quarta-feira, 18 de abril de 2012

Leia nesta semana na Voz de Diamantina

imageDurante a entrevista do reverendo-alcaide à TV Vale, pus-me a imaginar se alguém alimentou a esperança de que, indagado sobre as graves denúncias de improbidade administrativa que lhe foram imputadas e os rumores de que renunciaria ao cargo, o indiciado responderia: sim, eu cometi esses delitos e vou renunciar ao meu mandato. Era como se as pencas de políticos corruptos brasileiros confessassem seus crimes. O padre adotou as artimanhas de quem é pego com a boca na botija: negou as acusações, alegou não ter sido ainda notificado pela CPI e desconversou com a usual desenvoltura.

O entrevistado estava muito à vontade e ensaiara bem seu papel. Em vez dos habituais e desconexos improvisos, ele atuou com método, concatenando as ideias e exprimindo-as com ordem, cautelosamente. Até a impostação de voz, o jeito de olhar e os modos de sorrir denunciavam a tática de uma encenação com princípio, meio e fim. E por que não começar narrando a extrema pobreza de sua meninice? A levantar de madrugada, mal tendo um café para tomar, e seguir o pai, com seu radinho de pilha, para o batente na banca do mercado? Para, em seguida, de voz embargada, salientar como essas privações lhe aguçaram a vontade de trabalhar intensamente e tornar-se um vencedor. Com que unção o padre exortou a práxis do pobrismo. E com que candura e teatral naturalidade explicou que tivera notícia das tais 500 mudas de laranja que comprara em Pará de Minas já chegando à cidade, mas ignorava quem as transportara e em que tipo de veículo. Mas o ápice de sua pregação ocorreu quando ele agradeceu aos céus pelas acusações lhe terem sido feitas na Semana Santa. A cruz de Cristo, sua paixão e morte - toda aquela sofrida trajetória para redimir o mundo foi sendo apropriada e usada como um sacrifício que ele também se impunha para prosseguir em sua obra redentora nas periferias de Diamantina, em seus 11 pobres distritos e mais de 100 miseráveis povoados onde milhares de bocas dependem da Bolsa Família. Que deslavada imersão o pseudo-reverendo empreendeu nos esconsos da teologia, nos meandros da filosofia e em outros fundamentos de sua instrução clerical. Volteios de lógica, labirintos de sofismas, ambiguidades de metáforas se entrelaçavam em sua homilia em prol da salvação através de políticas populistas, de pão e circo para as massas e de outras primícias da teologia da libertação, desprezível máscara para a tautologia da enganação.

Continua na Voz de Diamantina Edição 558 de 21 de abril de 2012

Joaquim Ribeiro Barbosa - “Quincas”

Confira nesta edição:

  • Diamantina Ri e Chora
  • Balaio de Pitacos
  • Hospitais Universitários
  • A Fotografia Pin-hole

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3 comentários:

  1. Rodrigo dos Santos20 de abril de 2012 21:20

    O jogo de marketing do editor da Voz de Diamantina é um dos melhores que já vi. Pegou um assunto polemico pra vender jornal. O que adianta um semanário bater, bater, bater na administração da cidade e não fazer propostas para que se melhore o que diz estar ruim? Sem contar que esse jornal não chega à periferia, não chega a quem realmente sofre. Os pobres não tem voz nessa voz de Diamantina! Quincas, coloque o seu nome nas proximas eleições. Candidate-se a um cargo eletivo e faça a diferença na prática! Falácias não levarão Diamantina a lugar nenhum.

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  2. Está redondamente correto amigo, não adianta imprimir um texto com frases e sentenças que somente alguns possa entender, e no final fazer publicidade de um jornal que nada mais é que um papel com algumas palavras, e que palavras, se alguém tiver alguma necessidade de entender o que ele disse, existem na internet inúmeros sites que traduzem para o português local, é Sr. redator, palavras bonitas não resolvem e não levam a nossa cidade a lugar algum, sem ação não traz solução.

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  3. Acho que muitos moradores não "vivem" na mesma Diamantina que eu, não conhecem a história e o propósito da Voz de Diamantina, aliás desde os tempos de Zé Neves... E mais ainda não enxergam as diversas denúncias semanalmente expostas por meio deste jornal. Será que é preciso desenhar para que nossos gestores saibam o que fazer? Ah, e o português utilizado pelo editor? Realmente se torna de difícil entendimento a medida que reconhecemos que a maioria da população recebe uma péssima educação e aí é instalada uma sociedade de analfabetos funcionais, que é a maioria e grande responsável por eleger administrações desastrosas que promovem com louvor o "atraso" dos municípios.

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