quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Termos indígenas no léxico toponímico de Diamantina

Autora: Tatiana Martins Mendes

Patrimônio vocabular de uma comunidade linguística, o léxico se constitui de termos que nomeiam a realidade representativa de um povo no seu contexto social e cultural. A lexicografia permite a organização e categorização desses termos e a toponímia, por sua vez, reforça seus traços geográficos, históricos e etnográficos. Diamantina, localizada na Serra do Espinhaço ou Serra dos Cristais, como também é conhecida, teve no seu entorno tribos indígenas falantes do macro-jê, como os puris que desapareceram após a chegada dos bandeirantes1 e dos índios falantes do tupi. A classificação das estruturas linguísticas indígenas realizadas por Seki (1999, p. 259) traz uma ideia das línguas usadas.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Projeto Caminhado Juntos

Festival Internacional de Música Histórica de Diamantina chega à sua segunda edição

Fonte: Segs (clique aqui)

Concertos, cursos, oficinas e aulas-espetáculos convidam o público a descobrir o as ricas influências das culturas ibéricas na tradição musical do Brasil.
De 19 a 28 de fevereiro, a riqueza da música tradicional de origens ibéricas no Brasil ganha lugar de destaque na cidade de Diamantina, no interior de Minas Gerais, com a realização da segunda edição do Festival Internacional de Música Histórica - De la Mancha ao Sertão: o Ibérico na tradição musical do Brasil. O evento reunirá em sua programação concertos, aulas-espetáculos, mini-cursos, palestras e saraus, proporcionando ao público uma experiência além da música em si, trabalhando, também, o pensamento e o estudo acerca da música histórica - seu percurso, suas vertentes, seus compositores - possibilitando, assim, a formação e maior participação do público. Toda a programação tem entrada gratuita.
Em sua segunda edição, o Festival adota o termo "Música Histórica", substituindo a expressão "Música Antiga" utilizada na edição anterior, como forma de integrar, para além da música erudita, registrada em partituras, os saberes passados de geração a geração pela tradição oral, o conhecimento popular, as ricas experiências culturais dos processos históricos. Para o diretor artístico do Festival, Marco Brescia, a mudança visa, nesta edição, "abarcar o fazer musical ibérico disseminado pela tradição oral, ancestral, vernacular, custodiada pelas gentes dos Sertões do Brasil, que juntos conformam o riquíssimo arcabouço da cultura brasileira mais autêntica".
O Festival contará com importantes nomes locais, nacionais e internacionais, que permitirão ao público uma oportunidade singular de encontro com a música histórica, por meio de concertos e do diálogo nos mini-cursos, aulas-espetáculos e debates. "A presença de especialistas nas mais diversas disciplinas conformam uma oferta de programação ampla e coerente, que busca entender o Brasil e suas raízes históricas", complementa Marco Brescia.
Nove concertos e apresentações integram a programação do Festival, que recebe os convidados Favola d’Argo (Portugal/Brasil/Espanha), que se apresentam na abertura do evento, Rosa Armorial (Curitiba, Brasil), Capella de Ministrers (Espanha), Edite Rocha (Portugal/Belo Horizonte, Brasil), Quarteto Diamantino (Diamantina, Brasil), Cristina García Banegas (Uruguai), Banda de pífanos do Serro e Daniel Magalhães (Serro, Brasil) e Ilumiara (Belo Horizonte, Brasil), além dos alunos do curso de órgão(que será oferecido pelo Festival), que realizarão um recital, como fruto do aprendizado alcançado na atividade.
Entre os destaques internacionais, estão os espanhóis do Capella de Ministrers e a uruguaia Cristina García Banegas. O Capella de Ministrers, desde 1987, tem desenvolvido um trabalho singular de pesquisa musicólogica acerca do patrimônio musical de seu país, desde o repertório medieval até o do século 19. O resultado, transformado em testemunho musical, conjuga três fatores fundamentais: o rigor histórico, a sensibilidade musical e, especialmente, um desejo irrefreável de comunicar e nos fazer partícipes dessas experiências. Já a musicista uruguaia Cristina García Banegas é professora de Órgão na Escuela Universitaria de Música de Montevideo desde 1985. Cristina é fundadora da Ensemble Vocal e Instrumental De Profundis, grupo que atua desde 1987 na pesquisa e recriação de música barroca latino-americana. Além disso, é responsável pelo Festival Internacional de Órgãos do Uruguai.
Os brasileiros Rosa Armorial, com participação do compositor Antônio Madureira, e Quarteto Diamantino estão entre as atrações nacionais mais aguardadas. O Quarteto Diamantino é formado pelos músicos Evandro Archanjo (flauta e direção musical), Filipi Sousa (violino), Vítor de Abreu (viola) e Gláucia Furtado (violoncelo), de Diamantina, e trará à tona um repertório importante da cidade que encontrava-se adormecido no acervo de partituras históricas de compositores locais. Já o Rosa Armorial, de Curitiba está em atividade desde 2002, tocando música popular brasileira. Em 2009, a partir de seu espetáculo baseado em pesquisa sobre o Movimento Armorial, eles adotaram o atual nome e o repertório armorial em suas composições e apresentações. O grupo gravou seu primeiro CD em 2011 e posteriormente um DVD com Antônio Madureira, um dos compositores mais expressivos do Movimento Armorial, que participa do concerto em Diamantina e também fará aula-espetáculo na programação do Festival.
A programação de mini-cursos conta com atividades relacionadas a prática de orgão, canto, pífanos, cordas friccionadas, cordas dedilhadas, viola caipira (para iniciantes e avançados), construção de pandeirões e percussão. As atividades serão realizadas por convidados nacionais e internacionais, como Cristina García Banegas (Uruguai), Delia Agúndez (Espanha), Carles Magraner (Espanha), Ivan Vilela (Brasil), Carlinhos Ferreira (Brasil) e Pau Ballester (Espanha). As inscrições são gratuitas e já estão abertas no site: www.musicahistoricadiamantina.com
Já os músicos Carles Magraner, Antônio Madureira e Ivan Vilela apresentarão aulas-espetáculos, oferecendo ao público mais uma oportunidade de aproximação e descoberta acerca da música histórica. Carles Magraner é musicólogo fundador e diretor do grupo Capella de Ministrers, especialista em música ibérica. Com pesquisas voltadas para o universo da Cultura Popular e da Música Popular Brasileira, Ivan Vilela é professor na Escola de Comunicação e Artes da USP, onde leciona disciplinas ligadas à história da música e à prática musical. Já o compositor Antônio Madureira é um dos principais nomes do Movimento Armorial, criado na década de 1970. Participam do movimento artistas e intelectuais nordestinos, notadamente pernambucanos, que buscam uma valorização das artes populares brasileiras. Liderado por Antônio, O Quinteto Armorial e o Quarteto Romançal são uma das maiores referências musicais do Movimento Armorial.
Palestras e debates também fazem parte da programação. O escritor Bráulio Tavares apresenta o tema: Mar/sertão, saudade e infinito na poesia popular do Brasil. Com mais de 20 livros publicados, incluindo romance, conto, ensaio, poesia, literatura infantil e literatura de cordel, Bráulio é ganhador de importantes prêmios literários, no Brasil e em Portugal, como o Jabuti (Brasil), APCA (Brasil) e Prêmio Caminho de Ficção Científica (Portugal). Cinco grandes músicos e pesquisadores, brasileira, serão são convidados a participar de uma Conversa de instrumentos. São eles: Ivan Vilela (viola caipira), Ari Colares (pandeiro), Chico Saraiva (violão), Daniel Magalhães (pífano) e Tiago Saltarelli (rabecas). “Uma espécie de mesa de bar, onde poderemos escutar o rico diálogo entre instrumentos de herança ibérica que se caracterizam hoje como tipicamente brasileiros”, como cita Marco Brescia.
Completando a programação, o grupo de Caixa de Assovio, da cidade do Serro, se apresenta junto ao músico Daniel Magalhães, com o colorido dos pífanos e caixas típicos do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas. Às noites, saraus livres com a participação de músicos e poetas da cidade, sob a coordenação do poeta, livreiro e escritor Paulo Nunes .
PROGRAMAÇÃO
19 de Fevereiro - Sexta-feira
16h00 - Abertura com apresentação da programação do Festival
Local: Casa de Chica da Silva
20h00 - Concerto: Favola d'Argo (PRT/ESP) - José Joaquim Emerico: a sua música, o seu órgão, as suas Minas
Local: Igreja N. Sra. Do Carmo
21h30 – Retreta: Banda Euterpe
Local: Mercado Velho
20 de Fevereiro – Sábado
9h00 - Mini-curso de construção de pandeirões
Local: Museu do Diamante
14h30 - Ciclo de debates
Local: Casa da Glória
20h00 - Concerto: Folia - Rosa Armorial, com participação de Antônio Madureira
Local: Teatro Santa Izabel
21 de Fevereiro – Domingo
9h00 - Mini-curso de construção de pandeirões
Local: Museu do Diamante
11h00 - Aula-espetáculo com Ivan Vilela
Local: Teatro Santa Izabel
14h30 - Ciclo de debates
18h00 - Aula-espetáculo com Carles Magraner
Local: Teatro Santa Izabel
20h00 – Sarau
Local: Recanto do Antônio
22 de Fevereiro- Segunda-Feira
9h00 - Mini-cursos de práticas interpretativas
Local: Espaços diversos
14h30 - Curso de órgão
Local: Igreja N. Sra. Do Carmo
20h00 - Aula-espetáculo com Antônio Madureira
Local: Teatro Santa Izabel
23 de Fevereiro - Terça-feira
9h00 - Mini-cursos de práticas interpretativas e Curso de órgão
Local: Espaços diversos
14h30 - Curso de órgão
Local: Igreja N. Sra. Do Carmo
20h00 - Concerto: Cervantes, Dom Quixote e a música: donde hay música no puede haber cosa mala - Capella de Ministrers (Espanha), com participação de Antonia Muñoz
Local: Igreja de São Francisco
24 de Fevereiro - Quarta-feira
9h00 - Mini-cursos de práticas interpretativas e Curso de órgão
Local: Espaços diversos
20h00 - Concerto: O órgão ibérico no tempo de Cervantes - Edite Rocha (Portugal)
Local: Igreja do Carmo
21h30 – Sarau
Local: Recanto do Antônio
25 de Fevereiro - Quinta-feira
9h00 - Mini-cursos de práticas interpretativas
Local: Espaços diversos
20h00 - Recital de alunos do curso de órgão
Local: Igreja do Carmo
26 de Fevereiro Sexta-feira
9h00 - Mini-cursos de práticas interpretativas
Local: Espaços diversos
20h00 - Concerto: Memórias de um passado presente: música de convívio na Diamantina oitocentista - Quarteto Diamantino (Brasil)
Local: Igreja do Amparo
27 de Fevereiro - Sábado
11h00 – Caixa de Assovio do Serro e Daniel Magalhães (Brasil)
Local: Mercado Velho
20h00 - Concerto: O órgão cervantino no contexto pan-hispânico - Cristina García Banegas (Uruguai)
Local: Igreja do Carmo
28 de Fevereiro - Domingo
11h00 - Concerto: Romanceiro popular brasileiro – Ilumiara (Brasil) convida Ori Harmelin (Alaúde), Hudson Lacerda (violão) e Aline Cantia (narração de textos)
Local: Igreja do Rosário
PROGRAMAÇÃO MINI-CURSOS
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo site: www.musicahistoricadiamantina.com
Órgão
Local: Igreja do Carmo
Numero de alunos: 12
Data: 22 a 24/02
Horários: 14h30 às 18h, dia 22 / 9h às 12h e 14h30 às 18h, dia 23 / 9h às 12h, dia 24
Carga horária: 12h
Professoras: Edite Rocha e Cristina Banegas
Construção de pandeirões e percussão
Espaço: Museu do Diamante
Numero de alunos: 25
Datas e Horários: 20/02 - 9h00 | 13h00, 21/02 - 9h00 | 11h00, 22/02 e 23/02 - 9h00 | 12h30
Carga horária: 12h
Professores: Carlinhos Ferreira e Pablo Ignacio Ballester
Canto
Espaço: Teatro Municipal Santa Izabel
Numero de alunos: 15
Data: 22 e 23/02
Horários: 9h às 12h30
Carga horária: 7
Professora: Delia Agúndez
Observação: Fornecer uma clavinova (piano elétrico)
Cordas friccionadas
Espaço: Casa de Chica da Silva
Numero de alunos: 12
Data: 22 e 23/02
Horários: 9h às 12h30
Carga horária: 7h
Professor: Carles Magraner
Observação: Violinistas, violistas, violoncelistas, gambistas
Cordas dedilhadas
Espaço: Casa de Chica da Silva
Numero de alunos: 25
Data: 22 e 23/02
Horários: 9h às 12h30
Carga horária: 7h
Professor: Robert Cases
Observação: Violonistas e demais instrumentistas de cordas dedilhadas
Viola caipira iniciantes
Espaço: Casa da Glória
Numero de alunos: 15
Data: 22 a 26/02
Horários: 9h às 10h
Carga horária: 5h
Professor: Ivan Vilela
Observação: Viola de 10 cordas
Viola caipira músicos não iniciantes
Espaço: Casa da Glória
Numero de alunos: 15
Data: 22 a 26/02
Horários: 10h às 12h
Carga horária: 10h
Professor: Ivan Vilela
Observação: Viola de 10 cordas
Pífanos
Espaço: Casa de Chica da Silva
Numero de alunos: 25
Data: 25 e 26/02
Horários: 9h às 12h30
Carga horária: 7h
Professor: Daniel Magalhães
Observação: O mini-curso inclui a construção dos pífanos
Serviço
2º Festival Internacional de Música Histórica - De la Mancha ao Sertão: o Ibérico na tradição musical do Brasil.
19 a 28 de fevereiro de 2016
Diamantina - Minas Gerais
Informações: www.musicahistoricadiamantina.com

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Comércio, indústria e projeção regional da Diamantina oitocentista: as fragilidades do “grande empório do Norte”

Este artigo analisa o comércio atacadista e a indústria de Diamantina no período 1870-1920, enfatizando sua projeção regional e vinculações com a mineração. São discutidos os fatores que tornaram frágil e provisória a condição de Diamantina como centro polarizador do Norte de Minas. As fontes empregadas são principalmente documentação cartorária e jornais locais. 

Autor: Marcos Lobato Martins


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

II Festival Internacional de Música Histórica de Diamantina

De la Mancha ao Sertão:

o Ibérico na tradição musical do Brasil

“Em algum lugar da Mancha, de cujo nome não me quero lembrar…”, assim começa o romance dos romances, que narra as aventuras e desventuras do engenhoso e universal Dom Quixote de la Mancha, aquele que não é de nenhum lugar concreto, pois pertence a toda ela, que hoje já não é mais outra que não o mundo inteiro. É precisamente a efeméride dos 400 anos da morte de seu consagrado autor, Miguel de Cervantes Saavedra (Alcalá de Henares, 1547 – Madrid, 1616), que nos dá o mote, guiados pelo nosso intrépido cavaleiro andante, para cruzar o Mar Oceano e transpor as agrestes paisagens manchegas ao infinito Sertão do Brasil, onde as tradições tardo-medievais da velha Ibéria se fazem iniludivelmente presentes.

A riqueza dinâmica dessa estanqueidade artístico-temporal, paradoxo e paradigma de um mundo de revigorante arcaísmo – cuja história se confunde com a própria história da colonização brasileira – é o manancial inesgotável que deu de beber a uma plêiade de artistas das mais diversas áreas, criadores do chamado Movimento Armorial, nascido nos anos 1970, o qual preconizava a fusão dos elementos erudito e popular em prol da (re)criação de uma arte nacional por excelência. Para o escritor paraibano Ariano Suassuna – al lado do músico potiguar Antônio Madureira, uma das figuras de proa do Movimento mais tarde rebatizado Romançal – as leituras de autores espanhóis pertencentes ao Siglo de Oro (sécs. XVI/XVII), juntamente com os antigos romances ibéricos e a épica castelhana, exerceram uma influência decisiva, eternizada em obras de referência do teatro e da literatura brasileira, como o Auto da Compadecida ou oRomance d’A Pedra do Reino.

Cervantes, em cuja obra as manifestações populares e eruditas harmonizam-se numa simbiose natural, é uma presença tutelar na produção literária de Suassuna, que encontra no Sertão do Brasil o mesmo espírito atemporal do Romancero Viejocastelhano, vivificado no Romanceiro Popular do Nordeste. É ele que anima a onipresente literatura dos folhetos pendurados no cordel, corporificando-se na rabeca, no pífano e na viola, que se desmaterializam em puro modalismo sonoro no acompanhamento das cantorias, cuja ilustração imagética, sulcada nos veios da madeira, faz-se arquétipo na xilogravura… Na música armorial confluem duas vertentes fundamentais: de um lado, os elementos afro-brasileiro e ameríndio, e de outro, a música de origem ibérica trazida pelos colonizadores em seus cancioneiros populares e em suas formas eruditas – do cantochão à polifonia dos romances e madrigais, glosada no éter divino pela voz do órgão… No vaqueiro nordestino, figura montada, heróica, épica por antonomásia, transmuta-se o cavaleiro da antiga gesta castelhana, cujo canto de façanhas e bravatas é a mais pura cantoria sertaneja… No malandro, tipo cheio de galhofa, de manha e artimanha, virtuoso do “melhor-contar”, revela-se igualmente o pícaro espanhol, cujo único meio de vida não é mais que a própria astúcia. Picaresca e Cavalaria encontram o mais eloquente amálgama na obra máxima de Cervantes, na qual entre o cavaleiro fidalgo e o pícaro escudeiro se estabelece um jogo inusitado de simpatias recíprocas que continua a cativar, divertir e comover o leitor há mais de quatro séculos.

No Sertão das Minas Gerais, em pleno vale do Rio Jequitinhonha, a cidade histórica de Diamantina, terra mítica de diamantes, de conjurações, de amores improváveis, da lendária corte da Chica que manda, paragem de tantos aventureiros, cavaleiros, tropeiros que ao longo dos séculos sulcaram o pedregoso solo das veredas do Espinhaço, receberá a segunda edição do seu Festival Internacional de Música Histórica, que amplia o termo “Música Antiga” da primeira edição para abarcar, para além da música grafada e, portanto, de cariz erudito, os saberes e o fazer musical disseminados pela tradição oral, ancestral, vernacular, custodiada pelas gentes dos Sertões do Brasil, que juntos conformam o riquíssimo arcabouço da cultura brasileira mais autêntica, tão reivindicada pelos artistas armoriais. A música armorial do nosso tempo, a música do tempo de Cervantes, os antigos romances ibéricos transmutados na polifonia do órgão, o romanceiro popular brasileiro, os ternos de pífanos, o som incisivo e cantadeiro da viola de arame, a música religiosa e devocional do antigo Arraial do Tejuco, a música dos salões da Diamantina oitocentista, para além de mini-cursos, aulas-espetáculo e mesas de debate integradas por especialistas nas mais diversas disciplinas conformam uma oferta de programação ampla e coerente, que busca entender o Brasil desde as entranhas, nutrindo-se da seiva de suas raízes mais atávicas e profundas.

E assim, guiados pelo passo errante do Cavaleiro da Triste Figura, adentremos o incontornável coração anímico do Brasil: o Sertão… do agreste, da catinga, dos buritis, que, nas sempre sábias palavras do mineiro Guimarães Rosa “é quando menos se espera”, “é o sozinho”, “é sem lugar”, “é dentro da gente”… e ouçamos então essas vozes caladas, presentes, passadas, eternas, que nos falam de cavaleiros, de donzelas impossíveis, de coragem, de façanhas, de desditas, de argúcias, de sobrevivência, de verdade, de fé… nessa grande Mancha imemorial, que também é aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Acervo raro de fotos do início do século 20 será digitalizado




Fonte: Hoje em dia (Clique aqui e veja mais fotos)
Está de casa nova parte da história de Diamantina, durante a passagem do século 19 para o 20, que 
mostra um Brasil interiorano mas próspero – conforme registrado pelo fotógrafo mineiro Francisco Augusto Alkmim (1886-1978), o “Chichico” Alkmim. Este acervo, com milhares de negativos em vidro e fotografias originais reveladas por Chichico, foi recebido, em comodato, há poucos dias pelo Instituto Moreira Salles (IMS), no Rio de Janeiro.

Chichico atuou, principalmente, em Diamantina, em um período de grande extração de minério, registrando a paisagem social da cidade e de seus habitantes. “Foi o primeiro fotógrafo residente em Diamantina”, lembra o professor de Fotografia da Escola Guignard e curador Tibério França.

Como se pode ver nas imagens registradas nas páginas, Chichico primou por documentar a classe média-alta mineira com fotografias em estúdio e ao ar livre, sempre com preciosa atenção à luz.

Nascido na área rural de Bocaiúva, Chichico mudou para Diamantina após a decadência dos negócios da família. Ele aprendeu fotografia de forma quase autodidata, se aprimorando com leituras de manuais sobre o assunto. Em 1913, abriu o próprio estúdio, que, por duas décadas, foi o único da cidade.

Mas qual é a importância do acervo de um fotógrafo do interior de Minas e de tão longínquo tempo? “Diamantina foi uma cidade muito rica até o final do século 18. Os primeiros carros de Minas Gerais foram comprados por uma família de lá. Agora, pense também que a fotografia sempre foi alta tecnologia”, avalia Tibério França.
 
Um artista
 
Assim, o artista, que morreu sem ter se considerado como tal, abraçou com seus cliques, de forma rara no país, uma época e um grupo social que era típico daquele período. “Ele jamais falaria disso e dessa forma (sobre se considerar um artista). Ele era de uma delicadeza e humildade fora da curva. Talvez tivesse consciência do que fazia, mas não dava o valor”, acredita outro neto, o geólogo e professor da Escola de Minas da UFOP, Fernando Alkmim. Com a ida do acervo para o IMS, acredita ele, a alcunha de “artista” do avô seja, enfim, oficializada.

“A gente via os negativos guardados em um porão. Era uma coisa muito forte (conviver com aquilo)”, lembra a neta do fotógrafo, a artista plástica e, também fotógrafa, Verônica Alkmim França.

Ela explica que o IMS se comprometeu a digitalizar o acervo em escalas variadas, para não haver necessidade de mexer nas chapas e nas fotos em papel. “Haverá também alguma disponibilidade deste material no site da instituição”. O acervo ficará disponível para análise e projetos de pesquisas. “Somos muito procurados para isso”, diz.
 
‘Carinho’ com foto e com fotografado marcaram trabalho
 
Um fotógrafo “carinhoso”. Assim pode ser definido Alkmim. “Ele pegava uma foto revelada, mas não se conformava e retocava a foto com lápis. Não passava batido a questão da luminosidade. Ele corrigia os tons médios, baixos…”, lembra Verônica França.

E que fotos são estas? “Diamantina e arredores. José Maria Alckmim (foto do menino que segura um livro, de 1918), meu tio era parceiro político de JK”, enumera Verônica ao descrever algumas fotos do acervo do avô. José Maria é o mesmo que empresta o nome ao presídio em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH.

Francisco Augusto Alkmim acompanhou do nascimento à morte de muitos fotografados, inclusive fazendo os retratos dos chamados “anjinhos” – crianças mortas nos caixões. Ele trabalhou até meados dos anos 1950 – sempre de maneira primorosa.
 
Dos sais de prata à película
 
A técnica cara para fotografar e de difícil acesso certamente motivou este artista ao zelo. Tibério França, da Guignard, explica que o uso das “placas de vidro” que compõem o acervo são exemplos disso. Quem tem menos de 30 anos talvez tenha uma distante lembrança destes mecanismos de captação de imagem. Até o final dos anos 1990, lembra, as fotografias eram feitas em “película”. Nesta época, os filmes fotográficos eram de acetato com sais de prata.

Mas antes do acetato, estes sais de prata eram distribuídos em uma placa de vidro rígida e transparente, que vinham da Alemanha de navio até o Rio de Janeiro, e depois para Diamantina, em lombo de burros e mulas. Por isso que uma foto tinha que ser bem realizada”, conta Tibério.

O professor define Chichico como um fotógrafo “muito carinhoso” com os clientes. “Se ele via que a pessoa não estava bem, falava para voltar em outro dia”. Nas pesquisas que realizou junto da família, Tibério soube ainda de um jardim que o fotógrafo cultivava. As flores eram usadas nas lapelas dos homens ou em arranjos de cabelo para as mulheres que ele mesmo montava (foto ao lado da filha mais velha dele, Maria Bernadette Alckmin, que morreu há três anos, aos 95 anos).

“A fotografia estava expandindo no mundo inteiro e aconteceu também na América do Sul, onde os acessos eram restritos. Ali, surge um fotógrafo no nível dos grandes mestres europeus”, avalia Verônica.
 
Além disso
 
O reconhecimento artístico de Chichico Alkmim foi póstumo, em 1983, com a primeira exposição com as fotos dele organizada por seu neto Paulo Francisco Flecha de Alkmim e o professor João Paulo Guimarães Mendes, durante o 16º Festival de Inverno da UFMG. A partir de então, houve o financiamento da recuperação do acervo – ainda sob a guarda da família Alkmim – pela Fundação João Pinheiro, Funarte e UFMG. Nos anos 1990, os negativos foram para o Centro de Documentação do Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Letras de Diamantina (Fafidia), em parceria com a UFMG. Em 2005, foi criado por Verônica Alkmim França, o “Projeto Chichico Alkmim”, para divulgação da obra. Ainda naquele ano, foi lançado o primeiro livro, “O Olhar Eterno de Chichico Alkmim”, editado por ela e pelo fotógrafo Flander de Sousa. A publicação rendeu exposições homônimas em Diamantina e em BH. Em 2013, em BH, mais uma exposição: “Paisagens humanas – Paisagens urbanas”, com curadoria de Verônica e do fotógrafo Tibério França.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Jornal Band Minas mostra Diamantina

Decreto disciplina atividade do comércio ambulante

No último dia 17 de dezembro de 2015 foi assinado o Decreto Municipal nº 359, que disciplina a atividade do Comércio Ambulante em Diamantina.
Você que é artesão, ambulante, expositor ou outra atividade semelhante, procure o setor de Fiscalização Tributária e de Posturas da Prefeitura para saber mais detalhes e esclarecer suas dúvidas.
Foi estabelecido um prazo de noventa dias para a total adaptação aos locais, atividades, modelos para exposição, horários e outras definições contidas no Decreto. Mas, atenção! Ele já está valendo!
Procure já a Prefeitura!
Vamos juntos fazer uma Diamantina melhor!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Incêndio em casa de Diamantina deixa uma pessoa ferida

ma pessoa ficou ferida durante um incêndio em uma casa de Diamantina, na região central do Estado. O fogo destruiu o imóvel na manhã da última terça-feira (5), no bairro Vila Operária. 
Conforme informações do Corpo de Bombeiros, a casa fica na rua Santa Izabel de Cantareira. A vítima, que não teve a identidade revelada, foi socorrida por uma ambulância do Samu e levada para o hospital.

Homem morre ao ser atacado por tamanduá em Diamantina


Um garimpeiro morreu na tarde desta terça-feira ao ser atacado por um tamanduá. De acordo com o Corpo de Bombeiros, José Martins Rodrigues de Souza, de 54 anos, sofreu o ataque quando foi atrás de de um grupo de cães: de acordo com familiares da vítima, os animais dele estavam agitados, no meio na mata na zona rural de Diamantina, na Região do Vale do Jequitinhonha. A vítima teve ferimentos na perna e uma artéria foi comprometida. O helicóptero da corporação foi ao local para fazer o socorro, mas os médicos constataram a morte.

Ludoteca oferece colônia de férias


Olá criançada!
Nossa Colônia de férias será no período de 11 a 29 de janeiro de 2016.
Juntamente com uma equipe organizada por pessoas qualificadas e de muito bom gosto, programamos atividades com uma abrangência cultural, esportiva e artística, em propostas dinâmicas, lúdicas e instigadoras da inteligência e da imaginação, que trarão experiências enriquecedoras, para crianças, adolescentes e suas famílias.
Teremos Jogos e brincadeiras, oficinas de culinária, criação de brinquedos, pintura com dedo e pincel, montagem de peças e desfiles; gincanas, futebol, queimadas, tirosela, toboágua, Slacklines, taekwoondo, e muito mais,  cuja produção é sempre muita rica e permeada de um tratamento pedagógico, resultando em práticas educativas e lúdicas.
A programação é específica para cada faixa etária, desenvolvida de acordo com as possibilidades do espaço e o perfil do grupo, podendo ser alterada. Esta divisão por faixa etária é apenas didática, pois avaliamos individualmente as habilidades de cada participante, havendo flexibilidade no agrupamento.
A novidade, é que teremos 02 locais para nossa diversão: ESTÂNCIA DO SALITRE E NO ESPAÇO DA LUDOTECA BRINQUE E APRENDA, na rua do Tijuco, 398 - 
Centro - Diamantina - MG.
Os familiares dos colonos que estiverem matriculados na 5ª Colônia de Férias da Ludoteca Brinque e Aprenda, terão descontos para hospedagem no Hotel Fazenda Estancia de Salitre nos finais de semana dentro do período de 11 a 29/01/2016.
Aguardamos a criançada e familiares.
Será Pura Diversão!
Participem!
Informações: fones: 38 3531-1437 / 9 88231923
facebook; ludotecabrinqueeprenda

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Misteriosa figura nacional, Chica da Silva é exumada para documentário


Três policiais guardavam os portões onde um grupo de curiosos, incluindo o prefeito, acompanhava o trabalho dos dois especialistas em medicina forense. Com passagem pelo FBI, eles retiravam uma ossada da tumba 24 do cemitério da Igreja de São Francisco de Assis.
A cena parecia um episódio de uma série policial, mas o grito de "ação" partiu do produtor e fotógrafo brasileiro Jacques Dequeker, que filmava as primeiras cenas do documentário "A Rainha das Américas", na cidade colonial de Diamantina, em Minas.
Com direção da atriz Zezé Motta, o filme deve ser lançado em 2017. O tempo de produção é proporcional à megalomania: a ideia é jogar luz sobre Chica da Silva (1731/32-1796), uma das figuras mais enigmáticas da cultura brasileira.
Imortalizada por adaptações em novela e filme do livro "Xica da Siva" (1976), de João Felício dos Santos, a escrava forra e primeira negra a assumir uma posição de destaque na elite do país não tem rosto nem corpo pela falta de pinturas fidedignas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Diamantina é a cidade brasileira que mais avançou em políticas públicas de preservação

Fonte; Estado de Minas

Diamantina é a cidade que mais avançou em políticas públicas voltadas ao turismo em todo o país,  uma das 13 dimensões consideradas pelo estudo de competitividade do turismo nacional divulgado pelo Ministério do Turismo nesta quarta-feira, em Brasília. O município ocupa a 29ª posição no ranking de competitividade de um total de 65 destinos monitorados.

Clique aqui para ler a reportagem completa.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Sexta edição do Projeto Livro Pra Que Te Quero



Inscrições: https://www.sympla.com.br/livro-pra-que-te-quero-edicao-comemorativa__49595
  • Escambo de livros , cds e dvds originais
  • Escambo de Vinil
  • Gibiteca
  • Oficina CrIativa
  • Exposição de desenhos
Tudo isso com música , arte e sabor, realizado num dos cenários mais belos de Diamantina-O mercado velho. O participante receberá uma identificação e com ela algumas vantagens:
1-Fazer o escambo
2-Ter descontos em todos os stands do evento
2-Participar do sorteio de brindes que a Loja Avenida oferece

Programação:

19 às 20 h
Quinteto Detachè
Luan, Léia, Matheus, André, Jordany
20 às 21 hs
Banda 2 homens e 1 segredo
com Ethany Cunha
21 ás 22:30 hs
Pietro e Fabiano


Gourmets:
Athenas do Norte-Vinhos e água
Butiquim da Quitanda-Chopp Ashby
Brigaderiè- doces e salgados finos
Café A Baiuca- Cerveja artesanal
Deguste-Massas e crepes
Han Hay-comida Japonesa


Espaço Cult:
Café e Livraria Espaço B
Ópera do Espaço
Pavio Real
Oficina Criativa:
Ludoteca
Cenasr


Patrocinadores:
Diamante Palace Hotel
Pousada Capistrana
Pousada do Garimpo
Pousada Relíquias do Tempo
Pousada da Seresta
Pousada Vila do Imperador
Pouso da Chica
Minhas Gerais


Apoiadores Culturais:
A Loja de Pianos
Conservatório Estadual de Música Lobo de Mesquita
Loja Santiago
Restaurante Fino Trato
Brazarte
Prefeitura Municipal de Diamantina
Geopro Brasil
Cobertura Wi fi:
FXnet
Café de Cortesia : Gema de Minas