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sábado, 24 de janeiro de 2015

Diamantina tenta reinventar seu Carnaval

Os dois últimos carnavais diamantinenses tiveram o duplo condão de preocupar e tranquilizar a população deste velho e festeiro burgo. E já não era sem tempo. Pois não é de hoje que a maior, mais movimentada e lucrativa (sic) festa local vem dividindo opiniões. Ouso afirmar que mais da metade deste povo alegre e inzoneiro anda desencantado com ‘o melhor carnaval do país’. Já ninguém acredita que ele transcorra sem baixar a qualidade de vida dos seus moradores a níveis absolutamente indesejáveis e incompatíveis com uma cidade patrimônio cultural da humanidade. Em certa época, diante da degradação que ele impunha ao pacato e civilizado modus vivendi tijucano, cheguei a afirmar que ‘Diamantina não merece, mas precisa do carnaval’. E, em dias de acaloradas revoltas com a falta de respeito, a desmedida agressividade e o estrago moral que avançavam a cada folia, escrevi o que no íntimo pensava, mas não tinha coragem de externar: ‘Diamantina se prostitui no carnaval’.
Mas, como diamantinense, sou também sensível ao vigoroso fluxo de autoestima de ver a cidade na boca das pessoas, nas manchetes de jornais, em programas televisivos citada como um dos mais importantes destinos carnavalescos do país. Além do mais, tem-se que levar em conta o aspecto econômico, o montante de recursos, o grande número de empregos temporários que a grande festa proporciona a muita gente, numa cidade sem indústrias, de modesta arrecadação. O que torna razoável o esforço da prefeitura em tentar reinventar um carnaval que, ultimamente, vem declinando por vários e anunciados motivos. Entre eles, a consolidada percepção de que não há como fazer um carnaval que se harmonize com a cultura, o respeito e a consideração que a população merece e a que tem direito.
Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 702, de 24 de janeiro de 2015

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domingo, 18 de janeiro de 2015

Voz de Diamantina: a falta que nos faz a bem-vinda transparencia

Capa (62)

Certas notícias avivam o sentimento de repulsa, mesmo num país em que o Congresso, o Senado e a Presidência da República - supostas vigas da moralidade pública - se rebaixam numa orgia de negociações, compra de posições e acordos que ferem de morte os mais elementares princípios da honestidade. Quando surgem, pois, reações de algum tribunal a malfeitos perpetrados em pequenos, pobres e atrasados municípios, como narra o texto publicado na página 06 desta edição, alguma esperança remexe lá no fundo de descrentes e indignadas consciências. Quantias enormes foram desviadas dos cofres de uma cidade do Norte de Minas através da cobrança de diárias e despesas com alimentação cujos altíssimos valores fazem de seu prefeito um dos mais ativos viajantes e insaciáveis glutões do estado. A título de “diárias de viagem”, em 16 meses ele malversou nada menos que R$ 164,6 mil (média mensal de R$ 10,2 mil), assinalam os promotores de justiça Paulo Márcio da Silva, Renata Andrade Santos e Guilherme Roedel Fernandez Silva, que assinam a petição inicial da ação civil pública. Enquanto a maioria dos moradores da cidade sobrevive o mês inteiro com salário mínimo, os gastos do prefeito com alimentação durante suas supostas viagens atingiram a “inacreditável” quantia de R$ 855 por dia. O MPMG pediu o bloqueio de bens do prefeito até o limite de R$ 493,9 mil, seu afastamento do cargo, que seja condenado a devolver os valores recebidos a título de “diárias de viagem”, quebra do sigilo bancário e fiscal, além de sua condenação por ato de improbidade administrativa.

Esta deslavada intimidade com o dinheiro público dá força ao nosso editorial da semana passada que, em seu final, pede ao recém-empossado presidente da Câmara Municipal de Diamantina, Marcelo Marinho de Ávila, que torne obrigatória a prestação de contas - mensal e detalhada - de diárias pagas e de gastos da Verba Indenizatória.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 701, de 17 de janeiro de 2015

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Voz de Diamantina: IFNMG abre novos horizontes para Diamantina e região

Capa (61)

IFNMG ABRE NOVOS HORIZONTES PARA DIAMANTINA E REGIÃO

Não posso deixar de render-me à magia de Diamantina. Como alguém que menino ainda se embasbacava com suas belezas, sua topografia acidentada e tentava compreender sua sina garimpeira, seu miraculoso dom de lastrear a moeda que movimentava a economia da cidade desde seus primórdios. Quando o diamante e o ouro garantiam mesa farta, opulência e segurança para constituir família sem pensar muito no dia de amanhã. Só que esse alguém assistiu ao fim desses tempos áureos. Viu os garimpos minguarem. Sentiu na pele e no bolso a escassez de empregos, de oportunidades. E, mais até que esses declínios que podem acometer qualquer comunidade, descobriu que a faustosa e aristocrática Atenas do Norte cambaleava. Ora por causa da baixa cotação internacional dos diamantes. Ora pelo alto preço de sua cada vez mais difícil extração. E, principalmente, pelas perdas que lhe foram impostas pelo simples fato de seus ricos prumos terem produzido um diamante sem igual. Cujo brilho e pureza ofuscavam tudo e todos ao redor. E o mais grave; essa gema tão rara e preciosa não era do reino mineral, andava pelas ruas da cidade e tinha o apelido de Nonô. Seu verdadeiro nome, Juscelino, estava fadado a gerar muito ciúme, despeito e perseguição à terra em que nascera.

Quem viveu em Diamantina no último quartel do século passado sabe do que falo. Pois sentiu, como eu, que morava numa cidade perdedora. Cuja economia, baseada no garimpo, não tinha futuro. Mas, assim como este atento escriba, muita gente se surpreendeu com a reação da cidade. Que, inexplicavelmente, saiu do fundo do poço para alçar-se, num tempo relativamente curto, em pujante centro universitário, em Patrimônio Cultural da Humanidade, além de reconquistar sua antiga condição de polo de extensa região. Como explicar uma reviravolta desta grandeza, se o único e inigualável líder político da cidade parece ter levado para o túmulo todo e qualquer resquício de carisma, de liderança e de arrojo empreendedor? Talvez morramos todos sem conseguir explicar os bons ventos que passaram a soprar nestas penedias. Ou tenhamos de acreditar em sorte, fado, boa estrela ou sabe-se lá que nome dar à sequência virtuosa de acontecimentos.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 696, de 13 de dezembro de 2014

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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Leia nesta semana na Voz de Diamantina

Capa (18)

Certo dia um vereador me cobrou nunca ter feito, em meus editoriais, nenhum elogio a nossos parlamentares, mas só críticas. Ponderando ainda, e sem a menor modéstia, que - a exemplo dele próprio - detentor de vários mandatos, a cidade muito devia à operosidade da vereança. Respondi-lhe que bons e respeitáveis vereadores jamais deveriam ansiar por aplausos, mas pelo reconhecimento de seus méritos, se realmente os houvesse.

De fato, ao rever meus muitos escritos sobre o procedimento da nossa edilidade, não posso negar que sempre lhes apontei a incoerência, a sujeição e a falta de preparo para um cargo público que muitos deles transformam em vantajoso emprego, tal a mediocridade com que o exercem. Duas de suas ações, porém, mereceram deste editorialista realce e enaltecimento. Ambas da legislatura passada: a eliminação do voto secreto, antes mesmo que outras instâncias superiores a adotassem, e a proibição a prefeitos de substituírem as efêmeras logomarcas de suas gestões por brasões ou outros símbolos da municipalidade. Já de longa data cobradas pela opinião pública, essas duas iniciativas concederam à câmara lampejos de dignidade, em face da leniência com que trataram a gestão de um prefeito demagogo, clientelista e péssimo gestor, que só não sucumbiu a uma CPI graças a conivências, cumplicidades e manobras protelatórias de boa parte da vereança.

Bons ventos, entretanto, bafejaram Diamantina no dia 17 de novembro. Quando a maioria dos vereadores rejeitou a prestação de contas do ex-prefeito não reeleito de Três Marias e de Diamantina, apesar do parecer favorável do Tribunal de Contas de Minas Gerais. Ou seja: nove dos 13 legisladores de Diamantina ousaram, finalmente, punir a irresponsabilidade de um prefeito. E mais: fizeram com que fartas, graves e comprovadas denúncias de improbidade administrativa colhidas em arquivos da prefeitura sobrepujassem o dúbio parecer de um tribunal cada vez menos acreditado.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 694, de 29 de novembro de 2014

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Leia nesta semana na Voz de Diamantina

Capa (60)

Não poucas vezes tenho salientado a dificuldade de participar da intensa movimentação deste velho e festeiro burgo. Que - volto a repetir - não se rege pelas estações climáticas, mas pelo surpreendente calendário de festas, cerimônias e solenidades. Como estive em viagem desde quinta-feira, perdi vários eventos importantes já programados. Entre eles, a 2ª Semana do Produtor Rural da UFMG (Diamantagro), a inauguração do Solar Duarte, a apresentação do Grupo Ad Libitum, como parte da programação social do I Simpósio de História do Direito organizado pela UFMG, núcleo de Diamantina, além de tudo mais que sói acontecer nesta terra de tantas e muitas vezes não anunciadas atividades. Já de volta na manhã do domingo, ainda provei uma das delícias do V Festival de Gastronomia e Cultura (Diamantina Gourmet) a título de almoço, outra, à noite do mesmo dia e, na segunda, mais uma ainda, na impossível e gulosa tentativa de degustar a tentadora série de entradas, pratos principais e sobremesas dos 11 restaurantes participantes.

Apesar de animado a prestigiar meu bom apetite e os chefs do Diamantina Gourmet, não me saía da cabeça um telefonema recebido ainda em BH em que Paulinho do Iphan me dava a boa notícia de que o novo vigário da Paróquia de Santo Antônio da Sé, padre Paulo Henrique, o autorizara a entronizar na Catedral Metropolitana de Diamantina os dois antigos sinos trincados que foram substituídos por réplicas. Na verdade, as duas preciosas relíquias ali deveriam ter sido depositadas há muito tempo. Desde 2010, sob a orientação de Paulinho, foi encomendada robusta mesa de madeira que suportasse os mais de mil quilos dos dois velhos sinos. Além do que um documento assinado pelo arcebispo dom João Bosco Óliver de Faria, datado de 1º/10/2008, autorizava a execução de réplicas de sinos trincados de igrejas de Diamantina, bem como sua permanência, como relíquias, nas igrejas a que pertencem, podendo posteriormente, alguns deles, passar ao acervo do Museu de Arte Sacra de Diamantina.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 692, de 15 de novembro de 2014

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Voz de Diamantina: a evolução do presídio regional de Diamantina

Capa (17)

Na tarde de 30 de outubro, ainda enfumaçada pelas queimadas que precedem as chuvas, tão parcas e atrasadas neste ano de 2014, o pátio do Presídio Regional de Diamantina se encheu de um público que bem revelava a importância que o estado, as instituições e a sociedade têm dado ao sistema prisional. Que, aliás, neste patrimônio cultural da humanidade, só começou a merecer alguma atenção a partir de 1995, com a desativação de sua antiga, decadente e insalubre Cadeia Velha e a transferência de seus inquilinos para uma nova prisão elevada a Presídio Regional no dia 12 de abril de 2011.

A recém-inaugurada unidade prisional passou a ser gerida por agentes da Subsecretaria de Administração Penitenciária (Suapi) que mudaram aquele ambiente tenebroso e hostil. Assessorados por uma equipe de assistentes sociais, psicólogos, médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e advogados, seus 50 agentes não chegaram de mãos abanando. Guarneceram as celas e o almoxarifado de novos colchões, roupas de cama, escovas de dente e outros objetos de uso pessoal. Ao mesmo tempo em que uniformizaram os presidiários, cortaram seus cabelos e apreenderam drogas, armas ou celulares que possivelmente estivessem em seu poder. Além da geração de dezenas de empregos preenchidos por concurso público, a atuação da Suapi liberou bom número de policiais civis e militares, assim como suas viaturas, para outras funções.

Mas a sequência de melhoramentos advindos da elevação da cadeia a presídio e da troca da Polícia Militar pela Suapi nunca parou. Graças à atuação do Poder Judiciário, do Ministério Público e de outras valorosas instituições e, de modo especial, ao incessante trabalho do Conselho da Comunidade, a situação dos seus apenados melhorou. E muito. E mais ainda com a colaboração da OAB, Seção de Minas Gerais, juntamente com a Suapi que, na última quinta-feira, inauguraram a sala de advogados e o prédio administrativo do Presídio de Diamantina.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 691, de 08 de novembro de 2014

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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Um páis cada vez mais distante dos valores éticos

Não assisti a nenhum dos debates e a nenhuma das propagandas políticas gratuitas (e obrigatórias) nos dois turnos das eleições que, finalmente, tiveram seu melancólico encerramento no dia 26 de outubro. Revoltado pelo descaramento de Lula que, num dia desses, disse estar de saco cheio das denúncias de corrupção na Petrobras, este já velho e decrépito escrevinhador também se cansou de ver, ouvir e se escandalizar com o grau de rebaixamento moral a que chegou esta outrora respeitável e promissora Terra de Santa Cruz.

Só que não se chega a esta idade provecta impunemente. Pelo menos no Brasil. Como aceitar, por exemplo, que exista a propaganda eleitoral gratuita obrigatória? Sabendo que ela custa ao Erário perto de um bilhão de reais de renúncia fiscal? E cuja obrigatoriedade leva grande parte dos brasileiros a desligar rádios ou sintonizar TVs em canais livres de tão depreciativa e rasteira programação? Mesmo quem tem paciência ou não dispõe de recursos para fugir de tão degradadas exposições, como entender a desproporção do tempo destinado a cada partido? E como se ousou produzir leis absolutamente conflitantes com a liberdade de cada um escutar ou ver o que bem deseja?

E a mentirada, meu Deus! As calúnias! As infâmias? Com que desfaçatez a candidata à reeleição desmereceu a simples permanência em seu alto cargo, ao pregar a moralidade, a guerra à impunidade e o múnus de uma estadista, quando passou os últimos meses acuada na torpe missão de adiar, pressionar e destruir a CPI da Petrobras, pela gravíssima razão de que seu nome, sua fraca atuação no conselho da gigantesca e mal gerida estatal e sua posterior leniência na apuração de crimes e na limpeza de seus contaminados quadros comprometiam sua já enfraquecida e maculada biografia.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 690, de 1º de novembro de 2014

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Voz de Diamantina: a instigante tarefa de um editorialista

Já descrevi anteriormente o inquietante, desafiador e tantas vezes imprevisível ritual que pontua os assuntos, as opiniões e o grau de envolvimento do editor no preenchimento desta página. Além do exato número de toques que me permite ocupar sempre o mesmo espaço, nunca me foge a preocupação de escrevê-lo com muita serenidade, coerência e fidelidade à sua missão de avivar o senso crítico de quem o lê. Seja ele assinante, anunciante, leitor sazonal, alguém que o folheia às escondidas e discorda de seus posicionamentos, ou o leitor autoridade, a quem de modo especial ele é dirigido. Daí certamente a razão de só me entregar à sua redação por último. O jornal já no ponto de ser enviado ao prelo.

Tais divagações vêm à baila não apenas para justificar a veemência com que as três últimas edições focaram o amadorismo da gestão pública, mas também para dar realce ao esclarecimento enviado a esta redação por Donizete de Paula, editor da Gazeta Tijucana e um dos realizadores do 4º Encontro de Motociclistas. Seu texto, publicado na página 05 desta edição, mereceu destaque especial neste espaço de opinião. Não fosse o convite desse dinâmico jornalista para que eu colaborasse no seu então DPR News, este modesto escriba jamais se teria metido na seara jornalista e, menos ainda, na ousada tentativa de seguir os passos do intrépido Zezé Neves, fundador do jornalzinho criado como um dos sustentáculos do Pão de Santo Antônio. Mas a vida é esta. Quando nos damos conta já nos enveredamos por caminhos nunca dantes nem sonhados...

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 688, de 18 de outubro de 2014

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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Voz de Diamantina: ainda sobre o amadorismo institucional diamantinense

Capa (59)

Que dificuldade tenho tido para descartar um assunto que se vai institucionalizando neste velho e, às vezes, anacrônico burgo. Refiro-me à primariedade com que o turismo vem sendo tratado em Diamantina. Principalmente em seu dessincronizado e, às vezes, mutante calendário de eventos. Em editorial recente, comentei sobre o Seminário do Cedeplar que desde 1982 é aqui sediado. Durante sua 16ª edição, Diamantina perdeu um congresso com 1000 inscritos por falta de diálogo com gestores de eventos e entidades ligadas ao turismo. Seus frustrados participantes só descobriram que ele não aconteceria aqui quando tentaram fazer reservas nos hotéis. Que já não tinham vagas.

A estrutura hoteleira e gastronômica de Diamantina só comporta um evento médio em cada fim de semana. Como todo mundo sabe, a vesperata é um deles. Hotéis, pousadas, pensões, repúblicas e casas de família é que tornam possível sua realização. Mas, e se, diferentemente dos 1000 congressistas que partiram para outras bandas, algum outro evento ocorrer simultaneamente com uma vesperata, haverá algum mal nesse acúmulo? Para a Secretaria de Cultura, Turismo e Patrimônio - nada de mais! Tanto assim que ela não só apoiou o 14º Encontro Nacional de Motociclistas de Diamantina para o fim de semana de uma das últimas vesperatas do ano, sabidamente mais concorridas, como ainda permitiu que atrás de suas barracas de adereços para motociclistas, bugigangas e tira-gostos, erguidas na Praça do Mercado, se lavassem pratos e vasilhas, se derramassem panelas de óleo em bueiros, se tomasse banho de mangueira e se montassem barracas, numa degradação que só não viu quem não quis ou achou aquilo bonito e muito natural.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 687, de 11 de outubro de 2014

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Leia nesta semana na Voz de Diamantina

Capa (58)

Apesar de o editorial anterior ter versado sobre o engatinhar de Diamantina na área de grandes eventos, não há como descartar o assunto sem acrescentar que este patrimônio da humanidade tem tratado com amadorismo a valiosa e forte vocação turística que a história, a cultura, a religiosidade, as tradições, a gastronomia, a arquitetura e seu jeito de ser lhe concederam. Na semana passada, eu enaltecia a realização de um evento que desde 1982 é aqui sediado. Em sua 16ª edição bianual trouxe à cidade 700 participantes, ofereceu espaço para que artesãos da região vendessem seus produtos e proporcionou a congressistas e anfitriões dois magníficos espetáculos musicais. Mas quando se sabe que um congresso da Maçonaria com mais de mil inscritos teve de ser cancelado quando seus participantes não conseguiram vagas em hotéis em razão do Seminário da Cedeplar, alguém, ingenuamente, poderá argumentar que tão lamentável perda ocorreu fortuitamente. O que não passará de tolo desejo de enganar-se a si mesmo. Falhas como esta revelam claramente que a cidade, como um todo, não está afinada, sincronizada, em diálogo inteligente, constante, produtivo.

Tais digressões vieram à tona menos pelo grande movimento de visitantes que os olhos viam e mais pelos alertas à degradação urbana que a sensibilidade registrava. De fato, em meio a centenas de motocicletas de variadas e altíssimas cilindradas manejadas por jovens, adultos e maduros pilotos em bonitas vestimentas de couro, de botas, luvas, óculos, vistosos capacetes e outros sofisticados apetrechos que tão bem caracterizam os amantes das aventuras sobre duas rodas motorizadas, quem imaginaria que no glorioso rasto dessa tribo alegre e afoita - cujo prazer é dar asas às suas poderosas máquinas - um bando de outros personagens degradava o Largo do Mercado Velho, point do 4º Encontro Nacional de Motociclistas de Diamantina?

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 686, de 04 de outubro de 2014

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Leia nesta semana na Voz de Diamantina

Capa 1 (2)

De um mês para cá, os diamantinenses mais atentos (ou nem tanto) devem ter notado o grande movimento de turistas na cidade. Acostumados a vê-los, neste frenesi, apenas em dias de vesperata, talvez nem tenham desconfiado que sua presença neste velho e festejado burgo se devia a uma das mais poderosas ferramentas que movimentam o mundo dos negócios: o turismo de eventos. Que, na cidade de São Paulo, a mais preparada do país para esse tipo de empreendimento, preenche todo o ano com mais de quatro mil congressos, simpósios, seminários, ou que outro nome se lhe dê. Imagine-se o número de pessoas e empresas especializadas na organização, na oferta de bufês, de equipamentos e espaços para a realização de pequenos, médios e grandes encontros comerciais, científicos e culturais envolvido nessa dinâmica e lucrativa engrenagem comercial.

Quando Diamantina recebeu, há poucos dias, a formidável estrutura logística do 22º Rally dos Sertões, que esgotou sua capacidade hoteleira, seguido de perto pela Semana JK, que tantas autoridades e personalidades trouxe ao nosso convívio e, nestes dias, pôde contar novamente com o Seminário de Diamantina, aqui promovido pela Cedeplar desde 1982, minhas lembranças voaram até os anos 1980, ao ousado 1º Seminário de Estomatologia da Fafeod. Numa época em que nossa estrutura hoteleira, gastronômica e de serviços era insignificante. Como esquecer a valente atuação da visionária professora Mireile a motivar toda a comunidade a colaborar, descobrindo locais que seriam transformados em refeitórios, em auditórios de palestras, em ambientes de múltiplas reuniões ou de descontração social que atendessem perto de 700 participantes?

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 685, de 27 de setembro de 2014

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Voz de Diamantina: Medalha JK, momento de civismo, reflexão e saudosismo

Capa (14)

Instituída por lei há quase 20 anos e, à semelhança de sua irmã primogênita criada para preservar e reverenciar a memória de um mineiro que morreu enforcado no dia 21 de abril de 1792 numa tentativa colonialista de sufocar os ideais libertários de uma Minas desde sempre altiva e insurreta, a Medalha JK é dessas cerimônias que têm o poder de suscitar aos que nela são agraciados, dela participam ou simplesmente assistem ao seu desenrolar elevados sentimentos de civismo num país em que os princípios éticos se esboroam gradual, progressivamente e, tudo indica, em caráter irrevogável.

Desde a meticulosa montagem das grandes estruturas que acolherão as autoridades maiores do estado e seus ilustres convidados, os agraciados com a Grande Medalha, a Medalha de Honra e os familiares por eles escolhidos para acompanhá-los, as áreas demarcadas para a banda de música, para os pelotões de cadetes em seus uniformes de gala, o imenso painel destacando a figura do personagem que inspirou a solenidade, as muitas bandeiras de Minas desfraldadas nas janelas, sacadas e locais proeminentes da Praça JK - todo aquele cuidadoso aparato festivo-marcial demonstra a seriedade, o capricho e o firme propósito com que o Palácio da Liberdade tem mantido viva na cidade, no estado, no país e no mundo a memória de um ex-presidente que impôs a um Brasil rural e provinciano plena rota de desenvolvimento e o transformou em nação conhecida, admirada e respeitada em todos os confins do planeta.

Morto em agosto de 1976, Juscelino nunca esteve tão vivo. Caçado e perseguido pelo golpe militar de 1964, Juscelino nunca foi tão admirado e cultuado. Impedido de concorrer à reeleição em 1965, Juscelino nunca foi tão ansiado e reconhecido como o melhor, mais maduro e arrojado presidente que o país lamentavelmente não pôde voltar a ter.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 684, de 20 de setembro de 2014

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Diamantina, de notável protagonista a mero cenário de grandes acontecimentos

Leia na Voz de Diamantina:

Capa (13)

Na tarde da última sexta-feira, 29 de agosto, a enorme área em frente à Churrascaria Pau de Fruta, no Alto do Guinda, transformou-se em movimentado ponto de convergência do 22º Rally dos Sertões. Centenas de vans, caminhões e carretas compunham uma formidável estrutura logística de manutenção, reparo e substituição de peças das quase duas centenas de carros, motos, quadriciclos, UTVs e caminhões que participavam da mais importante prova off roads do país e da que mais tem chamado a atenção e atraído o interesse de pilotos de todo o mundo. Percorrer os labirintos formados entre os enormes e bem equipados veículos de apoio à 6ª etapa da concorrida competição-aventura era conviver com logomarcas internacionais de combustíveis, lubrificantes, aditivos, pneus, amortecedores, velocímetros e todo o diversificado universo de peças e produtos da crescente e sofisticada indústria automobilística e suas ramificações complementares. É realmente notável o crescimento e o grau de referência de um evento que, poucos anos atrás, atraía número infinitamente menor de participantes, tinha pouca projeção nacional e quase nenhuma internacional. Basta lembrar que em outras vezes que passou por Diamantina, era comum ver seus veículos estacionados nas ruas centrais da cidade, alguns deles até em manutenção. Houve um ano em que a concentração para chegada e partida de pilotos se deu no Largo Dom João, algo impensável na atualidade.

Enquanto me empolgava com a evolução e a importância global que o Rally dos Sertões vem ganhando e tinha notícia do incremento ao turismo de aventuras que ele proporcionou à cidade ao incluí-la novamente como uma de suas sete etapas, punha-me a relembrar dos tempos inesquecíveis em que Diamantina deu a maior virada em seus destinos econômicos, culturais e de cidade polo de uma vasta região. Uma das épocas mais decisivas para o futuro deste velho e então desesperançado burgo, quando o garimpo se exauria no mesmo compasso em que germinava a esperança de uma Diamantina universitária, brindada pelas benesses da Sudene e com as potencialidades turísticas turbinadas pelo honroso e disputado título de patrimônio cultural da humanidade. Hotéis, pousadas, bares restaurantes, lojas de artesanato, receptivos surgiram na mesma proporção da fé e da confiança dos muitos empreendedores. Acompanhando essa animação empresarial, casas do centro histórico se transformaram em lojas, vetustos casarões abriram suas portas para agências bancárias e órgãos federais, e os preços de imóveis e de aluguel subiram como nunca.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 682, de 06 de setembro de 2014

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Voz de Diamantina: o desdenhado poencial do caminho dos escravos

Capa (12)

Se defender o potencial turístico de Diamantina é ser rabugento, sou o campeão da rabugice. Se apontar a cegueira de nossos gestores para um dos maiores atrativos da cidade é ser chato, repetitivo, ranheta, sou recordista neste exercício crítico. Transcrevo na página 05 desta edição o texto “O Caçador de Tesouros”, publicado na Gazeta Tijucana em junho de 1994, que ressalta o sortilégio a que parecem atrelados os desígnios da Terra dos Diamantes em contraponto à abundância mineral com que a natureza emprenhou suas entranhas. Escrito há 20 anos, este velho artigo ainda guarda o poder de revelar o amor, a fidelidade e a determinação de um diamantinense para recuperar as ruínas de um monumento que encarna os primeiros vestígios da Estrada Real, e de descortinar a saga do ciclo do diamante - em que o despotismo, a miscigenação e o espírito libertário moldaram as raízes da mineiridade - irmã gêmea da diamantinidade.

Mas o que de especial fez Zulmiro Ribas, o protagonista do citado escrito? Propôs restaurar o lendário, mas desconhecido e arruinado Caminho dos Escravos, às próprias custas. Ao saber daquela sua generosa pretensão, o prefeito da época assumiu as despesas com a mão de obra, deixando a seu cargo a supervisão da empreitada. Mais um século passará sem que um cidadão diamantinense mostre tamanho desprendimento, e algum prefeito deste velho e desnorteado burgo demonstre o tirocínio que tornou possível a restauração do belíssimo trecho do Caminho dos Escravos que, serpeando na Serra dos Cristais, desce até a beira do Jequitinhonha, no distrito de Mendanha.

Aquela foi, sem dúvida, a mais importante e barata obra de toda a gestão do prefeito Iraval. Que nela empregou cinco operários, alavancas, enxadas, picaretas, padiolas, carrinhos de mão e nada mais. A recuperação daquele pequeno e monumental trecho destacou o Caminho dos Escravos como um dos maiores atrativos ecológicos, turísticos e históricos do país. Ao saber que Zulmiro Ribas se dispunha a comprar um veículo para transportar os operários e supervisionar graciosamente a recuperação do caminho até Mendanha, o recém-empossado prefeito João Antunes se entusiasmou com a ideia. Que, entretanto, morreu no nascedouro e foi sepultada pelo seu poderoso vice-prefeito.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 681, de 30 de agosto de 2014

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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Voz de Diamantina: um país descrente de seus homens públicos

Capa (57)

Eu já sou desses idosos que vivem sua última década. Com pouquíssimas chances, aliás, de que a vejam chegar ao seu último ano. Sou também do reduzido grupo de brasileiros obrigados a votar. E, mais ainda, componho o cada vez mais restrito e crédulo punhado de gente que teima em ir às urnas e lá depositar seu voto espontaneamente, apesar de já liberado desse múnus constitucional. Quase todos nós que alcançamos sete décadas de existência praticamos esse ato de cidadania porque fomos criados fiéis a outros valores e nos rendemos, desde cedo, à crença de que o voto - rebaixado a mero dever cívico - é a mais forte, autêntica e pacífica arma da democracia. Assim como o voto em branco e sua anulação se constituem no mais inconsequente aval aos políticos demagogos, de carreira, profissionais. Ou seja, quase todos eles.

À semelhança de grande parte dos brasileiros, nós também repudiamos a propaganda eleitoral gratuita. Do mesmo modo, nos revoltamos com a dinheirama gasta por empresas públicas e paraestatais na embusteira tentativa de endeusar falsos, megalômanos e perdulários patrões governamentais. O que, entretanto, nunca nos esmorece de exercer a prerrogativa cidadã de eleger vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e presidentes da República, a não ser que nos falte a saúde e se apaguem das nossas consciências os mais elementares fluxos de honradez e vitalidade.

Tais realidades me afloram à mente a poucos dias do início da propaganda eleitoral gratuita, em que minutos de exposição na mídia foram imoralmente comprados ou barganhados por cargos bem remunerados, nomeações em altos escalões num vergonhoso comércio de favores, de prestígio, de facilidades que tanto apequenam a nação.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 679, de 16 de agosto de 2014

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Voz de Diamantina: Diamantina desdenha justos e devidos momnumentos

Capa (11)

Apesar de elevada a Patrimônio Cultural da Humanidade, Diamantina não pode gabar-se de erigir e, muito menos, de preservar monumentos. Quem não se lembra do busto de Francisco Sá entronizado em artístico pedestal na Praça do Bonfim? Que é feito dele? Ninguém talvez saiba. Nem o ex-prefeito Gustavo que, pessimamente assessorado pelo Programa Monumenta e pelo Iphan, retirou-o de sua nobre posição, jogou-o, de qualquer maneira, no adro da Cadeia Velha e por lá o deixou jazer como desprezível resto monumental de quem trouxe para Diamantina o ramal da EFCB, para contrariedade do Serro e de outras cidades da região. Mesmo que localizado n’algum monturo, será difícil remontá-lo, pois cada peça de sua excelente cantaria tem lugar certo para se encaixar.

Ao citar essa criminosa dilapidação da memória local, veio-me à lembrança Raymundo Cyrillo. Ele mesmo, que alguns prefeitos, irritados com a lucidez de sua visão, chamavam de desocupado. Pois bem... Ao ler um texto de minha autoria sobre os tempos do tropeiro, cujo final conclamava Diamantina a erguer um monumento a esse intrépido desbravador das Gerais, Raymundo perguntou-me se não seria tão ou mais justo prestar a mesma homenagem ao garimpeiro, protagonista dos 300 anos da história econômica de Diamantina. Respondi-lhe que sim, sem titubear. Que fez então o misto de piloto, fotógrafo e bom diamantinense? Com dois pequenos brilhantes e algumas gramas de ouro ganhas de seus amigos Geraldo Coelho e Zulmiro Ribas, mandou fazer um par de brincos que sorteou rapidamente e, com o resultado, encomendou a Petit Georges um monumento ao garimpeiro. O artista plástico de apelido francês, mas argentino da gema, cuja trajetória pode ser lida em artigo publicado na página 05 desta edição, pôs mãos às obras em sua virtuosa procura de ligar o aleatório ao racional, como ele próprio sintetiza seu trabalho.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 678, de 09 de agosto de 2014

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sábado, 2 de agosto de 2014

Olhar local: Iniciativa visa resgatar 80 anos da memória da tipografia e do jornalismo mineiro

Fonte: Jornal Hoje em Dia (clique aqui)

Olhar local: Iniciativa visa resgatar 80 anos da memória da tipografia e do jornalismo mineiroA libertação de Paris do domínio nazista desencadeia uma reação popular de júbilo em Diamantina. A carreira política de JK – bem como seus hábitos notívagos – é acompanhada em seus mínimos detalhes. Já a publicidade – por meio de ilustrações – aponta para uma fonte de estudos de variedades dos costumes e hábitos de consumo daquela época.

Esses fatos, que já fazem parte da história mundial e brasileira, estiveram sob o olhar vigilante de “O Pão de Santo Antônio”, jornal fundado em 1906 e sucedido, após a década de 1930, pelo “Voz de Diamantina”. Pois bem, cerca de 4 mil exemplares desses jornais tipográficos, impressos por esse método até 1990, passam, agora, por um processo de restauração, já em sua fase final.

Professora do curso de Conservação-Restauração da UFMG, Ana Utsch lembra que, além da importância dos jornais, relativa ao modo de produção tipográfica, o acervo tem uma relevância grande exatamente pelo fato de ser uma fonte da história do século 20 no Brasil e no mundo com a dimensão do olhar local. “Por exemplo: recentemente, identificamos, em um exemplar da década de 1940, uma exaltação que aconteceu em Diamantina para comemorar a retomada de Paris e a resistência francesa, e há uma narrativa descritiva com personagens. E todo o percurso político de Juscelino Kubitschek pode ser também identificado nesses jornais, desde o início de sua carreira política, na qual é apresentado quase sempre como um herói”.

Até anedotas da vida íntima de JK são encontradas nos exemplares, como o seu hábito de “não dormir”, explica Ana Utsch, que reforça a necessidade de conservação desse material histórico. “O projeto nasceu do desejo de conservar, restaurar preservar e divulgar um acervo relativo ao patrimônio gráfico de Diamantina que foi constituído através de longa atividade editorial com o nascimento do jornal ‘Pão de Santo Antônio’, criado pela associação Pão de Santo Antônio, em 1906, e impresso em tipografia até 1990”. De 1906 a 1933, o jornal circulou com o nome de “Pão de Santo Antônio”, mas sua edição foi interrompida e, quando voltou às bancas, como já dito, adotou o nome de “Voz de Diamantina”.

Em 2015, o Museu da Casa do Pão de Santo Antônio

O projeto de resgate é ambicioso: todo o acervo documental já foi totalmente digitalizado e vai se transformar numa espécie de biblioteca eletrônica, podendo ser consultada em qualquer lugar do mundo.

Não só. “Todo o material tipográfico está passando por um processo de restauração, os equipamentos remanescentes do jornal como prelo de provas, cavaletes com títulos para composição tipográfica, uma grande máquina impressora do século 19”.

Responsável pela coordenação de equipe de restauradores, designers, historiadores e museógrafos, Ana Utsch ressalta também que será criado um “museu ativo”: o Museu da Casa do Pão de Santo Antônio, previsto para o início do ano que vem. Nele, será produzido um jornal de memória dedicado à imprensa tipográfica e a temas específicos da história do jornalismo de Minas Gerais e do Brasil.

O jornal “Voz de Diamantina” circula aos sábados, é impresso em gráfica moderna – e mantém cativa uma legião de leitores. Caso de José Walter da Silva, assinante do jornal há mais de 40 anos. “O principal (motivo) é ajudar a instituição. Mas o interessante é que é uma voz local, que traz as coisas pitorescas da região”, diz o aposentado, 81 anos, assíduo leitor das crônicas do Quincas. Vale lembrar que a associação Pão de Santo Antônio, proprietária do jornal, mantém um asilo.

Editor do jornal há 14 anos, Joaquim Ribeiro Barbosa diz que a preocupação é abastecer o semanário com notícias da cidade e da região. “E também ter um senso crítico sobre a administração da cidade, principalmente por ser um patrimônio cultural da humanidade”, reforça Barbosa, 72 anos.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

No 113º aniversário do Pão a Voz ab re 14 anos de recirculação

Capa (10)

Desde que a Voz de Diamantina voltou a circular experimentalmente no dia 14 de julho de 2011, durante as comemorações do centenário do Pão de Santo Antônio, este editor sempre registrou cada ano do ressurgimento deste jornalzinho criado pelo benemérito Zezé Neves nos albores do século XX. Há três anos, porém, essas marcas deixaram de ser anunciadas, talvez por esquecimento ou porque outras notícias se impuseram à sua editoração. Mas a missa dominical do dia 13 julho na Capela do Pão de Santo Antônio foi celebrada em ação de graças pelos 113 anos de existência do mais velho asilo de Diamantina, cuja fundação se deu, de fato, em 14 de julho de 1901.

Durante a missa e, principalmente quando o celebrante lembrou a importância da data e enalteceu o papel do Pão de Santo Antônio no recolhimento de idosos carentes, perpassaram-me pela mente algumas outras conquistas da filantrópica instituição nestes últimos tempos. Despontou em minhas lembranças que a Voz de Diamantina completaria, em sua edição de 26 de julho, 13 anos de circulação ininterrupta, e abriria, neste sábado, 02 de agosto, o 14º ano em que tem sido postada aos seus assinantes, anunciantes e leitores infalivelmente nas últimas 677 sextas-feiras. Da parte deste modesto e despreparado escriba que se meteu a jornalista já nem tão jovem, esta ousada tentativa de seguir os passos de Zezé Neves e de cônego Wálter muito o orgulha, apesar de suas limitações; por outro lado, mesmo desafiando a decrepitude que os anos lhe impõem, ele continua à procura de um sucessor para um jornal que, no dizer de seu fundador, nascia para defender Diamantina e sua gente.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 677, de 02 de agosto de 2014

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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Voz de Diamantina: Semana de Inverno desnudou uma Diamantina culta, alegre e festeira

Capa (9)

Há males que vêm para bem. Neste ano friorento como já de muito não se via, Diamantina parece ter vivenciado esse ditado. Sem nenhuma frustração e, até mesmo, com renovada confiança. Trata-se da 1ª Semana de Inverno que teve início no dia 14 e encerramento no domingo, 20 de julho. Pouca gente conseguiu assistir a todos os eventos de sua boa e variada programação. Além das seis oficinas que iam de terça a sábado, com duração média de quatro horas, igual número de peças teatrais e concertos musicais cobriram toda a semana. Com uma característica muito positiva: não apenas ambientes e igrejas do centro serviram de palco para as apresentações. Os bairros da Palha, do Bom Jesus e do Rio Grande foram também prestigiados com peças ao ar livre na quadra esportiva, no adro da igreja ou na praça principal desses bairros. E nem ficou de fora o festeiro Curralinho. Brindado, aliás, com o lançamento de mais um livro da poetisa curralinhense Beth Guedes e diversos shows com artistas de primeira linha.

Mas preencher criativamente o mês de julho não era tarefa fácil para a prefeitura. Dificuldade acrescida pela época em que a UFMG decidiu anunciar a volta de seu Festival de Inverno para Belo Horizonte, apesar da promessa de seu reitor de continuar a fazê-lo aqui. Nada como o desafio de vencer o imprevisto. Num prazo tão ou mais curto do que o dinheiro disponível para produzir um festival local. Se até mesmo a UFMG vinha capengando para atrair patrocinadores, o que dizer deste velho e modesto burgo? Foi então que se acenderam as velas da imaginação.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 676, de 26 de julho de 2014

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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Voz de Diamantina: 1ª Semana de Inverson, uma iniciativa já muito aguardada

Capa (8) ”Da manhã ao entardecer de domingo o Festival foi encerrado com a participação de grupos folclóricos locais e de outras cidades. Ou seja: os mesmos talentos que se preocuparam em valorizar esses fortes valores de raiz se acumpliciaram com a destruição de duas das mais caras tradições diamantinenses: a vesperata e a hospitalidade. Que o magnífico reitor da UFMG, cujo discurso no Teatro Santa Isabel tanto impressionou, sopese com muito discernimento os descaminhos em que o mais antigo e importante Festival de Inverno vem se enveredando. Sua pronta, corajosa e enérgica atuação é a única esperança de que progressistas mestres e doutores não venham a sepultá-lo desastradamente”.

Esta frase encerrou o editorial que descreveu a Inesperata, infeliz provocação com forte viés de militância política-sindical que maculou o último Festival de Inverno da UFMG realizado em Diamantina. Paradoxalmente, na cerimônia de abertura daquele sempre bem-vindo acontecimento, nunca um prefeito externou tanta cortesia, fineza e receptividade a um reitor da UFMG, ao pronunciar sua elegante e inspirada oração de pé, e explicar ser este um velho costume diamantinense durante a leitura do evangelho, a execução do hino nacional e em solenidades que exigem respeito. E que ele assim procederia em reverência às oportunidades culturais que a UFMG tem oferecido a Diamantina através do Festival de Inverno.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 675, de 19 de julho de 2014

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