sexta-feira, 4 de abril de 2014

Voz de Diamantina: A emocionante bênção do órgão do Carmo

Capa (51)Numa feliz coincidência com que minha provecta idade já nem me permitia contar, meus ouvidos foram premiados com as notas musicais do órgão que Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, o maior compositor de músicas sacras das Américas, fez ecoar pelas abóbadas da Igreja de Nossa Senhora do Carmo em fins do século XVIII. Quis ainda o acaso brindar-me com esta efeméride por três vezes em um mesmo fim de semana. A primeira delas, informal e nem anunciada, ocorreu durante a missa a que costumo assistir nas tardes de sábado naquele belíssimo templo, ao escutar a nostálgica, melódica e até então emudecida voz do órgão construído artesanalmente pelo padre Manoel Almeida e Silva entre os anos de 1782 e 1787. Dificilmente se ouvirá novamente o soar de um Kyrie Eleison tão piedosamente dedilhado e harmoniosamente acompanhado por uma soprano cuja voz se entrelaçava com o saudoso timbre do órgão e fazia reviver toda a magnificência que as pinturas em perspectivas do teto, a beleza de douramentos do altar-mor e a grandiosidade arquitetônica imprimem naquela vetusta, lendária e histórica igreja. O Sanctus, Sanctus, Sanctus, um dos mais belos hinos cristãos, completou o batizado do órgão na liturgia eucarística daquele inesquecível fim de semana.

À noite, a Igreja do Carmo repleta de gente num silêncio reverente e perscrutador, tiveram início o Concerto Inaugural e a Bênção do Órgão Almeida e Silva/Lobo de Mesquita. A cada saudação e exaltação que o arcebispo de Diamantina fazia às importantes funções do bicentenário instrumento, elevavam-se por toda a igreja notas musicais executadas pelo dedilhar do virtuoso organista Marco Brescia. Entusiasmado certamente em ressuscitar os ricos e variados sons de uma voz que só voltara a ecoar graças ao seu conhecimento, relacionamento e empenho, ele escolheu caprichosamente trechos ligeiros de músicas, entre suaves e tonitruantes, como a inflar gradual e reveladoramente o som de cada um dos quase 600 tubos do renovado órgão. Com o acompanhamento da voz cúmplice da soprano Rosano Orsini, não por acaso de sobrenome Brescia, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo encarnou-se no divino sacrário da religiosidade, da cultura e da sensibilidade diamantinense.

Início do editorial da Voz de Diamantina - Edição 660, de 05 de abril de 2014

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