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terça-feira, 1 de julho de 2014

Campanha pelo resgate da verdade e a honra de JK

 Como todos os Reis, Imperadores ou Presidentes de um País, Juscelino Kubitschek de Oliveira é patrimônio do Brasil.

Seus governos como prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais e Presidente do Brasil trouxeram como marcas o compromisso com a construção de nossa República, a modernidade, a independência, o compromisso com a justiça social e especialmente com o desenvolvimento econômico, além do respeito à Constituição e a mais ampla garantia de liberdade para todos.

Mais do que isso, JK contagiou o povo brasileiro com uma enorme alegria e esperança em si próprio, como senhor de seu destino, projetando o Brasil em um novo lugar junto às mais brilhantes e generosas civilizações planetárias.

Essa imensa fé despertada no povo brasileiro por JK trouxe-lhe aliados e adversários poderosos; esses últimos perseguiram-no de maneira implacável e sistemática até a sua morte, em 1976.

Vítima de inúmeras acusações infundadas, teve seu mandato de Senador cassado, foi encarcerado e exilado.

Até pouco tempo atrás, as circunstâncias de sua morte ainda estavam cercadas de dúvidas, mas hoje existem inúmeros documentos e depoimentos que comprovam sua ligação com a política de perseguição do Estado durante o Regime Militar, como demonstrado pelo relatório da Comissão da Verdade Vladimir Herzog (veja aqui).

Durante e após sua vida pública, jamais foi provada qualquer acusação feita contra JK, mas sua honra foi deliberadamente destruída. Uma investigação presidida por J. B. Figueiredo chegou à conclusão definitiva de sua inocência. No entanto, esse resultado nunca foi publicado oficialmente.

Recentemente, o Estado brasileiro fez valer o direito à memória e à verdade em relação ao nosso passado. Isso está nos permitindo honrar a memória de cidadãos brasileiros, famosos ou não, vítimas do arbítrio e da força de um regime que se voltou contra seus compatriotas, suas liberdades de expressão e seus sonhos.

É fundamental para o Brasil, para sua história, para seu povo, que o Presidente Juscelino Kubitschek tenha sua honra resgatada de forma indiscutível, e que a grandiosidade de sua obra oferecida ao país e injustamente perseguida seja restaurada a seu crédito.

Assim, na qualidade de cidadãos brasileiros, requeremos à Presidenta Dilma Rousseff e às demais autoridades competentes:

   1. O reconhecimento de que JK foi injustamente acusado, perseguido, humilhado, encarcerado e assassinado por uma política de Estado;

   2. A realização, com as mais altas autoridades da República, da cerimônia de revogação da cassação e devolução simbólica do mandato de Senador da República, bem como de todos os seus direitos. A anistia concedida anteriormente é inadequada neste momento;

   3. A realização de uma cerimônia de sepultamento oficial de JK, com todas as honras públicas concedidas a um Chefe de Estado (honras militares, religiosas, sociais).

Para alcançar a grandeza do nosso presente, é preciso corrigir os erros do passado, mesmo com cinquenta anos de atraso, porque só assim teremos respeito, confiança e liberdade para continuar a obra dos nossos pais e preparar o País dos nossos sonhos.

Saiba mais nos links abaixo:

Assine o abaixo-assinado: http://www.verdadesobrejk.org
Mais informações: https://www.facebook.com/presidentejk
Um presidente foi assassinado I: https://www.youtube.com/watch?v=1rLAT...
Um presidente foi assassinado II: https://www.youtube.com/watch?v=Olvv4...
Um presidente foi assassinado III : https://www.youtube.com/watch?v=Udv6c...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Morte de Juscelino foi causada por acidente, diz Comissão da Verdade

Fonte: G1 (clique aqui)

Após dois anos de investigações, a Comissão Nacional da Verdade afirmou nesta terça-feira (22) que, segundo apurou, o governo militar (1964-1985) não teve participação na morte do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek, ocorrida em 1976. Havia suspeitas de que JK tivesse sido vítima de um atentado.

A primeira das seis conclusões a que chegou a comissão aponta que o veículo Chevrolet Opala, placa NW-9326 RJ, que conduzia Juscelino e seu motorista Geraldo Ribeiro pela Via Dutra, rodovia que liga São Paulo a Rio de Janeiro, colidiu frontalmente com uma carreta Scania Vabis, placa ZR-0398-SC, após ter sido atingido por um ônibus. O acidente, ressaltou o grupo, provocou a morte do ex-presidente e de seu motorista.

"Não há nos documentos, laudos e fotografias trazidos para a presente análise qualquer elemento material que, sequer, sugira que o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e Geraldo Ribeiro [motorista de JK] tenham sido assassinados, vítimas de homicídio doloso", diz o relatório divulgado pela comissão.

"O conjunto de vestígios materiais indica que o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e Geraldo Ribeiro morreram em virtude de um acidente de trânsito", concluiu o documento.

Os integrantes da Comissão da Verdade investigavam a morte de Juscelino desde 2012, quando a Seção de Minas Gerais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu para o colegiado apurar as suspeitas de que Juscelino havia sido assassinado. Indícios apontavam que a morte poderia não ter sido um homicídio.

Para chegar à conclusão anunciada nesta terça, a comissão se reuniu com o perito criminal Sergio Leite, que confeccionou o laudo do local do acidente.

O grupo também conversou com o médico legista Márcio Cardoso, que realizou o exame da ossada de Geraldo Ribeiro, o motorista que dirigia o Opala onde estava JK. Na versão oficial, o veículo que conduzia o ex-presidente foi atingido na Via Dutra por um ônibus e, na sequência, colidiu contra uma carreta, provocando a morte de JK e de seu motorista.

Clique aqui para ler a reportagem completa e ver o vídeo.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Quase 40 anos depois, permanecem duas teses para a morte de JK

Fonte: Estado de Minas – 15/12/2013 (clique aqui)

As três gerações de peritos que analisaram as circunstâncias da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em um acidente de carro, em 22 de agosto de 1976, não têm a menor dúvida sobre o que ocorreu naquele fim de tarde de domingo no quilômetro 165 da Via Dutra. Todos eles afirmam, categoricamente, que a tragédia foi resultado de uma batida de trânsito comum, em que o Opala dirigido pelo motorista do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, perdeu o controle e atravessou o canteiro central da estrada após ser atingido, de leve, por um ônibus da Viação Cometa. O carro acabou colidindo com um caminhão no sentido contrário. Na última terça-feira, a Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo aprovou um documento com 90 pontos com supostos indícios de que a morte do ex-presidente foi resultado de uma conspiração dos militares.

Os peritos que prepararam os laudos na época do acidente ganharam o respaldo de quatro outros profissionais que fizeram a exumação do corpo de Geraldo, em 1996, e de dois peritos que auxiliaram os trabalhos de uma comissão especial criada no Congresso para investigar as causas da morte de JK, em 2001. O colegiado foi presidido pelo então deputado federal Paulo Octávio, casado com Anna Christina Kubitschek, neta do ex-presidente.

Sem acreditar que a morte de JK foi consequência de uma batida de carro comum, seu ex-secretário Serafim Jardim, autor do livro Juscelino Kubitschek — Onde está a verdade?, pediu a exumação do corpo de Geraldo em 1996, após a morte de dona Sarah Kubitschek. Uma das versões, até hoje não comprovada, é de que o motorista levou um tiro na cabeça e, por isso, perdeu o controle do carro e bateu no caminhão. O tiro teria partido de um veículo Caravan, que emparelhou com o Opala na pista. Porém, a perícia feita nos anos 1990, em um trabalho assinado por quatro profissionais, derruba essa tese.

Clique aqui ára ler reportagem completa.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Discurso oficial de Juscelino Kubitschek no 53º aniversário da Sociedade União Operária Beneficente (1944)

Assistência numerosa e seleta tomou literalmente dia 1º os salões da União Operária, naquele dia comemorando o 53º aniversário de fundação.

Constituída a mesa, tomou a presidência de honra o Sr. Prefeito, Dr. Luiz Kubitschek de Figueiredo. Único sobrevivente dos fundadores, o Sr. Antônio Pádua de Oliveira, a convite, fez parte da mesa.

O Sr. Presidente nomeou a comissão que conduz o orador oficial, Dr. Juscelino Kubitschek à tribuna de honra.

Conferidos os diplomas aos novos sócios, entra o orador oficial a proferir o seu discurso.

Na falta do 1º orador, o Sr. José Joviano de Aguiar é encarregado, em nome da União Operária, a fazer os agradecimentos.

Na palavra franca, o Sr. Dr. Juscelino Kubitschek convida aos presentes para uma reunião naquele mesmo local.

O Senhor Prefeito de Belo Horizonte assim falou:

Aqui estou, velha e gloriosa União Operária, para cantar com as vozes profundas do teu passado, a glória semi-secular de teu presente. Neste mesmo recinto, sob as luzes festivas de uma data igual a esta, há oito anos passados, aqui me encontrava falando-vos como hoje, e como hoje sentindo a tépida atmosfera de nossas virtudes humanas e cristãs. Andava em cheio a campanha eleitoral pela conquista das posições municipais do pleito ferido em 1936. Todos os diamantinenses se empenhavam com calor e sinceridade na luta e com o destemor e dignidade tão fundamentais no caráter de nossa gente. Os grupos se separavam, buscando cada um a fórmula que no seu entender melhor satisfizesse as aspirações naturais de nossa Terra. Naquela noite memorável, que precedeu de uma semana apenas o encontro eleitoral mais disputado dos novos tempos de Diamantina, desta mesma tribuna, dirigia eu a minha palavra aos associados desta grande instituição, numa hora em que, para mim, no exercício do sagrado mandato popular, procurava congregar todos os elementos de minha Terra em torno do Governo Benedito Valadares.

Posso dizer, com prazer e orgulho, senhores, que nenhum homem público guardará nas atividades políticas impressão mais nobre e mais bela do caráter de seu povo do que eu, naqueles tempos que já se vão diluindo na sombra do esquecimento. Efetivamente, nos dois grupos em luta dominava apenas um pensamento: erguer sobre a força imponderável e dominadora de nossas tradições o monumento perene do progresso de Diamantina. Acesa a contenda, jamais se rebaixaram os lutadores a golpes mesquinhos ou menos nobres. E passada a refrega, num gesto de rara elegância e de lúcida superioridade, os adversários se deram a mão, jurando sobre o amor que todos devotam à nossa Terra, que acima dela e contra ele não prevaleceriam incompatibilidades nem ódios inúteis e improdutivos.

E talvez seja esta a única cidade do Brasil em que sobre qualquer outro sentimento predomine o amor à terra-mãe e aos seus altos e definidores rumos cívicos. E prova disto, senhores, é que dentre os acontecimentos espirituais de minha vida, nenhum sobreleva a circunstância tão grata ao meu coração de verificar que posso, fraternalmente, apertar a mão de cada um dos meus conterrâneos, tenham estado eles num ou noutro dos campos em que se dividiu a cidade. Não pode e nem poderá haver mais alta compreensão de deveres cívicos do que esta, e coisas assim só se passariam sob a doçura abençoada do grande céu que se arqueia sobre as lindas paisagens de nossa Terra.

Os diamantinenses são todos irmãos quando se joga no tabuleiro do interesse coletivo os anseios e as aspirações que palpitam, esparsas pelo ambiente da cidade.

E só assim se explica a cordialidade reinante entre todos os seus habitantes, fruto em grande parte do espírito de sua gente que às riquezas excessivas prefere sempre o tranqüilo e romântico deslizar da vida.

Entre a angústia dos que vivem a ambicionar posição e fortuna, na nossa alma cantam apenas singelos poemas de simplicidade e entre o aspecto material e grosseiro da vida, nós empunhamos tranqüilamente a lira e sabemos que pelas ermas horas de silêncio de nossas noites evocadoras o nosso coração e a nossa alma se podem libertar nas asas do sonho para os altos climas a espiritualidade.

Esta festa majestosa e incisiva acorda dentro de mim interrogações surpreendentes. O que era o mundo à época em que um punhado de homens, perdidos nestes rincões longínquos, idealizou e estruturou esta sociedade?

O problema social que a guerra de 1914 focalizou existia, apenas, latente no espírito de um reduzido grupo de predestinados. A humanidade regida por velhas fórmulas, tendo, através de um longo ciclo de vida fácil, esquecido os ensinamentos cristãos, se dividira em castas, da qual a mais humilde e desprezada era exatamente a do operariado. Nobres e burgueses se disputavam a posse do mundo, sob a proteção invencível do dinheiro. O direito era uma lâmina brilhante, porém de um gume apenas. E este se voltava, na maioria das vezes, contra o operário, contra o trabalhador silencioso, que nas horas de amargura de uma existência sempre falhada, ajudava a construir, sem que o reconhecessem, a grandeza e a prosperidade do Universo.

As vozes que ousavam levantar o brado de protesto contra as iniqüidades sociais eram abafadas, e no fundo dos cárceres, às vezes, pagavam a utopia de reivindicar para os que sofrem e lutam as bênçãos e as graças do conforto material e espiritual, privilégio, então de reduzido número de poderosos. Como tem sempre descido do alto das torres de Deus, pela voz sonora dos carrilhões católicos, a palavra de conforto e a imposição para que todos se julgassem iguais através de milênios, pelos púlpitos e pelas naves, pelas estradas e pelos templos, nunca se calou a voz dos herdeiros de Cristo. E se em alguns documentos humanos do valor da Rerum Novarum de Leão XIII, o problema era revelado nas claras luzes de uma solução, silenciosamente pelas cidades, aldeias, arraiais e povoados, onde quer que se ostentasse uma pequena ermida, havia sempre uma voz clamando pela agremiação dos homens, em sentimentos e instituições que lhes garantissem um equilíbrio social e ao mesmo tempo lhes lembrasse que afinal de contas, todos somos iguais e que a diferença social é apenas uma burla de que se servem os poderosos para, oprimindo os humildes, garantirem para si uma situação de domínio.

Esta máscara opressora vai caindo da face dos povos, a medida que o mundo vai se humanizando, começam os homens a sentir que a massa numerosa, densa e sofredora da classe operária precisa vir à tona, e se despindo das vestes sombrias de dores seculares respirar, a plenos pulmões, o mesmo ar cristalino e puro que era reservado apenas a reduzido número de felizes mortais.

Sabemos, porém, o preço dessas conquistas. Sabemos que a pregação cristã abriu o início da picada. Mas para transformá-la em avenida ampla e cheia de luz, milhões de corações cessaram de bater, regando com a púrpura candente de seu sangue, o solo dolorido de velhos e cultos centros civilizados.

Hoje, abrimos ainda um pouco atônitos, os olhos para o quadro desolador que a vida oferecia. E entre os albores que tingem o horizonte já se ouvem as vozes profundas, que anunciam o advento da nova era. E esta será, e a Deus pedimos que assim seja, a realização dos velhos sonhos, acumulados através de milênios de sofrimento.

Queremos que não haja no mundo as inúteis desigualdades sociais e que a todos, operários, intelectuais, industriais seja conferido idêntico direito à vida. Não se pode mais conceber que após labuta longa e sem resultados, o pobre operário, esfalfado e gasto pela peleja, vá somente encontrar num leito de esmola o repouso tão necessário aos seus músculos fatigados. Não se pode mais conceber que a família daqueles que viveram e morreram à sombra do infortúnio, receba como herança de uma vida afanosa, apenas o opróbrio da miséria e da fome, com o cortejo sinistro da desagregação moral que acarreta.

Felizmente, operários de Diamantina, esta época está no fim. Aposentadoria, férias, pensão para a família e justiça social já são uma tranqüila conquista do mundo operário. A sociedade não lhe pode fechar as portas como outrora o fazia e as leis sobre eles estendem, hoje, o manto protetor de seus direitos, tão vivos e sagrados como o dos eminentes nobres da extinta época medieval. No exercício de meu modesto mandato de prefeito de Belo Horizonte, abri algumas largas perspectivas no campo social da cidade que hoje governo.

Hospital Municipal, Restaurante Cidade, Assistência Popular Municipal, Lactários, Beneficência Municipal, Lar dos Meninos, e outras organizações de moldes sociais e humanos ficarão naquela cidade encantadora, como os marcos de uma fase social que mais ninguém poderá deter, e que gravarão na fisionomia palpitante e viva de Belo Horizonte o empenho e o carinho com que o seu prefeito procurou aflorar alguns dos mais graves problemas da hora atual. Tudo isto, porém, senhores, nós o executamos após sentir que nas pulsações o Universo penetrara um novo ritmo. Sobre o nosso espírito e bem dentro do nosso coração, neste século que outra coisa não foi ainda senão um imenso palco de mortes e de guerra, a chama inspiradora, voando de sofrimento em sofrimento, veio bater e iluminar os arcanos profundos de nossa alma, impondo-nos a tarefa e guiando-nos na rota a seguir.

A União Operária de Diamantina, porém, precedeu com uma profética antevisão dos fenômenos sociais, o grande movimento de organização e defesa de sua classe. Sem interrupções, através de decênios, morosa mas seguramente, conseguiu ela congregar o meio operário de Diamantina e dar-lhe a coesão que lhe garantisse relevo acentuado no nosso meio social.

Seguiu, inalteravelmente, a rota primitiva e nunca foi buscar em ideologias revolucionárias ou exóticas o estímulo para as suas conquistas. Modelou-se à sombra de Cristo, de cujos doces ensinamentos brotou a essência miraculosa de sua substância. Os operários que aqui se congregam têm no coração a imagem de Deus e da Família como um dogma moral indestrutível e a sua sobrevivência tão longa e fecunda vem demonstrar que as revelações do mundo de amanhã se devem fazer à luz do socialismo cristão, de modo que as desigualdades sociais desapareçam.

Que a aurora destes acontecimentos ilumine os espíritos como à entrada de Damasco o raio de Deus, penetrando na cegueira de São Paulo, riscou-lhe, para sempre, o rumo da verdade.

Em notável oração pronunciada no Ginásio desta cidade, o eminente reitor, Padre José Pedro, em normas de profunda sabedoria, aconselhava os alunos a não se deixarem dominar pela mentalidade de Creso, isto é, a não julgarem os homens pelo que eles possuem, mas pelo que eles são, acrescentando que nada há mais revoltante do que o cidadão cujo único ideal é ganhar dinheiro, mesmo que isso o leve à exploração do seu semelhante.

É contra esse revoltante materialismo que se erguem as forças cristãs, políticas, proletárias e humanas. O operário é um cidadão a cujo esforço e trabalhos devemos render a homenagem de nosso respeito. Ele é a alavanca do mundo. Isto que a União Operária de Diamantina proclamava há tantos anos penetra, finalmente, na esfera da compreensão do homem. Sois os pioneiros de um profundo movimento renovador. E com que dedicação e modéstia vindes realizando uma das mais fecundas conquistas do coração humano. Nesta cidade, numa noite longínqua de 1891, há mais de meio século passado, descia as escadas de uma residência em festa, sob o peso da humilhação, um operário que a sociedade repudiara, julgando-o de acordo com os cânones da época, indigno de ali penetrar.

À porta, encontra quatro conterrâneos, aos quais expõe a afronta aviltante que recebera. Os quatro se reúnem a mais cinco, que tangidos pelas virtudes profundas e fundamentais do caráter de nossa gente, fundam esta Sociedade, que doravante resguardaria de qualquer agressão, leais e devotados diamantinenses, sob cujos músculos, repousavam a energia construtiva de nossa cidade.

O tempo varreu os caminhos e carregou na poeira do aniquilamento oito destes generosos espíritos diamantinenses.

Um sobreviveu, porém – sob a sua fronte fatigada cantam ainda as aleluias de um espírito viril e forte e de suas mãos que a mística inspiradora da arte transformou em cinzéis atenienses, florescem as claras linhas de relevo que dão a Diamantina a glória de possuir o mais cintilante artista brasileiro, este grande coração que o carinho afetuoso de Diamantina designa por Antoninho de Pádua. Deus o conserve para nós como símbolo e expressão da nobre classe operária de nossa Terra.

Ao receber o vosso convite, transmitido pelo meu dileto amigo Ernesto Roque, em cujo sentimento se acende toda a beleza da generosa boemia de nossa Terra e em cujos cabelos a cor do luar já empresta reflexos de prata, eu vejo se espalharem o encanto e a buliçosa inquietação romântica de nosso temperamento, especialmente voltado para o mundo subjetivo das conquistas espirituais. Glória a vossa organização e louvores aos que a idealizaram e a vem mantendo dentro do espírito rigorosamente social, afastados de competições em que não entre, como tema fundamental, o apoio, a assistência e a elevação moral e social de todos os operários de Diamantina. Trazendo-me até aqui para conviver convosco estes instantes de sadia confraternização, rasgastes para o meu espírito mais uma destas auroras, à luz de cuja claridade eu vejo despontar a indecisa silhueta de velhos tempos, sobretudo daqueles em que por estas vetustas calçadas, eu passava a inexperiência festiva e sonhadora de minha adolescência. Naquelas horas longínquas, embalado na quimera de aspirações, algumas das quais a vida realizou, eu me perdia num mundo misterioso e vago, bebendo, na imaginação policroma dos grandes escritores da época, a seiva fecunda que me modelaria, pela vida afora, as diretrizes fundamentais do espírito mas, e isto não é segredo meu, pois que todos o sabem, os minguados recursos de minha pobre e peregrina mãe, eram insuficientes para me proporcionarem a aquisição de livros em que eu colhesse a linda flor da cultura. Nunca se perderão na minha memória reconhecida os silenciosos e tranqüilos serões que nesta casa eu fazia, recebendo dos velhos livros da modesta biblioteca que aqui mantínheis, as primeiras sementes da reduzida ilustração que vim a conquistar.

Algumas recordações juvenis se infiltram e jamais se apagam no painel de nossa imaginação. Assistindo, há pouco tempo, a exibição do grande filme Ben Hur, subitamente, mergulhei-me num grande sonho, no halo do qual eu me via entrando por uma noite fria e chuvosa na sala sobre a qual estamos e onde em pequenas estantes se alinhavam as lombadas acolhedoras de vossos livros. E foi ali, precisamente, que pela primeira vez pude ler, sob as mais vivas emoções, o delicioso romance que fixaria em minha memória, para sempre, as horas de encantamento que através de vossa modelar organização me foram dadas desfrutar. Não tenho expressões, pois, para vos agradecer. O meu coração é um mosaico colorido, em cada fragmento do qual há uma nota sensibilizadora, fecundada pelo carinho que Diamantina me tem dispensado, eu o mais modesto de seus filhos, porém, eu, o mais apaixonado pela glória de seu passado, pela grandeza de seu nome e pelos esplendores que ainda lhe reserva o futuro.

Fonte:

AHEAD – Jornal A Estrella Polar. Ano XLII. 04/06/1944. nº. 23. p. 01. col. 2-5. / p. 06. col. 4-5.

AHEAD – Arquivo Histórico e Eclesiástico da Arquidiocese de Diamantina.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Na histórica Diamantina de JK, Niemeyer é maltratado

Fonte: Brasil  247 – Clique aqui

Ironicamente, justamente na cidade natal do governante que encomendou a Niemeyer suas maiores obras, o desrespeito aos projetos é marcante. Um dos prédios passou por tantas reformas que nem mais é reconhecido pelo escritório do célebre arquiteto.

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Dimantina é a terra de Juscelino Kubitschek e, como se sabe, uma cidade histórica que conserva parte do seu patrimônio. Parte. Pois justamente imóveis projetados pelo maior arquiteto brasileiro da história, Oscar Niemeyer, estão em péssimo estado de conservação na cidade. Uma ironia que isso ocorra justamente na cidade onde nasceu JK, governante reponsável pelas encomendas públicas que originaram a Pampulha e Brasília -- duas das principais, senão principais, obras de Niemeyer, morto em 5 dezembro último, aos 104 anos.

O jornalista Ernesto Braga, do jornal Hoje em Dia, elencou os problemas com essas obras. O Clube Social, por exemplo, foi inaugurado em 1950, num projeto modernista em meio à arquitetura colonial de Diamantina. Hoje, está abandonado e é alvo constante de vândalos. A prefeitura da cidade alugou o espaço para uma academia de ginástica, mas as goteiras, nos dias de chuva, são comuns.

O problema mais sério vem de um imóvel de Niemeyer que hoje pertence à Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). O prédio passou por várias reformas e, hoje, não é reconhecido pelo escritório do famoso arquiteto brasileiro.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O anjo de JK

Fonte: Brasília em Dia (clique aqui)

JK de Diamantina ao Memorial”, mais um livro do historiador Affonso Heliodoro, lançado há duas semanas no Instituto Histórico e Geográfico de Brasília, em que junta a sua amizade com o presidente Juscelino Kubitscheck e o amor pela história, em tempo integral.

Para o coronel, que acompanhou o presidente e amigo, ele tem a convicção que nem tudo é festa de áulicos no poder. Existem, sim, pessoas dedicadas que procuram servir e não se servirem das posições que conquistaram, mantendo a fidelidade enquanto o mandato daqueles que os alçaram durar. Mas também existem aquelas pessoas que, sem o menor constrangimento, procuram outra plataforma para suas ambições no caso de o protetor do momento cair em desgraça, porque a ingratidão já produziu amargas decepções na vida pública, o que não é novidade no cotidiano humano.

Antes, durante os anos dourados, e, depois, quando os militares passaram a perseguir cruelmente Juscelino, Affonso Heliodoro esteve sempre ao seu lado, fiel e amigo, também comovido quando desembarcou em Madri para um exílio de três anos na Europa. Juscelino sintetizou-lhe em telegrama toda a sua gratidão: “Deus te pague!”.

O amigo, agora com 96 anos, que todos os dias acordava o presidente para que os dois trocassem as primeiras impressões dos fatos políticos e econômicos do momento, revela como era a sua intimidade com o fundador de Brasília.

Affonso Heliodoro sempre teve a mesma certeza da grande maioria dos brasileiros que viveu naquela época – o Brasil de JK foi muito melhor do que antes, porque existia pleno emprego, e o salário mínimo era o maior pago na história brasileira.

Historiador e coronel, ele guarda na memória alguns fatos importantes, como, por exemplo, o dia da posse de Jânio, quando Juscelino soube que o sucessor faria um discurso ofensivo. Apesar de não ser de sua índole, o presidente que estava para deixar o poder comentou que, se o seu sucessor fizesse esse tal discurso, lhe daria um soco. Quando perguntado sobre isso, Heliodoro, como mineiro, dá sua versão: “Isso é verdade e história! Levaram esse recado ao presidente que falou para dona Sarah: “Se o Jânio me desrespeitar diante do palanque, ele não recebe a faixa, vai receber um soco na cara!”. E ele daria mesmo, embora o presidente nunca tenha brigado com ninguém, mas, naquele momento em que ele passava a Presidência da República, democraticamente, com o Brasil em excelentes condições, ele o faria. Quando Juscelino assumiu o governo, a dívida externa brasileira era de US$ 1 bilhão e 900 milhões para a construção das metas. Ao deixar o governo, a dívida era de US$ 3 bilhões, mas só os juros da dívida externa estavam muito acima desse valor, e esse empréstimo possibilitou ao Brasil o patrimônio que ninguém mais conseguiu fazer.

No começo do governo, Juscelino enfrentou uma efervescência política, mas, mesmo assim, ele decidiu construir Brasília, mas, em algum momento, ele teve o receio de não concluir o projeto. Affonso Heliodoro acrescenta: “Eu posso assegurar que isso deve ter passado pela cabeça dele”. Se você pensar que Brasília estava distante dos centros de abastecimento, no mínimo 800 quilômetros, vê a dificuldade que havia. Tanto que o jornalista Hélio Fernandes, a quem eu faço uma reclamação pública, fez um resumo bom da história e fez um grande elogio a Juscelino, mas dizia que o presidente cometera um grande crime ao construir Brasília, porque aumentou a inflação, como também a dívida externa e que todo o material para a construção vinha de avião.

Foi uma luta tremenda construir Brasília e o presidente jamais deixou de acreditar, porque ele não era só um entusiasta, fazia crer a todos que tudo daria certo.

Juscelino foi só um, nenhum mais surgiu como ele.

domingo, 30 de setembro de 2012

JK e a ditadura na visão de Carlos Heitor Cony

Fonte: Jornal Hoje em Dia

JKNeste mês, mais precisamente no último dia 12 de setembro, foram lembrados os 110 anos do nascimento de Juscelino Kubitschek. Intencionalmente ou não, no início deste mês foi reaberto grupo de trabalho, em Brasília, para trazer à tona as investigações sobre a polêmica morte do ex-presidente “bossa-nova”.

JK morreu em 22 de agosto de 1976, durante acidente automobilístico entre São Paulo e o Rio de Janeiro. Neste contexto, o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, redator das memórias de JK, aos 86 anos, volta à cena editorial com “JK e a Ditadura” (Editora Objetiva). No livro, o autor reúne dois importantes livros que fez - “JK: Memorial do Exílio” (1982) e parte de “O Beijo da Morte” (2003). JK foi presidente do Brasil entre 1956 a 1961. Em entrevista ao Hoje em Dia, pelo telefone, do Rio de Janeiro, Cony diz que JK “morreu triste”, mas ainda com esperança de que o Brasil “ainda ia precisar dele”.

Clique aqui para ler a entrevista com o escritor Carlos Heitor Cony.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

OAB pede nova investigação sobre acidente que matou JK

Publicado no Jornal Estado de Minas – 18/09/2012

A Ordem dos Advogados do Brasil seção Minas Gerais (OAB-MG) pediu nessa segunda-feira à Comissão da Verdade, em Brasília, nova apuração sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em acidente automobilístico no quilômetro 165 da Rodovia Presidente Dutra, próximo a Resende (RJ), em 22 de agosto de 1976. “A Comissão de Direitos Humanos e a Comissão da Verdade e Memorial, ambas ligadas à OAB-MG, e a própria OAB-MG requererem a reabertura do caso da morte de JK, a bem da verdade e da história de nosso país”, conclui documento preparado pela entidade e entregue ontem ao coordenador da Comissão da Verdade, o ministro do Superior Tribunal de Justiça Gilson Dipp.

O pedido é baseado em análise de farto material documental reunido durante a tramitação do processo, encerrado em 1996. De acordo com a OAB-MG, o motivo do acidente foi um tiro na cabeça do motorista de JK, Geraldo Ribeiro. “Nesta nova e fundada versão, Geraldo Ribeiro foi atingido na cabeça por um projétil denominado ‘batente’, de fabricação e uso exclusivo das Forças Armadas de nosso país, e muito utilizado à época pelo Exército brasileiro”, sustenta a OAB.

O relatório complementa: “Atingido no crânio, Geraldo Ribeiro, então condutor do Opala que transportava JK, na Via Dutra, que ia de São Paulo para o Rio de Janeiro, perdeu o controle do citado veiculo, o que ocasionou a colisão, esbarrando num ônibus e batendo de frente em um caminhão, saindo da pista e capotando, vitimando ambos, JK e Geraldo Ribeiro”.

Para chegar a essa conclusão, a OAB-MG se valeu da exumação do corpo de Geraldo, em 1996. O presidente da Casa JK, em Diamantina, e secretário pessoal de JK à época, Serafim Jardim, relatou nos documentos que recebeu uma ligação do então secretário de Segurança Pública de Minas Gerais, Santos Moreira, dizendo que havia novidade. “Tal novidade consistia em um metal que fora encontrado no crânio do ex- motorista de JK. Ora, tal metal se transformou em ‘prego de caixão’, na conclusão da perícia confeccionada pelos peritos encarregados do trabalho da exumação daquele corpo, um verdadeiro absurdo”, entende a OAB-MG.

A morte de JK entrou para a história oficial como acidente automobilístico. O Chevrolet Opala dirigido pelo motorista do ex-presidente teria sido fechado por um ônibus da Viação Cometa, perdido o controle, atravessado a pista e sido atingido por uma carreta Scania. Josias Nunes de Oliveira, de 68 anos, o motorista do ônibus, foi a principal testemunha. Foi indiciado como culpado e considerado inocente pela Justiça. Em junho o Estado de Minas entrevistou Josias, que reafirmou a versão de que foi apenas um acidente.

Clique aqui para ler reportagemc ompleta.

sábado, 8 de setembro de 2012

Em 2002, celebração do centenário de JK virou ato de campanha

Fonte: Terra (clique aqui)

As comemorações do centenário de nascimento de Juscelino Kubitschek (1902-1976), concentradas neste mês, atingem seu ponto alto hoje em Diamantina, cidade onde nasceu. Um dos políticos mais festejados da história brasileira, JK receberá homenagens em um palanque eleitoral. O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), vai agraciar personalidades que julga ser de destaque no país, entre eles o presidenciável do PT Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato ao governo mineiro Aécio Neves (PSDB). As medalhas levam o nome do ex-presidente.

Os candidatos à Presidência Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB) também vão a Minas hoje. Ciro fará sua homenagem ao ex-presidente com um showmício hoje à noite em Araxá. Garotinho, que vem citando Juscelino em seu programa de TV, fará campanha na região de Belo Horizonte. José Serra (PSDB) não vai a Minas, mas cita JK quando fala de gerar empregos. A homenagem tucana será a oficial, do Fernando Henrique Cardoso no Palácio da Alvorada.

Em Minas, Itamar também reabrirá a Escola Estadual Júlia Kubitschek com honras militares, quando será devolvido à instituição o painel de Di Cavalcanti, restaurado pela a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que abrigará também uma exposição de fotografias do ex-presidente. As homenagens a JK não param por aí: ele vai ganhar uma grande galeria no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, o que promete ser a maior homenagem do gênero. "Com certeza é a maior. Reunimos, além da parte de documentos e objetos pessoais, filmes sobre JK", diz a curadora da exposição Cristina Ávila.

Dentre os filmes que serão projetados na galeria, há o primeiro documentário sobre Brasília, encomendado pelo próprio JK e dirigido pelo francês Jean Manzon. Segundo a curadora, o filme foi exibido, na época, nos cinemas, para acabar com o "boato" de que o presidente não estava construindo capital alguma.

A mostra do Palácio das Artes terá também atrativos como peças do acervo de arte de JK e material das campanhas do político, reunidos com o apoio de 20 instituições. O Museu Histórico Abílio Barreto segue com a exposição Juscelino Prefeito, que teve início em abril. Além dos eventos, as homenagens continuam na sexta-feira, com shows e exposição de dois automóveis - um Cadillac de 1941 e um Packard 1937, ambos usados pelo ex-presidente em suas atividades políticas.

Partidários e adversários têm uma única definição sobre a trajetória de Juscelino: nunca houve outro presidente como ele. Habilidoso, inteligente, gentil, admirador das artes e progressista são alguns dos elogios proferidos a JK. Os adversários podem até fazer ressalvas, mas não negam o talento e o carisma do presidente.

Prova disso é o uso de sua imagem nas campanhas políticas. Para a professora de história da PUC-Minas, Lucília de Almeida Neves, o mito em torno dele foi criado porque ele foi o único presidente brasileiro a conseguir conciliar desenvolvimento com democracia. "Os outros momentos de desenvolvimento do Brasil foram no governo de Getúlio Vargas e nos militares, ambos em ditaduras", destaca.

Ela lembra ainda que o ex-presidente simboliza a idéia de liberdade, democracia e progresso. "As pessoas se transformam em mito porque criam em torno de si uma simbologia e, no plano material, porque concretizam o que prometeram."

A professora lembra ainda que Juscelino se enquadra nisso "porque viveu em compasso com o seu tempo". Os eventos são todos promovidos pelo Governo Estado e pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

JK, a história revista

O ex-presidente se sentia traído por João Goulart e Castelo Branco, teria ameaçado Jânio Quadros com um soco e procurado ajuda na Opus Dei durante uma depressão.

01.jpgAo lançar em 1982 o livro “Memorial do Exílio”, baseado nas memórias do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976), o jornalista e romancista Carlos Heitor Cony não pôde esmiuçar o episódio sobre o qual tinha mais interesse: a morte de JK num desastre automobilístico cercado de mistério. Com os direitos políticos cassados após o golpe militar de 1964, a suspeita era de que Juscelino tivesse sido assassinado pela ditadura (nesse mesmo ano de 1976, morreriam João Goulart e a estilista carioca Zuzu Angel, também num acidente pouco explicado). A própria família do estadista deu o recado para Cony não se aprofundar em certos assuntos. A recomendação mais veemente veio da esposa, Sarah, pois havia a suspeita de que, momentos antes, o ex-mandatário teria se encontrado num hotel com a amante, Maria Lúcia Pedroso. Agora, 30 anos após a primeira edição da obra, a visão do político mineiro sobre o período posterior à sua saída do poder volta às livrarias, com o acréscimo desse ponto nebuloso do acidente. Cony não traz uma prova cabal de que o ex-presidente foi eliminado pelo regime militar. Apenas reúne indícios. Cabe ao leitor tirar as conclusões.

A reportagem completa está na edição da IstoÉ desta semana e pode ser lida aqui.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

JK vence Pelé

Fonte: SBT

Na noite desta quarta, 22 de agosto, Carlos Nascimento comandou mais uma eliminatória em O Maior Brasileiro de Todos os Tempos.

O jornalista anunciou o resultado da disputa entre Juscelino Kubitschek, representado no palco por Maria Estela Kubitschek, arquiteta, política e filha de JK, e Pelé, que teve como embaixadora a jornalista, colunista e santista Barbara Gancia.

JK obteve 71,7% votos e se tornou mais um semifinalista no programa. Ele irá disputar uma das semifinais com Santos Dumont.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Minissérie JK, Inspirada no EX-Presidente Juscelino Será Reprisada no Viva

Fonte: Notícias da TV Brasileira

José Wilker é na minissérie 'JK' (Foto: CEDOC/ TV GLOBO)Wagner Moura e José Wilker interpretam o presidente em diferentes fases de sua vida

Com autoria de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, a minissérie “JK” estreia 18 setembro e exibe a trajetória política e pessoal de Juscelino Kubitschek durante seus 74 anos de vida. A história do presidente que trouxe a modernidade ao Brasil nos anos de 1950 será exibida de segunda a sexta, às 23h15.

Dividida em três fases, a trama se inicia em Diamantina, Minas Gerais, com o nascimento e a infância de Juscelino até a morte de seu pai. Na segunda etapa, com duração de 15 episódios, ele é interpretado pelo ator Wagner Moura. Este período abrange o início de seus estudos na faculdade de Medicina até sua eleição como prefeito de Belo Horizonte, em 1940. Nesse momento, ele se casa com Sarah Lemos, interpretada por Débora Falabella.

A terceira e última fase é dedicada à vida política de Juscelino, que agora é interpretado por José Wilker. Esta etapa exibe sua eleição à presidência da república, o exílio e o acidente de carro que o matou em 1976. Exibida de janeiro a março de 2006 na TV Globo, JK conta ainda com participação de Marília Pêra, como Sarah Lemos na terceira fase, Eva Wilma, Déborah Evelyn, Louise Cardoso, Alessandra Negrini, Marília Gabriela, Letícia Sabatella, Eliane Giardini e Débora Bloch, entre outros.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Botafogo viaja em avião presidencial para inaugurar estádio em Diamantina

Fonte: Diário da Noite, publicado aqui

No dia 11 de agosto de 1958 a delegação do Botafogo viajou para Diamantina, onde participou das homenagens que foram prestadas ao então Presidente Juscelino Kubitschek.
A viagem foi feita no "Viscount", avião particular do Presidente da República, tendo a embaixada do Botafogo levado como chefe João Lyra, antigo presidente do clube alvinegro.
Da equipe titular do Botafogo estiveram ausentes os quatro titulares que estão convocados para a Seleção Brasileira: Nilton Santos, Pampolini, Didi e Garrincha.
O jogo, contra o time local do Tejuco, foi realizado no dia 13 de agosto de 1958 e assinalou a inauguração do estádio municipal de Diamantina.
O primeiro gol do novo estádio foi marcado pelo botafoguense Édson, aos 13 minutos de jogo. Além do gol de Édson marcaram Dodô e Quarentinha, enquanto Aurê descontou para o Tejuco.

Formou o Botafogo com Adalberto, Beto, Domício e Ney Rosa; Ademar e Servílio; Neyvaldo, Édson, Paulinho Valentim, Quarentinha e Dodô. Técnico: João Saldanha.

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Revelações sobre JK

Fonte: Coluna Esplanada, clique aqui para ler o texto completo

Um novo livro sobre o ex-presidente Juscelino Kubitschek trará à tona bastidores dos anos mais intensos do estadista. Como, por exemplo, JK enterrou uma CPI da construção de Brasília ao dar a diretoria financeira da Novacap para a opositora UDN. E um episódio especial: no fim dos anos 60, o então embaixador Lincoln Gordon reuniu-se com os empresários das multinacionais aqui e pediu que boicotassem a tentativa de JK retomar a presidência, pois o considerava progressista, uma ameaça aos EUA.

O livro ‘Momentos decisivos – JK contra o golpismo no Brasil’ foi escrito pelo primo de JK, o ex-deputado do PSD Carlos Murilo. Será lançado na quarta, em Brasília.

Carlos Murilo foi o político que mais conviveu com JK, desde sua gestão em Belo Horizonte, como prefeito. Também publicará momentos piadistas dele.

“Conto todas as coisas importantes que aconteceram com ele e que vivenciei”, relata o autor, que revelará também cartas de JK no exílio. “Todas as jogadas secretas, além de coisas engraçadas”.

Na obra, o autor crava que JK foi assassinado pelos militares, e não vítima de um acidente automobilístico na Via Dutra. Na véspera de sua morte, JK estava em Brasília com Carlos Murilo, passeou na surdina pela noite da capital, como fez em outras ocasiões, sempre escondido dos militares.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Caso JK: fatos que levantam suspeitas

Publicado no Jornal Diário de Pernambuco  em 8/06/2012

O então presidente Juscelino Kubitscheke o vice-presidente Joao Belchior Marques Goulart caminhando por entre a multidao que aguardava o inicio da solenidade inaugural de Brasília“Precisaram matar, espezinhar, liquidar Juscelino, porque não conseguiram liquidar sua força, sua dignidade, sua coragem, seu carisma de grande líder”, disse dona Sarah Kubitschek (1909–1996) em entrevista concedida ao Jornal do Brasil, em agosto de 1986, 10 anos depois da morte do marido. Dona Sarah morreu com essa certeza, mas sem conseguir provar. Quem persiste com o objetivo é o presidente da Casa Juscelino Kubitschek, em Diamantina, Serafim Melo Jardim, que teve depoimento tomado pela Comissão de Direitos Humanos da Seção Mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), na semana passada.

Para entender os motivos das dúvidas é essencial compreender o contexto histórico. À época do acidente a ditadura ensaiava dois caminhos, uma abertura – lenta, gradual e segura –, como aconteceu com a declaração da anistia, em 1979, ou uma possibilidade de endurecimento. Estava em pleno vigor a Operação Condor, um ação conjunta dos governos militares do chamado Cone Sul para minar a oposição aos regimes militares.

Um dos documentos que despertam suspeitas é uma carta do coronel chileno Manuel Contreras enviada ao general de divisão João Baptista Figueiredo, então chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), em 1975. A carta discorria sobre a possibilidade de vitória do democrata Jimmy Carter nos Estados Unidos, o que influenciaria a “estabilidade no Cone Sul”. O general chileno citava que JK e o ex-ministro do Exterior do governo do chileno Salvador Allende, Orlando Letelier, poderiam receber apoio. No ano seguinte, os dois morreram. A morte de Letelier foi atribuída à Dina, o serviço secreto liderado por Contreras, que explodiu o carro do ex-ministro em Washington, capital dos EUA. JK morreu um mês antes, quando buscava restabelecer a democracia no Brasil.

Quatro meses depois, em dezembro, morreu o também ex-presidente João Goulart, de ataque cardíaco. Mais cinco meses se passaram e o ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda também morreu, de infarto e desidratação aguda por febre. Os três formavam a Frente Ampla, grupo de oposição ao regime militar. Criada em 1967, a frente durou oficialmente até o ano seguinte, quando Lacerda foi cassado. JK foi cassado antes, em 1964, quando exercia o cargo de senador por Goiás . Goulart foi o último presidente antes de os militares tomarem o poder e também cassado em abril de 1964. Há quatro anos, a família de Goulart entrou com ação na Procuradoria Geral da República pedindo a investigação sobre um possível complô para matar o ex-presidente por envenenamento.

Em 2001, a Câmara dos Deputados criou uma comissão externa para tentar esclarecer a morte de JK. A conclusão foi: “Não há qualquer laudo, qualquer estudo técnico que possa comprovar a tese de assassinato. O argumento é, na verdade, emocional”. Entretanto, o relatório destaca também: “Juscelino incomodava e ameaçava o poder dos ditadores. É verdade, sim, que o povo ansiava pela volta de Juscelino ao cenário político. Do mesmo modo, os fatos indicam que havia um complô para que Juscelino retornasse ao poder. Aquele acidente antecipou o desejo de muitos”.

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domingo, 3 de junho de 2012

Motorista do ônibus que teria fechado o carro de JK fala pela primeira vez

Fonte: Estado de MInas – 03/06/2012

Indaiatuba (SP) – Josias é um personagem fundamental da história do Brasil, mas se pudesse apagaria para sempre da sua vida o dia 22 de agosto de 1976, data em que, por acidente, deixou de ser um anônimo motorista da Viação Cometa para se tornar protagonista de um mistério que ainda intriga o país após 35 anos: como morreu o ex-presidente Juscelino Kubitschek? A morte de JK entrou para a história oficial como um acidente automobilístico. O Chevrolet Opala dirigido pelo motorista do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, teria sido fechado por um ônibus da Viação Cometa, perdido o controle, atravessado a pista – no quilômetro 165 da Rodovia Presidente Dutra, próximo a Resende (RJ) – e sido atingido por uma carreta Scania. Josias Nunes de Oliveira, de 68 anos, o motorista do ônibus, é a principal testemunha. Já foi indiciado como culpado e considerado inocente pela Justiça, mas carrega o peso de estar no lugar errado, na hora errada e ser a testemunha mais importante de um episódio com nuanças políticas que engendram uma grande conspiração.

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domingo, 20 de maio de 2012

Morte de JK irá à Comissão da Verdade

Publicado no Jornal Hoje em Dia – 19/05/2012 – Clique aqui para ler a reportagem completa.

A recém-instalada Comissão da Verdade vai ter que se debruçar sobre diversos casos ainda nebulosos, mas terá que analisar também um processo há muito considerado encerrado. A seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) quer uma nova investigação sobre a morte de Juscelino Kubitschek e, para isso, enviará nos próximos dias, à comissão, os documentos do caso.

Juscelino Kubitschek morreu aos 73 anos, em agosto de 1976. Segundo a versão oficial, ele foi vítima de um acidente na Via Dutra, em Resende (RJ), depois de o motorista Geraldo Ribeiro perder o controle do Opala no qual transportava o ex-presidente e bater em um caminhão na pista contrária.

Na ocasião, a culpa caiu sobre Josias Nunes de Oliveira, motorista de um ônibus da Viação Cometa que teria feito Geraldo perder o controle do carro. Geraldo foi absolvido em dois julgamentos e, para familiares e amigos, o mistério permanece.

Agora, a OAB-MG quer que o caso seja devidamente esclarecido. O processo com a investigação da morte – que contabiliza 2.629 páginas – será encaminhado à Comissão da Verdade. E são nessas páginas que estão diversos “furos” dos responsáveis pelas investigações, segundo o advogado William Santos, da comissão de direitos humanos da OAB-MG.

“Queremos que seja tudo refeito. Vamos mandar o processo e outras peças para mostrar a farsa”. Entre as peças estará um depoimento do secretário particular e amigo de Juscelino Kubitschek, Serafim Jardim, de 76 anos. Ele também classifica a investigação sobre o acidente como uma “farsa total”.

Depois de 20 anos de luta, Serafim Jardim conseguiu, em 1996, que o caso fosse reaberto, mas a nova investigação chegou à mesma conclusão da apuração original.

Porém, um laudo feito a partir da exumação dos restos mortais de Geraldo Ribeiro no Cemitério da Saudade, revelou um fragmento de metal “de forma cilindro-cônica, medindo sete milímetros de comprimento e diâmetro médio de dois centímetros” no crânio do motorista.

A exumação foi feita no Instituto Médico Legal (IML) da capital mineira, mas a Polícia Civil descartou a possibilidade de o fragmento ser de um projétil. “Disseram que era prego de caixão”, comentou Jardim.

A OAB afirma ainda que os responsáveis pelas investigações colheram o depoimento de apenas nove passageiros do ônibus – e nenhum deles confirmou a versão da colisão com o Opala –, sendo que havia 33 pessoas no veículo, além do motorista.

As fotos dos corpos do presidente e do motorista também desapareceram da documentação, diz a entidade. “Esse processo é uma incoerência do início ao fim”, avalia Santos.

Ele lembra que um eventual crime que tenha ocorrido já está prescrito desde 1996, mas salienta que o caso precisa ser esclarecido.

Jardim diz que deposita, na comissão, a esperança de “corrigir a história”. Os delegados responsáveis pelas investigações não foram localizados pela reportagem.