sexta-feira, 12 de julho de 2013

Confira a programação do 14º Encontro Cultural de MIlho Verde

14º Encontro Cultural de Milho Verde

21 a 28 de julho de 2013

Confira a programação do evento

Bombeiros resgatam ouriço encontrado em árvore de campus de universidade em Diamantina

Fonte: Estado de Minas

Uma equipe do Corpo de Bombeiros de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, resgataram um ouriço em uma árvore no campus da Universidade Federal do vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), que fica na cidade. O animal silvestre – conhecido como ouriço do mato ou ouriço cacheiro - foi encontrado nesta semana.

Segundo os bombeiros, eles tiveram dificuldade para retirá-lo da árvore, que fica perto do prédio do curso de Nutrição. Usando equipamentos de proteção individual (EPIs), eles conseguiram recolher o animal, que foi repassado à Polícia Militar de Meio Ambiente. O ouriço não ficou ferido foi solto em seu habitat natural.

 (Corpo de Bombeiros/Divulgação)

Conferência Municipal de Cultura

A Prefeitura de Diamantina, através da Secretaria de Cultura, Turismo e Patrimônio, realizará nos dias 9 e 10 de agosto de 2013,a III Conferência Municipal de Cultura, com o tema: "Uma Política de Estado para a Cultura:Desafios do Sistema Nacional de Cultura”.

A abertura oficial da conferência acontecerá no auditório do Centro Administrativo, Rua da Glória 394, em seguida acontecerão palestras, apresentações, debates e a eleição de delegados para a Conferência Estadual de Cultura. No segundo dia acontecerão os Grupos de Trabalho nas salas de aula da FEVALE, encontro final e encerramento no auditório do Centro Administrativo.

A Conferência Municipal de Cultura antecede as Conferências Territoriais,Estaduais e a Nacional de Cultura e possui caráter mobilizador, propositivo e eletivo. No evento serão formados grupos de trabalho para discutir, formular, deliberar bem como propor estratégias, sobre propostas e diretrizes para a cultura em âmbito municipal, estadual e nacional.

As Conferências são importantes espaços de debate para a proposição de políticas, programas e ações para a gestão da cultura. O planejamento da conferência tem a participação conjunta do poder público e da sociedade civil, que integram a comissão.

Participe e dê sua opinião!

EM BREVE DIVULGAÇÃO DE TODO PROGRAMA

Secretaria de Cultura, Turismo e Patrimônio
038 3531 9527 / 9530 / 9537

Leia nesta semana na Voz de Diamantina

Capa (18)À semelhança de uma prestação de contas, nossas três edições anteriores tentaram narrar a trajetória do Pão de Santo Antônio nos seus 112 anos de existência que se completarão neste domingo, 14 de julho. Uma narrativa, aliás, que impressiona por mostrar repetidamente que a filantrópica instituição só conseguiu sobreviver neste longo tempo graças ao carinho, à boa vontade e à generosidade de pessoas, de famílias, de empresas. Mas o velho asilo enfrentou também muitos percalços, felizmente superados pelo seu fundador, o valente e abnegado Zezé Neves. O próprio nome do jornal - originalmente Pão de Santo Antônio - foi mudado em razão de desdenhosas críticas que uma publicação da Igreja lhe impunha. Assim é que em 1936, seu editor anunciou alto e bom som que a Voz de Diamantina nascia com total independência para defender a cidade e sua gente, em substituição ao semanário que ele fechara premido por inaceitáveis interferências externas. Deste então a estátua do Menino Jornaleiro, postado em frente à sua antiga gráfica, passou a simbolizar a humildade altaneira de uma voz que se nega a submeter-se e, muito menos, a calar-se.

Joaquim Ribeiro Barbosa - “Quincas”

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 622, 13 de julho de 2013

Assinatura da Voz de Diamantina

Um presente que todo mundo gosta de ganhar

Por apenas R$ 165,00 você recebe 52 exemplares semanalmente durante um ano

Quincas: (38) 3531-3129 e 8824-3584 - vozdediamantina@gmail.com

Aline: (38) 8811-5707 /// Wandeil: (38) 8803-8957

*A partir da tarde das sextas-feiras, o jornal Voz de Diamantina pode ser adquirido nos seguintes locais: Banca de Geraldinho, Canastra Diamantina e Livraria Espaço B

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Lançamento do Sempre-Viva boletim poético

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No Vale difere

Fonte: Júlio Assis, publicado no jornal O Tempo

Dicionários informam que mangá é nome dado a histórias em quadrinhos de origem japonesa. No Vale do Jequitinhonha, é outra coisa. Nessa região mineira, mangá quer dizer zombar. Um exemplo de prosa: “Pra mim contá o pessoal que eu apanhei 99 vez é demais. Eles pode me mangá”.

O jeito de falar sobre o esforço na lida cotidiana também é diferente no Vale, observe: “O Dico contava que um impregado dele na roça repetia sem pará: ‘A gente luita e labuta e ninguém oxileia’”. Depois da luita, de luta, oxileia vem de oxiliá, derivado de auxiliar.

São muitas, acho que mais de mil, as expressões reunidas no livro “Dicionário do Dialeto Rural no Vale do Jequitinhonha – Minas Gerais”. A essa rica e curiosa leitura me dediquei esses dias, ao buscar o volume na pilha das publicações que me atraem e que aguardam a vez diante de frequentes prioridades profissionais.

Neste caso, nem foi tanto tempo assim de espera, visto que há cerca de dois meses esse livro foi lançado pela editora UFMG, está fresquinho nas livrarias, com o nome no alto de Carolina Antunes. Professora aposentada da Faculdade de Letras da UFMG, ela, filha da região do Jequitinhonha, se dedicou desde 1980 a esse trabalho, contando com colaboradores em várias etapas, como informa o volume.

Professora Carolina documenta, por exemplo, que se não tiver fim a “intiputeca” tudo pode “i pra dissimbrea”. A primeira palavra quer dizer travessura. Já a segunda expressão é uma variante de ir para a desembreagem ou perder o controle da situação.

Rufino não é nome ou sobrenome de gente, mas de alguém que se apavora fácil, como demonstra o livro: “Não sei o que tá aconteceno. Esse minino tá muito rufino. Qualqué barulhin dá susto nele”.

O estudo que resultou na publicação tem o devido rigor científico. Textos de apresentação no livro registram a importante contribuição da obra para a lexicografia portuguesa. O lançamento é, dessa forma, valioso para pesquisadores e para o universo acadêmico em questão, mas é também fonte prazerosa para leigos em lexicografia, como meu caso. É uma leitura que traz descobertas, curiosos pontos de comparações e identificações com nossa linguagem urbana cotidiana, oferece a riqueza de um dos regionalismos na cultura do nosso país.

A maneira objetiva como é apresentado o dicionário ajuda a essa aproximação do leitor comum à obra. Logo no começo, há um esquema intitulado “Chave do Dicionário”, que explica as regras de elaboração dos verbetes, todos trazendo exemplos das expressões orais no dia a dia. Em seguida, basta folhear as páginas para, sem complicações, passear pelo dialeto rural do Jequitinhonha.

Ali, a habilidade para realizar tarefas é “cartigolença” (“cê ta duvidano da minha cartilogência pra fazê a comida?”). “Chanhá” é tratar o outro com carinho (“Aqueles dois andam chanhando muito!).

Carolina Antunes salienta que muitas das expressões, “mesmo não sendo encontradas exclusivamente no Jequitinhonha, caracterizam a variante rural dessa região em um quase confronto com a variante urbana. Por conseguinte, esta obra não se configura como objeto possuído dessa ou por essa região e, sim, como uma produção textual e discursiva decorrente de uma coleta de dados orais lá efetuada e de dados escritos sobre ela”.

A professora sintetiza ainda que a coleta dessas expressões “pôs em foco o desempenho da principal função da linguagem – a de ser instrumento de comunicação e interação social – a que estão diretamente atreladas noções de território, cultura e memória”.

Cuidado, por exemplo, se ouvir a palavra “suvertê”, pois alguém pode estar querendo fugir (“Isperto o moço. Passô a mão ni tudo e suverteu, né?”). E, diferentemente de mangá, “mancá” é descumprir compromissos (“Aí o rei mandô Dum-Dum pra lá, porque se ele mancasse, ele ia sê inforcado, né?”).

Música do Espinhaço apresenta novo trabalho em Diamantina

domingo, 7 de julho de 2013

Mesmo com salários de R$ 22 mil, médicos não aceitam trabalhar no Vale do Jequitinhonha

Fonte: Estado de Minas, publicado no Blog do Banu.

Faltam médicos no Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas. Em meio a embate sobre contratação de estrangeiros, quem mora nos rincões do estado sofre com a falta não só de médicos, mas também de condições para se tratar nos grandes centros.

A população sente na pele e protesta: faltam médicos e qualidade na saúde em todo o país; a presidente Dilma Rousseff anuncia: quer importar 6 mil doutores de Cuba para trabalharem cidades do interior; entidades médicas rebatem: não faltam profissionais, e sim estrutura para atender bem os pacientes; prefeitos apelam: oferecem até R$ 35 mil para um clínico fixar residência na cidade, mas sem carteira assinada.

Enquanto persiste o impasse e representantes da categoria vão para as ruas repudiar a chegada de colegas cubanos e de outras nacionalidades sem revalidação do diploma, quem depende do SUS amarga falta de atendimento, de acesso a exames, de medicamentos ou até de material para um simples curativo.

Se falta entendimento entre governo federal e entidades médicas quanto à melhor forma de solucionar o déficit de profissionais no país, especialmente em cidades do interior, uma constatação parece ser consenso: a dificuldade de conseguir uma consulta médica é diretamente proporcional à distância de cada município dos maiores polos urbanos. E é exatamente nesses lugares considerados pouco atraentes pelos profissionais que está a população mais carente e com maior dificuldade de se deslocar até cidades com melhor estrutura de saúde.

A saúde está em xeque.

Não é à toa que levantamento do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM/MG) mostra que faltam médicos em um quarto dos 853 municípios mineiros. São 209 cidades sem nenhum suporte. Outros 148 (17,3%) têm apenas um médico.

Em outro estudo, o CRM mostra que as perspectivas não são boas. Mais de 60% dos médicos que se formaram em 2012 tinham a intenção de trabalhar apenas em municípios com mais de 100 mil habitantes. Metade deles, no entanto, quer mesmo é exercer a profissão em Belo Horizonte e apenas 7,15% se disseram dispostos a ir para pequenos municípios.

Enquanto não entra mais dinheiro no cofre, é o prefeito quem exporta seus doentes de ambulância para Montalvânia, cidade de 16 mil habitantes, a 29 quilômetros de distância, que tem apenas um profissional, e atendendo fora da sede. Casos mais graves são mandados para Montes Claros, a 390 quilômetros de Juvenília.
A dificuldade para contratar médicos é enfrentada da mesma forma pelos 4,9 mil habitantes de Miravânia, também no Norte de Minas, a 711 quilômetros da Capital. O prefeito Raimundo Nonato Luna (DEM) diz que, para despertar interesse da categoria, elevou para R$ 21 mil o salário de um médico clínico geral no município. Mesmo assim, a proposta não pareceu tão tentadora. Apenas uma das duas unidades do Programa de Saúde da Família (PSF) conta com médico atendendo diariamente. A outra não oferece consultas há dois meses. A secretária municipal de Saúde, Idalina Mota, informou que amenizará a situação com quatro acadêmicos de medicina que iniciarão estágio no município neste mês. “Foi uma salvação para a gente”, comemora Idalina.

ABANDONO

Se do lado dos médicos já há predisposição de evitar pequenos municípios, em algumas localidades, principalmente nas mais distantes das cidades-polo, as dificuldades de fixar profissionais passam pelas péssimas condições de atendimento, falta de equipamentos e medicamentos básicos, impossibilidade de realização de exames e dificuldades de prestação de socorro pela ausência quase completa de infraestrutura. Em outros locais, o problema é insegurança nas unidades e imediações.

A falta de carteira assinada e às vezes até de contrato para médicos também é um entrave. Nessas condições, o pagamento dos proventos fica à mercê da boa vontade dos prefeitos. “É comum o médico receber no primeiro mês. O segundo salário é pago com atraso e depois ele deixa de receber”, sustenta o presidente do CRM/MG, João Batista Gomes Soares.

sábado, 6 de julho de 2013

1ª Conferência Municipal dE Mobilidade Urbana lota auditório da Prefeitura

Mesa de honraNa manhã da última sexta-feira [05/07], às 8h30, cerca de 200 pessoas estiveram presentes na abertura da 1ª Conferência de Mobilidade Urbana – “Trânsito na Minha Cidade”. Formaram a mesa de honra o Prefeito Municipal de Diamantina, Dr. Paulo Célio; o Vice-prefeito, Cássio Antônio Moreira; representando a Câmara Municipal de Diamantina, o vereador Lado da Palha; o Diretor Geral do DETRAN-MG, Oliveira Santiago Maciel; o ex-Secretário Municipal de Patrimônio e Desenvolvimento Urbano de Ouro Preto, Dr. Gabriel Gobbi e o Gerente de Coordenação de Operações da BHTRANS, Fernando de Oliveira Pessoa.

Após a abertura oficial do evento, o prefeito Dr. Paulo Célio falou sobre a importância de desenvolver políticas públicas que contemplem prioritariamente o cidadão e agradeceu pelo grande número de participantes. “É muito gratificante ver esse auditório cheio e com tanta gente disposta a compartilhar boas experiências em prol do desenvolvimento da nossa cidade”, destacou o prefeito.

Abertura da solenidade 02A primeira palestra, proferida pelo Dr. Oliveira Santiago Maciel, abordou os desafios e perspectivas da municipalização do trânsito, as atribuições dos municípios integrados ao Serviço Nacional de Trânsito, as vantagens da municipalização do trânsito, além de trazer dados importantes sobre o crescimento vertiginoso da frota de veículos em Diamantina. “Diamantina teve um aumento de 134% no número de veículos automotores nos últimos seis anos, são quase 16 mil veículos em circulação na cidade. O espaço público não pode se transformar em um campo de batalhas entre carros e pedestres”, salientou o Diretor do DETRAN.

Experiência de Mobilidade Urbana em Cidade Histórica: o tema ficou a cargo do Dr. Gabriel Gobbi, gestor premiado pelas ações implementadas na cidade de Ouro Preto. Gabriel iniciou sua apresentação destacando algumas particularidades existentes em Diamantina e Ouro Preto e apresentou as intervenções realizadas enquanto gestor da cidade histórica, além de salientar o grande desafio de iniciar a mudança. “No começo as mudanças trazem muitas críticas e atritos, porém quem tem a obrigação de agradar a todos é o palhaço. O gestor público tem o dever de enfrentar essa situação e fazer a coisa certa e garantir o bem para a coletividade”, alfinetou Gobbi.

O último tema da manhã foi apresentado pelo representante da BHTRANS, que compartilhou suas experiências na capital mineira e ponderou sobre os modelos contemporâneos de gestão de trânsito urbano. Em sua explanação, Fernando falou sobre diversas questões, entre elas: estacionamento rotativo, educação no trânsito, gestão para a coletividade, sistemas inteligentes e sobre os pilares da gestão do trânsito.

Após o ciclo de palestras os participantes seguiram para as câmaras setoriais, que foram formadas para que fossem levantadas as principais demandas de trânsito existentes em Diamantina. Das ponderações e ideias surgiu um documento, produzido de forma coletiva e participativa. O Prefeito Dr. Paulo Célio recebeu as reivindicações e garantiu que as ações desenvolvidas pela Prefeitura, voltadas para a melhoria da mobilidade urbana, serão pautadas pelo documento produzido na conferência.

“Vamos continuar debatendo os anseios da sociedade de forma transparente e participativa, como aconteceu hoje. Gostaria de agradecer aos palestrantes, autoridades e público presente. Registro aqui o brilhante trabalho dos servidores que se empenharam para a realização do evento, em especial à Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Patrimônio pelo profissionalismo e comprometimento,” finalizou o prefeito.

Texto e fotos: Ricardo Maciel

Editora UFMG lança livros e DVDs sobre a trajetória de artesãs do Jequitinhonha

Fonte: UFMG

A Editora UFMG acaba de lançar dois livros com DVDs dedicados aos saberes de mestras de ofício do Vale do Jequitinhonha. As produções narram as histórias das artesãs Mestra Zefa e Mestra Izabel e pretendem promover o conhecimento e o artesanato produzido nessa região do país. .

O trabalho é fruto do projeto Saberes Plurais, da Coordenadoria de Políticas de Inclusão Informacional (CPInfo), vinculada à Pró-reitoria de Extensão.https://www.ufmg.br/proex/cpinfo/saberesplurais/

Mestra Zefa
Considerada uma das mais importantes artesãs do Vale do Jequitinhonha, as peças de madeira de Mestra Zefa, especialmente os tamboretes, são muito famosos e procurados. Nascida em Poço Verde, Sergipe, em 1925, veio para Minas Gerais em 1962, passando por Teófilo Otoni e chegando em Araçuaí.

Zefa afirma ter conhecido Lampião e considera Antônio Conselheiro um santo, assim como Padre Cícero e o Doutor Guerra, "médico que depois de morto auxilia mulheres no parto". Reconhecida benzedeira, atende aos lhe batem à porta, confiante nas rezas trazidas do norte. Aos 87 anos, a artesã, com a saúde frágil, já não esculpe mais.

Mestra Isabel
Mestra Dona Izabel começou a brincar com o barro muito cedo ao lado de sua mãe e de sua avó, que fazia vasilhas. A falta de brinquedos e, principalmente, de bonecas, que eram seu sonho de menina, foi a grande motivação para que ela começasse sua vida de artesã e artista do barro. Aos 12 anos, já fazia jarros com bacias, galos e personagens para os presépios. Mais tarde, começou a fazer bonecas e, com uma delas, em 2004, ganhou o Prêmio Unesco de Artesanato para a América Latina. Aos 88 anos, vive em Santana do Araçuaí, Vale do Jequitinhonha, onde ensina sua arte.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Fazer o bem sem olhar a quem

Fonte: DZai/Estade de Minas - Maurício Lara Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press – Dica do Blog do Banu


Foi vendo a mãe fazer caridade e alimentar pessoas carentes que a menina Maria Passabom França, a Nina, determinou que o lema de sua vida seria “fazer o bem sem olhar a quem”. A morte da mãe, quando Nina tinha 13 anos, reforçou nela a vontade de seguir o exemplo. Pouco tempo depois, ela entrou para um convento, iniciando a trajetória de auxiliar o próximo que mantém até hoje.

Como irmã de caridade, Nina foi morar em Belo Horizonte, trabalhando em hospitais. Na hora de fazer os votos perpétuos, a freira decidiu deixar o hábito, sem nunca se afastar do ideal de fazer o bem. Há 51 anos, mudou-se para Diamantina, já casada com o servidor público Walter Cardoso França, com quem teve dois filhos. Aos 77 anos, viúva, Nina, que nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, declara seu amor pela cidade que ela escolheu e que a acolheu: “Sou mineira e diamantinense de coração”.

Ela conta que, ao chegar à cidade, não havia sequer um “posto de injeção”, ou seja, unidades de saúde para atender a população. Nina passou a cumprir o papel de enfermeira que atendia aos doentes em suas residências, aplicando injeção, inclusive de madrugada, tirando pressão, fazendo curativos... Os próprios médicos encaminhavam a ela quem precisava de assistência domiciliar e ela atendia. Como ministra da eucaristia e devota de São José, Nina se encarrega, também, de levar comunhão aos enfermos.

Só que Nina foi além. Passou a cuidar também dos presos da cadeia pública, levando cobertores, creme dental, sabonetes, toalhas... “Eles têm uniforme, mas não têm blusa de frio”, constata. Ela zela pela saúde e dá conselhos aos detentos no sentido da recuperação. “Eu ajudo a levantar do erro, mas não apoio o erro. Quem errar tem que assumir, pode ser até da minha família. Para mim é todo mundo igual”, avisa Nina, que enfrentou resistências da sociedade quando decidiu ajudar também os presidiários. “Há quem não goste do trabalho que eu faço. Mas eu vou ajudar quem, as beatas? Elas não precisam. Temos de dar a mão a quem está caído”, explica.

Era com essa disposição que ela tinha altivez para entrar no Beco do Mota, antiga zona boêmia de Diamantina, bem perto da catedral, para atender prostitutas, por solicitação de médicos da cidade. “Eu aconselhava as moças, todas muito jovens. Teve uma que casou e foi me agradecer depois pelos conselhos.” Ela conta que, por causa de sua forma de agir, já teve enfrentamentos até na Pastoral Carcerária. Lembra uma situação em que uma colega xingava uma presa. Nina discordou da forma. “Tomei a frente. Disse à moça para pegar um espelho e olhar o próprio rosto. E disse a ela: ‘Você é linda, tem que agradecer a Deus pela beleza e inteligência que ele te deu’. A gente tem que ser firme, mas não pode maltratar as pessoas”, ensina.
Nina lamenta pelos dramas que vê nas cadeias e fica especialmente sensibilizada com as consequências do uso de drogas em presos muito jovens. “Tinha um menino novo, dependente, que ficava tremendo sem as drogas. É muito triste”, recorda. Entrar nas cadeias, conviver com os presos, nunca foi motivo de constrangimento para ela. “Eu era jovem, cheia de vida e ninguém nunca me desrespeitou”, diz Nina, com os olhos azuis que chama de “olhos de gato”. Uma vez, recorda, um preso falou alto com ela e os outros reagiram na hora. “Eles me chamam de mãe”, orgulha-se.

“É uma missão”, define Nina, que está envolvida atualmente com o projeto de instalação de uma Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) em Diamantina. Ela sonha em ver os presos com maiores possibilidades de recuperação e de reinserção na sociedade. Em recuperação de uma pneumonia, Nina está mais quieta em casa, mas fica incomodada por isso. “Eu ando o dia inteirinho”, informa, reclamando do mau estado do calçamento nas ruas, responsável por duas quedas recentes que ela sofreu ao levar comunhão para enfermos.

Nina diz que é muito conhecida na cidade justamente porque fica muito na rua, mas não é o que dizem os outros moradores. “Dona Nina é uma celebridade para a gente. É uma pessoa muito útil para a comunidade, ela é muito caridosa”, testemunha a pedagoga Maire Ávila Medina. Cleonice de Almeida Batista, vizinha há 40 anos, faz coro: “Nina é tudo para nós. Acolhe todo mundo na hora da precisão. Tudo é ela. Carrega todos nas costas.”

Nas poucas horas vagas, Nina gosta de ler livros com conteúdo religioso, fiel ao seu perfil de caridade, fé e amor pelas pessoas e pelo lugar em que vive. Ela tira do livro Estas ruas serpeantes, do padre Celso de Carvalho, os versos com que homenageia a cidade. “Diamantina, eu te defino, por tuas ruas andejas, serpeando ao som do sino, entre capelas e igrejas”.