No livro Hospício da Diamantina: a loucura na cidade moderna, a autora Maria Cláudia Almeida Orlando Magnani analisa a loucura e as práticas psiquiátricas em Diamantina, no Brasil e no mundo nos séculos XIX e XX. A linha tênue entre ser normal e ser louco aparece nítida nas páginas do livro de Magnani e revela que o abandono do prédio pode significar algo mais do que o simples abandono de uma edificação histórica. A reconfiguração das estratégias de tratamento dos portadores de sofrimento mental, expressa na luta antimanicomial, deve significar o abandono material da história da saúde mental entre nós? A pergunta fica aberta para que as autoridades responsáveis e os estudiosos do assunto nos ajudem a preservar essa história e esse prédio.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
A Casa dos Loucos
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Da janela lateral do quarto de dormir
PAISAGEM DA JANELA
(Lô Borges e Frnando Brant)
Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal
Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
E eu apenas era
Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical
Cavaleiro marginal banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Quando olhava da janela lateral
Do quarto de dormir
Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Um cavaleiro marginal
Banhado em ribeirão
Você não quer acreditar
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Dom João VI e as treliças
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Afinal, quantos são os tubos?
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
La Mezza Notte:uma reflexiva leitura sobre a Vesperata
Foto: Treliça
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Itambé: natureza, cenário e testemunha da história
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Acaba Mundo: aventura e marketing
Polêmica: Cidades históricas vetam axé, funk, rock e música sertaneja
Fonte: Agência Estado
Se você gosta de axé, funk, rock ou música sertaneja, tire as cidades históricas mineiras dos seus planos neste carnaval. Três das mais visitadas cidades do circuito histórico do Estado - Ouro Preto, Mariana e São João Del Rey - vetaram esses ritmos nas folias. Em programações patrocinadas pelas prefeituras e nos espaços públicos, só sambas e marchinhas de carnaval poderão ser executados nas festas. A medida integra o projeto Carnaval das Cidades Históricas para resgatar o "carnaval de antigamente".
"Queremos trazer para essas cidades pessoas que respeitem o patrimônio e a segurança", afirmou o secretário de Cultura e Turismo de São João Del Rey, Ralph Justino. Para 2010, a meta é atrair para o circuito mais duas cidades históricas de Minas - Diamantina e Sabará.
Todas essas cidades atraem milhares de turistas no carnaval. A maior parte deles é formada por jovens. O turismo de estudantes tem causado problemas para as cidades históricas. Além de gastar pouco, alguns grupos causam danos ao acervo colonial - no caso de Ouro Preto, reconhecido como patrimônio da humanidade pela Unesco.
Para Ralph Justino, o "carnaval de antigamente" das cidades históricas de Minas tem apelo para se tornar uma grande atração, despertando o interesse de milhares de turistas de outro perfil. O projeto foi anunciado hoje, em Belo Horizonte. O secretário disse acreditar que o carnaval histórico poderá, futuramente, ter tanto prestígio quanto o carnaval do axé, em Salvador, o carnaval das escolas de samba, no Rio, e o carnaval do frevo, no Recife.
Nas três cidades que já aderiram ao projeto Carnaval das Cidades Históricas, axé, rock, hip-hop e outros ritmos poderão ser executados somente em lugares fechados e privados que exijam a compra de ingresso ou em lugares mais isolados destinados especificamente para esse fim.
Em São João Del Rey, a prefeitura baixou decreto para regulamentar a execução das músicas durante a folia. Em Mariana, cidade que tenta conquistar o reconhecimento como patrimônio da humanidade pela Unesco, um dos atrativos do carnaval à moda antiga será o desfile de catitães - bonecos gigantes artesanais que fazem parte do folclore da região. Em Ouro Preto, a programação oficial será realizada no centro histórico da cidade Outros ritmos, no entanto, serão executados em festa no estacionamento da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).
O tema é polêmico e envolve uma série de aspectos que merecem atenção: a conservação do patrimônio, aspectos culturais e a liberdade. Qual a sua opinião? Você acha que Diamantina deveria seguir esse caminho? Registre abaixo o seu comentário.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Cachoeiras da região de Diamantina
Fotos disponíveis no flickr : by Edy Luigi, Vitório Miranda e Marcelo Salgado.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Arcos do Mercado e o Palácio da Alvorada
Lobo de Mesquita e as origens da musicalidade em Diamantina
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Chichico Alkimin: mestre da fotografia em Diamantinaa
Cachoeiras, Kussú e Cassetão
Para Milton Nascimento o "Brasil é o Beco do Mota"
Beco do Mota
Clareira na noite, na noite
Procissão deserta, deserta
Homens e mulheres na noite
Homens e mulheres na noite desse meu país
Nessa praça não me esqueço
E onde era o novo fez-se o velho
Colonial vazio
Nessas tardes não me esqueço
E onde era o vivo fez-se o morto
Aviso pedra fria
Acabaram com o beco
Mas ninguém lá vai morar
Cheio de lembranças vem o povo
Do fundo escuro do beco
Nessa clara praça se dissolver
Pedra, padre, ponte, muro
E um som cortando a noite escura
Colonial vazia
Pelas sombras da cidade
Hino de estranha romaria
Lamento água viva
Acabaram com o beco...
Procissão deserta, deserta
Homens e mulheres na noite
Homens e mulheres na noite desse meu país
Na porta do beco estamos
Procissão deserta, deserta
Nas portas da arquidiocese desse meu país
Diamantina é o Beco do Mota
Minas é o Beco do Mota
Brasil é o Beco do Mota
A contribuição de Diamantina para a Bossa Nova
De certa forma, pode-se considerar que Diamantina tem sua contribuição na criação da Bossa Nova. A revista Bravo conta um pouco dessa história:
Entre 1952 e 1955, João Gilberto estreou como compositor, com Você Esteve com Meu Bem? (uma co-parceria com Russo do Pandeiro, gravada por Marisa), e como intérprete, com o compacto Quando Ela Sai. Quem ouve este último nem reconhece João, cantando num estilo bem diferente do atual. Foi uma fase, como as de Picasso, definiria depois. E a fase terminou logo que João percebeu que não estava evoluindo. Não tinha renda fixa, morava de favor e passava as noites de bar em bar, tocando violão emprestado. Percebeu que, se quisesse mesmo uma mudança, era ele quem teria de mudar geograficamente. Caetano Veloso, afinal, estava certo: a Bossa Nova nasceu com João em Juazeiro... quando ele voltou para sua cidade natal aos 24 anos.
Antes de voltar a Juazeiro, porém, João Gilberto teve dois outros endereços. Passou sete meses em um hotel em Porto Alegre, RS, sustentado pelo amigo e cantor Luís Telles. Depois, foram mais oito meses em Diamantina, MG, na casa da irmã, Dadainha. Foi uma espécie de ano sabático que não durou um ano e não teve nada de sabático: João trabalhou como um artesão de sua música, obcecado em descobrir aquela batida do violão e aquele jeito de cantar que embalavam seus sonhos. Estava desenraizado do mundo, mas criava as raízes da personalidade profissional que o consagraria sua compulsão metódica, seu experimentalismo repetitivo, sua busca perfeccionista.
Diz-se que os moradores de Diamantina mal viam a cara de João. Ele não saía de casa. Raramente tirava o pijama, um hábito que manteve por vários anos, quando se tornou quase um eremita em seu apart-hotel no Leblon, no Rio, na década de 80. Passava o dia todo no banheiro de Dadainha, cujos ladrilhos proporcionavam uma acústica perfeita. Quando saía de lá era para serenar a sobrinha, Marta Maria, recém-nascida.
Fonte: Revista Bravo (Abril Editora)