quase seco
No Rio Santo Antônio
Triste sina ser rio
Onde riem de seu
Líquido estado de ser.
sábado, 5 de maio de 2012
Vírgínia Baracho no sarau do Meio Tom
Na próxima quinta-feira, dia 10/05, Virgínia Baracho, diamantinense, 81 anos, mostrará suas belíssimas poesias, no sarau do GIED (Grupo de Incentivo ao Escritor Diamantinense).
O evento acontece no Bar Meio Tom, a partir das 21 horas.
Vírgínia Baracho, nasceu no Váu, distrito de Diamantina. Viveu boa parte de sua vida aqui, onde trabalhou no antigo Correio. Mudou-se para Belo Horizonte, onde reside até hoje. Filha de família humilde e morando onde não tinha o curso primário completo, porque a própria professora não tinha curso para exercer a função, estudou até o 3º ano do antigo primário. Quando foi prestar concurso para postalista do Correio, estudou português e francês com D. Benzinha, na Romana. Depois de aposentada fez os antigos primeiro e segundo grau. Foi quando começou a escrever.
Virgínia tem dois livros publicados: O Canto da Alma e Momentos Sertanejos e está com um pronto para ser publicado, de histórias infantis.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Manifesto do Beco
Autor: Wander da Conceição – publicado no Blog GIED (clique aqui)
A jovem Maria, menina adolescente, certo dia se perdeu. Desonrou a família, ganhou a sarjeta. Sem piedade! Sem compaixão! Subiu no lombo de um burro, desapareceu...
Junto ao mourejar dos tropeiros em busca das mercadorias importadas, desembarcou no braço final da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Recolheu-se em uma pensão, que era do Beco do Motta, que era do Grande Empório do Norte, que era de João Francisco da Motta, que era da rua da Quitanda, que era de Diamantina, que era grande centro cultural, que era pólo administrativo-financeiro do norte e nordeste de Minas Gerais.
Maria foi recebida com flores e música no Cabaré. Escutou as serenatas. Aprendeu a dançar Tango, Bolero, Valsa. Ganhou carteirinha da Saúde Pública, ganhou exame médico periódico e ganhou as esquinas cruzadas dos becos do Alecrim e do Motta como limite da vida. Achou-se...
Trocou a sarjeta pela segurança ardilosa de um covil: um lugar misterioso, velado pelos fantasmas da maldição. O sofrimento calou a voz de Maria, mas o rumor do soluço abafado de seu pranto ainda retumba no silêncio das pedras do Beco, durante as madrugadas de lua cheia, em forma de manifesto: